UOL Notícias Internacional
 

09/02/2005

Sudão rejeita ONU em tribunal de guerra

The New York Times
Warren Hoge

The New York Times
O Sudão, criticando os pedidos para um julgamento internacional dos crimes de guerra em sua conflituosa região de Darfur, disse na terça-feira que os suspeitos não devem ser julgados fora do país, mas sim por tribunais sudaneses.

Um relatório de uma comissão da ONU, na semana passada, disse que o judiciário sudanês não é confiável para a tarefa, e recomendou os acusados sejam levados ao Tribunal Criminal Internacional em Haia. Os Estados Unidos sugeriram a realização dos julgamentos em um tribunal especial em Arusha, Tanzânia, onde os casos dos massacres de 1994 em Ruanda foram julgados.

Mas Ali Osman Taha, o vice-presidente do Sudão, disse: "Nós acreditamos fortemente que não há base para a retirada dos suspeitos do país. Nós sentimos fortemente que tal ação arruinaria as coisas, atrapalhando em vez de ajudar as pessoas a se reconciliarem."

Taha afirmou que o sistema sudanês é "competente, capaz e disposto a fazer justiça".

Os nomes dos 51 suspeitos de crimes de guerra estão em uma lista lacrada, que acompanhou na semana passada o relatório da ONU sobre a violência no Sudão, supostamente contendo membros do governo. O governo tem sido acusado de financiar e equipar as milícias árabes responsáveis pela campanha de limpeza étnica que deixou 2 milhões de pessoas desabrigadas e provocou a perda de 70 mil vidas segundo as estimativas da ONU, e até 300 mil segundo especialistas externos.

Taha fez seu comentário depois que ele e um líder do movimento rebelde, John Garang, informaram ao Conselho de Segurança sobre o pacto de paz que assinaram no mês passado, colocando um fim a duas décadas de guerra civil no sul do Sudão.

Tal acordo está sendo promovido como base para a construção da paz em Darfur, que fica no oeste do Sudão. Também há o temor de que um fracasso em Darfur possa provocar violência no sul.

Em um argumento separado contra os processos de Darfur no futuro próximo, Garang disse que buscar punir os assassinos antes da obtenção da paz será como "colocar o carro à frente dos bois, um caso no qual o carro e os bois não andarão e não irão a lugar nenhum".

Taha disse ao Conselho de Segurança que o dinheiro para reconstrução deve começar a entrar no Sudão imediatamente, e que todas as sanções comerciais contra Cartum devem ser suspensas.

A objeção de Taha complica ainda mais o esforço americano para acelerar os julgamentos de crimes de guerra no Sudão, evitando ao mesmo tempo entregá-los ao Tribunal Criminal Internacional. O governo Bush é contra o tribunal desde sua criação, com base de que poderia mover ações com motivações políticas contra americanos no exterior.

Após uma reunião com Taha, Stuart Holliday, o vice-embaixador americano, disse: "Eu deixei claro que discordamos, que temos a crença, assim como outros membros do conselho, de que precisamos de um forte envolvimento internacional no processo de responsabilização".

Os Estados Unidos estão elaborando uma nova resolução para o Sudão, mas estão enfrentando dificuldades em torno da disputa do tribunal assim como possíveis sanções contra Cartum, um congelamento dos ativos do governo e dos líderes rebeldes, e um embargo mais severo de armas.

Refletindo a frustração com o contínuo atraso, Jan Pronk, o enviado especial do secretário-geral Kofi Annan para o Sudão, disse ao conselho que após acompanhar os eventos em Darfur por seis meses, ele podia confirmar que o governo nem deteve a violência e nem levou os perpetradores à justiça, apesar das repetidas exigências do Conselho de Segurança para que fizesse ambos.

"Nós devemos concluir que há um impasse", disse ele. "Nós precisamos urgentemente de um avanço." País diz que possui sistema de justiça eficiente George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host