UOL Notícias Internacional
 

09/02/2005

Trégua declarada em encontro de Sharon e Abbas

The New York Times
Steven Erlanger

The New York Times
Mahmoud Abbas, o presidente palestino, e Ariel Sharon, o primeiro-ministro de Israel, realizaram um encontro de cúpula neste resort egípcio na terça-feira -a reunião de mais alto nível entre os lados em quatro anos- e declararam uma trégua nas hostilidades.

Abbas disse que ele e Sharon "concordaram conjuntamente em um cessar de todos os atos de violência contra israelenses e palestinos em toda parte", enquanto Sharon disse que "concordaram que todos os palestinos suspenderão todos os atos de violência contra todos os israelenses em toda parte, e em paralelo, Israel cessará toda a sua atividade militar contra todos os palestinos em toda parte".

As autoridades disseram que Israel também retirará suas tropas de cinco cidades da Cisjordânia nas próximas três semanas e suspenderá as prisões e assassinatos de importantes militantes, caso concordem em baixar suas armas.

Ocorreu um lembrete imediato da fragilidade destas declarações quando porta-vozes do grupo radical palestino Hamas disseram que a trégua não se aplicava a eles.

Mas mesmo assim, o encontro de cúpula no Mar Vermelho foi repleto de simbolismo de esperanças renovadas, com os líderes israelenses e palestinos sentados em uma mesa redonda com seu anfitrião, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o rei Abdullah 2º da Jordânia.

No salão, a bandeira israelense estava exibida ao lado da bandeiras egípcia, jordaniana e palestina; porta-vozes israelenses fizeram sua declarações para redes de televisão egípcias e árabes; e tanto o Egito quanto a Jordânia anunciaram que em breve enviarão seus embaixadores de volta a Israel.

Abbas e Sharon, em declarações coordenadas, falaram de uma nova "oportunidade" para a paz e a calma, e de um novo começo -uma chance "para sair do caminho do sangue", como colocou Sharon, "e começar em um novo caminho".

Abbas disse: "A calma que prevalecerá em nossas terras a partir de hoje é o começo de uma nova era", e ele prometeu não poupar esforços "para proteger esta oportunidade nascente para a paz".

Ambos evitaram a palavra cessar-fogo, Mas se tiverem sucesso em tornar este período de relativa tranqüilidade em um cessar verdadeiro da violência -seguido por medidas negociadas para reduzir o efeito da ocupação israelense sobre os palestinos e por sérias negociações de paz- o dia marcará uma importante virada nas relações.

A velocidade com que o Hamas expressou sua não cooperação foi notável.

Em Beirute, o porta-voz do Hamas, Osama Hamdaneh, disse que o cessar-fogo "não envolve a resistência palestina" porque não foi plenamente negociado com o Hamas e porque todos os prisioneiros palestinos não foram libertados.

Em Gaza, outro porta-voz do Hamas, Mushir Al Masri, disse que a declaração de Abbas "expressa apenas a posição da Autoridade Palestina e não expressa o ponto de vista das facções", e ele insistiu que "o encontro de cúpula não levou a nada novo e a posição israelense não mudou".

O Hamas concordou com um período temporário de tranqüilidade, e suas declarações de terça-feira podem ser mais retóricas do que substanciais, um esforço para lembrar aos palestinos que o Hamas está combatendo os israelenses, não fazendo concessões a eles.

Mas foram um forte lembrete dos limites da autoridade de Abbas no momento, mesmo com o apoio do Egito e da Jordânia, e da fragilidade das declarações feitas na terça-feira.

Israel deixou claro que se os ataques continuarem e Abbas não fizer o suficiente para impedi-los, Israel retomará sua atividade militar.

"Só é possível haver um cessar-fogo com um Estado ou autoridade que controle a segurança", alertou um alto funcionário israelense aqui, na sexta-feira.

"Não é possível ter um cessar-fogo com grupos terroristas armados, porque isto significaria lhes dar o poder de veto sobre a paz", continuou o funcionário. "O que temos hoje é um cessar da violência, e ele poderá se tornar algo mais se Abbas buscar desbaratar" as milícias, tomar suas armas e destruir suas fábricas de morteiros e foguetes.

Abbas ainda não nomeou um novo Gabinete ou reformou suas forças de segurança, apontaram os israelenses, com um alto oficial militar dizendo: "Nós sabemos que ele precisa de tempo, e nós lhe daremos tempo, mas ele não tem um tempo ilimitado".

Sharon, em sua segunda visita a um país árabe como primeiro-ministro -ele comandou as forças israelenses que tomaram este resort na guerra entre árabes e israelenses de 1973- teve um encontro longo e cordial com Mubarak, cujos assessores conversaram sobre uma visita a Israel. Sharon também convidou Abbas para uma visita de trabalho a sua fazenda em Israel.

Abbas, que foi eleito presidente da Autoridade Palestina em janeiro, após a morte de Iasser Arafat em novembro, disse que era hora dos palestinos "reconquistarem sua liberdade" e "colocarem um fim a décadas de dor e sofrimento".

Ele prometeu aos palestinos que viverá segundo o lema: "Uma autoridade, uma arma e pluralismo político" -o que significa o fim do caos político, das gangues e grupos de resistência armados, e representação do Hamas e da Jihad Islâmica por meio de política democrática.

Abbas pediu aos israelenses que retomassem rapidamente o plano conhecido como roteiro para a paz, patrocinado pelos Estados Unidos, Rússia, União Européia e ONU. Ele pediu por negociações sérias para o acordo final de paz. E disse que as declarações feitas na terça-feira, juntamente com o que se seguirá, já são partes importantes da primeira etapa do roteiro para a paz.

"Nós queremos substituir a linguagem das balas e das bombas pela linguagem do diálogo, ter uma linguagem de diálogo em vez de um muro", disse Abbas, se referindo à barreira de separação que Israel está construindo na Cisjordânia e que diz servir para proteger contra homens-bomba suicidas. Se houver um verdadeiro cessar-fogo, crescerá a pressão sobre Israel para suspender a construção da barreira, especialmente em terras palestinas.

Mas as autoridades israelenses insistiram que as declarações de terça-feira ainda deixam os dois lados no que uma delas chamou de "situação pré-roteiro para a paz", sugerindo que Sharon está vulnerável demais com seu plano de retirada dos colonos israelenses de Gaza para poder lidar com mais controvérsia em relação aos assentamentos ilegais e construção de postos avançados na Cisjordânia.

Israel, em outras palavras, está insistindo para que Abbas cumpra suas obrigações de destruir a infra-estrutura do terrorismo no primeiro estágio do roteiro para a paz antes que Israel comece suas próprias obrigações de impedir novos assentamentos e desmontar os 50 postos avançados erguidos após março de 2001. As declarações do Hamas na terça-feira provavelmente reforçarão a posição israelense.

Abbas está trabalhando para atrair o Hamas e outros radiciais à política democrática e negociando um papel político para eles em troca do fim da violência. Seu atual ministro das Relações Exteriores, Nabil Shaath, disse na terça-feira que Abbas "explicará aos nossos irmãos e consolidará sua adesão ao cessar-fogo". Mas Shaath também alertou que "de agora em diante, qualquer violação da trégua será uma violação do compromisso nacional e terá que ser tratada como tal".

Mas os israelenses estão céticos de que Abbas reprimirá o Hamas, assim como não considerarão uma longa trégua ou uma mudança substancial nas relações com os palestinos até que o Hamas e outros militantes estejam sob controle de uma nova e reformada força de segurança palestina.

Mesmo assim, a tranqüilidade em Gaza facilitará para Sharon a execução de seu plano para Gaza, tanto política quanto militarmente, porque permitirá que a polícia e o exército desmontem os assentamentos e evacuem os colonos sem receberem tiros. E a tranqüilidade facilitará para Abbas a execução de sua urgente agenda doméstica de reformas -de seu próprio movimento Fatah, das forças de segurança e da própria Autoridade Palestina.

A ausência de um mediador americano fez a reunião de terça-feira parecer, de certa forma, mais importante, porque foi o Cairo, e não Washington, que reuniu ambos os lados.

Falando em Roma, a nova secretária de Estado, Condoleezza Rice, alertou sobre a longa estrada pela frente. Ela reconheceu as limitações das forças de segurança palestinas, mas disse: "Há locais onde podem agir". Quando as forças palestinas prenderem alguém, elas devem mantê-lo preso, quando virem uma fábrica de bombas, elas devem destruí-la, e quando virem contrabando, elas devem impedi-lo, disse ela, em palavras que alegrarão Sharon.

Mubarak, que pediu publicamente aos palestinos para tratarem seriamente Sharon como seu melhor parceiro para a paz, disse aos líderes para pensarem no futuro. "Os povos palestino e israelense merecem igualmente a vida que sonham -uma vida estável e segura que as futuras gerações desfrutarão em paz permanente, uma paz baseada no poder do direito, da justiça e da legitimidade internacional apoiada pelos laços de boa vizinhança", disse ele. Hamas já disse que o acordo não se aplica ao grupo George El Khouri Andolfato

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