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10/02/2005

Em anos de computador, réplica da Apollo é uma relíquia

The New York Times
Cyrus Farivar
Algumas pessoas escalam montanhas para conquistar grandeza. Algumas pessoas tentam vencer campeonatos esportivos. John Pultorak construiu uma réplica operacional de um computador de 40 anos.

Carmel Zucker/The New York Times

John Pultorak ao lado da réplica construida por ele do Apollo Guidance Computer, na casa de sua mãe, onde o computador foi guardado
No final do ano passado, Pultorak, de Highlands Ranch, Colorado, concluiu um projeto de quatro anos, a reconstrução do Apollo Guidance Computer (AGC, o computador guia da missão Apollo).

O AGC esteve a bordo de muitas das missões espaciais Apollo de 1969 a 1972. Foi o computador que Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins usaram nos módulos de comando e lunar durante a missão Apollo 11, que pousou na lua em 20 de julho de 1969.

"Eu estava procurando por algo que seria um desafio, um projeto realmente distinto", disse Pultorak, 51 anos, um engenheiro de software do grupo de sistemas espaciais da Lockheed Martin. Ele comparou sua busca à de uma pessoa que aspira escalar uma montanha "só para ver se é capaz".

"Eu queria construir algo que fosse realmente singular -a versão computadorizada do Monte Everest ou do Super Bowl (a final do campeonato de futebol americano)", disse ele.

Charles Stark Draper Laboratory Archives/The New York Times

Foto de 1962 de um protótipo do Apollo Guidance Computer
O AGC é uma parte da história da computação. Ele tinha um processador de 1 megahertz, 1 kilobyte de RAM (memória de acesso aleatório) e 12 kilobytes de ROM (memória somente para leitura). Em comparação, os atuais computadores desktop típicos apresentam uma velocidade de processamento mil vezes maior, memória RAM 500 mil vezes maior e descartou a memória ROM por discos rígidos com capacidade milhões de vezes maior.

Pultorak gastou cerca de US$ 3.000 e trabalhou cerca de dez horas por semana por quatro anos, principalmente à noite e nos fins de semana. Quando ele terminou, em outubro, ele passou dois meses detalhando seu esforço em documentos que totalizaram mais de mil páginas, e os disponibilizou em seu site na Internet, starfish.osfn.org/AGCreplica/.

O engenheiro disse que teve que fazer uma pequena concessão. Os microchips do AGC original não estão mais disponíveis, então ele teve que usar algo ligeiramente mais moderno: chips do final dos anos 60. Fora isso, o computador é idêntico.

"Não seria possível realizar o projeto com os chips originais", disse ele em uma entrevista por telefone. "Na minha documentação eu tenho uma seção inteira sobre como minha máquina difere da original. Ela tem a mesma arquitetura, tem os mesmos sinais de controle, tem as mesmas instruções -ei, este é o Apollo Guidance Computer."

Quando começou, Pultorak teve que sair à procura de esquemas, documentações e outros materiais relevantes que pudesse encontrar. Em novembro de 2001, quase um ano depois de ter começado, ele descobriu que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) tinha um repositório de informações sobre o projeto (hrst.mit.edu/hrs/apollo/public). O MIT ajudou a projetar o AGC há quase 40 anos.

A partir dali ele foi capaz de encontrar partes do código fonte -instruções escritas em uma linguagem de programação que o computador é capaz de entender- para o principal software que rodava no AGC no módulo de comando de muitas das missões Apollo. O programa se chamava Colossus. Enquanto trabalhava no código fonte do AGC, Pultorak encontrou referências a Margaret Hamilton, uma das centenas de programadores que trabalharam no software. "Eu já estava trabalhando no código fonte do AGC havia dois anos, mas lembro de ter rido de tais referências", disse ele. "Havia algo feito por Margaret -e você se sentia como se estivesse trabalhando com eles, você se sentia tocado por aquilo, você se sentia de certa forma como membro da equipe."

Quando ele concluiu o projeto, Pultorak subiu penosamente a escada de seu porão e informou sua mulher, Sue.

"Ele é um sujeito muito modesto, discreto", disse Sue Pultorak. "Ele simplesmente subiu e disse: 'Eu acho que terminei'. Nós todos descemos e assistimos ele piscar. Foi incrível."

Agora que a construção está concluída, Pultorak está pensando no que fazer com os 32 quilos de componentes eletrônicos inseridos dentro de uma caixa de 0,9 m X 1,5 m. Ele recebeu uma oferta de alguém que queria comprá-lo, mas ele não conseguiu se desfazer do AGC.

Seu filho de 20 anos, Andrew, um bacharelando da Universidade do Colorado, em Denver, ajudou no projeto durante o verão. Ele também disse que não gostaria de ver o computador vendido.

"Não importa quanto ofereçam por ele, não valeria o tempo e energia dedicados a ele", disse ele.

Mas John Pultorak disse que assim que a montagem foi concluída, que queria liberar espaço na casa. Ele levou a réplica de sua oficina no porão para a casa de sua mãe em Littleton, Colorado, um subúrbio próximo em Denver.

"Eu o construí no meu porão, mas não quero tê-lo -só queria construí-lo", disse ele. "É como escalar uma montanha. Você quer escalar a montanha, você não quer viver no topo dela." George El Khouri Andolfato

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