UOL Notícias Internacional
 

10/02/2005

Novo relatório de 11/09 mostra alertas de seqüestros

The New York Times
Eric Lichtblau

Em Washington
Nos meses que antecederam os ataques de 11 de setembro, as autoridades federais de aviação analisaram dezenas de relatórios de inteligência que alertavam sobre Osama Bin Laden e a Al Qaeda, sendo que alguns deles discutiam especificamente o seqüestro de aviões de passageiros e operações suicidas, segundo um relatório previamente não revelado da comissão de 11 de setembro.

Mas as autoridades de aviação foram "induzidas a uma falsa sensação de
segurança" e "a inteligência que indicava uma ameaça real e crescente antes de 11 de setembro não estimulou aumentos significativos dos procedimentos de segurança", concluiu o relatório da comissão.

O relatório revela que a Administração Federal de Aviação (FAA), apesar de concentrada nos riscos de seqüestros no exterior, alertou os aeroportos na primavera de 2001 que se "a intenção do seqüestrador não for a troca de reféns por prisioneiros, mas cometer suicídio em uma explosão espetacular, um seqüestro doméstico provavelmente seria preferível".

O relatório responsabiliza a FAA por ter fracassado em promover medidas
domésticas de segurança que poderiam ter alterado os eventos de 11 de
setembro, como reforço dos procedimentos de revista por armas nos aeroportos ou um aumento na presença de "air marshals", agentes federais armados a paisana, nos vôos. O relatório, concluído em agosto, disse que as autoridades pareciam mais preocupadas com a redução do congestionamento aéreo, redução dos atrasos e em ajudar a resolver os problemas financeiros das companhias aéreas do que em impedir um ataque terrorista.

O governo Bush impediu a divulgação pública da versão plena confidencial do relatório por mais de cinco meses, disseram as autoridades, para frustração de ex-membros da comissão, que disseram que ele fornece um entendimento fundamental das falhas do sistema de aviação civil.

O governo forneceu tanto o relatório confidencial quanto uma versão
liberada, de 120 páginas, aos Arquivos Nacionais há duas semanas e, mesmo com grandes revisões em algumas áreas, a versão liberada fornece a evidência mais clara até o momento sobre os alertas que as autoridades de aviação receberam sobre a ameaça de um ataque a aviões de passageiros e o fracasso em adotar medidas para impedi-lo.

Entre outras coisas, o relatório diz que os líderes da FAA receberam 52
relatórios de inteligência de seu setor de segurança que mencionavam Bin
Laden ou a Al Qaeda, de abril a 10 de setembro de 2001. Isto representa
metade de todos os sumários de inteligência do período.

Cinco dos relatórios de inteligência mencionaram especificamente o
treinamento ou a capacidade da Al Qaeda de realizar seqüestros, disse o
relatório. Dois mencionavam operações suicidas, apesar de não ligadas à
aviação, disse o relatório.

Uma porta-voz da FAA, a agência que recebeu grande parte das críticas da
comissão, disse na quarta-feira que a agência estava ciente da ameaça
representada pelos terroristas antes de 11 de setembro, e que adotou medidas substanciais para impedi-los, incluindo a expansão do uso de unidades de detecção de explosivos.

"Nós tínhamos muita informação sobre as ameaças", disse a porta-voz, Laura Brown. "Mas nós não tínhamos informações específicas sobre os meios e métodos, que nos permitiriam adotar contramedidas específicas."

Ela acrescentou: "Depois de 11 de setembro, a FAA e toda a comunidade de aviação adotaram medidas ousadas para melhorar a segurança da aviação, como o reforço das portas das cabines de 6 mil aviões, e tais medidas custaram centenas de milhões de dólares para serem implementadas".

O relatório, como documentos anteriores da comissão, não encontrou evidência de que o governo dispunha de um alerta específico de ataque doméstico e disse que o setor de aviação considerava a ameaça de seqüestro mais preocupante no exterior.

"O fato do sistema de aviação civil ter sido induzido a uma falsa sensação de segurança é notável não apenas devido ao que aconteceu em 11 de setembro, mas também diante das conclusões da inteligência, incluindo as conduzidas pela própria divisão de segurança da FAA, que apresentou alarmes sobre a crescente ameaça terrorista à aviação civil durante todos os anos 90 e no novo século", disse o relatório.

Em suas conclusões anteriores, incluindo um relatório final de julho passado que se tornou um livro best seller, a comissão de 11 de setembro detalhou os eventos angustiantes a bordo dos quatro vôos derrubados em 11 de setembro e os problemas de comunicação entre as autoridades de aviação civil e os oficiais militares, o que atrapalhou a resposta. Mas o novo relatório vai ainda mais longe ao revelar a amplitude e profundidade da inteligência coletada pelas autoridades federais de aviação sobre a ameaça de um ataque terrorista.

A FAA "já tinha considerado a possibilidade do seqüestro de um avião por
terroristas para uso como arma", e em 2001 distribuiu um CD-ROM para as
companhias aéreas e aeroportos que citava a possibilidade de um seqüestro suicida, disse o relatório. Documentos anteriores da comissão citaram a garantia do CD de que "felizmente, nós não temos indício de que qualquer grupo esteja realmente pensando nisto".

As autoridades de aviação reuniram tanta informação sobre a crescente ameaça representada pelos terroristas que realizaram briefings confidenciais, em meados de 2001, para autoridades de segurança de 19 dos aeroportos mais movimentados do país, visando alertar sobre a ameaça representada em particular por Bin Laden, disse o relatório.

Mesmo assim, a comissão de 11 de setembro concluiu que as autoridades de aviação não direcionaram recursos ou atenção adequados para o problema.

"Ao longo de 2001, a cúpula da FAA estava concentrada nos congestionamentos e atrasos dentro do sistema, assim como na sempre presente questão da segurança das aeronaves, mas não estava concentrada nas ameaças de terrorismo", disse o relatório.

A FAA não viu necessidade de aumentar o número de air marshals porque
seqüestros eram considerados uma ameaça no exterior, e uma autoridade de aviação disse à comissão que as companhias aéreas não queriam abrir mão de receita ao fornecer assentos gratuitos para air marshals.

A agência também não fez nenhum esforço para expandir sua lista de suspeitos de terror, que incluía uma dúzia de nomes de 11 de setembro, disse o relatório. O ex-chefe da divisão de segurança da aviação civil da FAA disse que não estava ciente da lista do governo de suspeitos, chamada de Tipoff, que incluía os nomes de dois seqüestradores que viviam na área de San Diego, disse o relatório.

Nem havia evidência de que um grupo de trabalho da FAA para segurança se reuniu em 2001 para discutir "o período de alta ameaça naquela verão", disse o relatório.

Jane Garvey, a diretora da FAA na época, disse para a comissão "que ela
estava ciente da maior ameaça durante o verão de 2001", disse o relatório.

Mas vários outros altos funcionários da agência "simplesmente desconheciam a ameaça", assim como importantes diretores de grandes companhias aéreas e pilotos veteranos, disse o relatório. George El Khouri Andolfato

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