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12/02/2005

Lendário dramaturgo Arthur Miller morre aos 89

The New York Times
Marilyn Berger

Em Nova York
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Sam Falk/The New York Times - 1952

Dramaturgo em sua casa no início da década de 1950, quando já era uma estrela da Broadway
Arthur Miller, um dos grandes dramaturgos americanos, cujo trabalho expunha as fendas no tecido social do chamado sonho americano, morreu nesta quinta-feira (10/02), na casa dele em Roxbury, Estado de Connecticut. Tinha 89 anos. A causa foi falha cardíaca congestiva, segundo Julia Bolus, sua assistente.

Autor de "A Morte do Caixeiro Viajante", um marco da dramaturgia do século 20, Miller enfrentou em suas peças as questões mais densas no que diz respeito à consciência social. Esses trabalhos freqüentemente refletiram ou reinterpretaram elementos conturbados e bem públicos de sua vida pessoal, o que incluiu seu curto e acidentado casamento com Marilyn Monroe e sua firme recusa em cooperar com a delação de "vermelhos" na Comissão Parlamentar de Atividades Anti-Americanas.

"A Morte do Caixeiro Viajante", que estreou na Broadway em 1949, firmou o nome de Miller como um gigante do teatro americano quando ele tinha apenas 33 anos. A peça recebeu a chamada tríplice coroa da excelência teatral daquele ano --arrebatou o Prêmio Pulitzer, o Prêmio da Associação Nova-Iorquina dos Críticos Teatrais e o Prêmio Tony.

Mas o enorme sucesso da peça ofuscou outros aspectos da longa carreira de Miller. Embora "As Bruxas de Salem", peça de 1953 sobre os processos anti-feitiçaria realizados na cidade de Salem que inspiraram seu ódio virulento conta o macartismo, e "Panorama Visto da Ponte", drama de 1955 sobre traição e obsessão, tenham efetivamente ocupado seus devidos postos como clássicos populares no repertório internacional, essas e outras peças posteriores de Miller jamais igualaram seus sucessos do início de carreira.

Embora ele tenha escrito um total de 17 peças, "O Preço", encenada na Broadway durante a temporada de 1967-68, foi seu último sucesso consistente, do ponto de vista da crítica e das bilheterias.

No entanto, Miller foi bem sucedido ao escrever para uma ampla variedade de mídias. Fora do teatro, talvez sua obra mais notável tenha sido o roteiro para "Os Desajustados", filme de 1961 dirigido por John Huston e estrelado por Marilyn Monroe, com quem o autor estava casado na época.

Ele também escreveu ensaios, contos e uma autobiografia publicada em 1987, "Timebends: A Life" (Curvas do Tempo: Uma Vida). Sua obra seguiu politicamente engajada até o fim da vida.

Sua reputação basicamente se apóia num punhado de peças mais conhecidas, dramas envolvendo culpa, traição e redenção que continuam sendo encenados em teatros do mundo inteiro.

Esses dramas de consciência social foram extraídos da vida real e influenciados pela Grande Depressão, o acontecimento que o autor acreditava ter tido um impacto mais profundo na nação americana do que qualquer outro evento na história dos Estados Unidos, com a possível exceção da Guerra Civil.

"Peça após peça", conforme o crítico teatral Mel Gussow escreveu aqui no The New York Times, "ele atribui ao homem a responsabilidade por seus atos e pelos atos dos vizinhos."

Elia Kazan, que dirigiu "Todos Eram Meus Filhos", "A Morte do Caixeiro Viajante" e "Depois da Queda", relembra que "nos anos 30 e 40, vínhamos da tradição do Group Theater, segundo a qual cada peça deveria ensinar uma lição e estabelecer um ponto de vista temático."

"Arthur organizava suas peças de um tal jeito que elas sempre atingiam uma espécie de clímax temático", segundo Kazan. "Ele compelia o espectador a aceitar esse ponto temático."

Miller, homem esbelto e musculoso cuja cabeleira negra se acinzentou nos últimos anos de vida, mantinha a aparência de um intelectual dos anos 30, fosse vestindo jeans e calçando botas pesadas no concerto de sua porteira ou sentado ao computador, ou à máquina de escrever quando faltava luz, em sua fazenda de 350 acres no condado de Litchfield.

Segundo a própria definição de Miller, escrever peças era como respirar. Ele contou na autobiografia "Timebends" que quando era jovem "imaginava que, com a possível exceção do ato de um médico ao salvar uma vida, escrever uma peça de valor era a coisa mais importante que um ser humano poderia fazer."

Ele também considerava ser a dramaturgia uma forma de mudar os Estados Unidos, o que, nas palavras de Miller, significava "agarrar as pessoas e sacudí-las pelo pescoço." "A Morte do Caixeiro Viajante" é marco do teatro mundial no século Marcelo Godoy

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