UOL Notícias Internacional
 

12/02/2005

Ofensiva das Farc mina presidente da Colômbia

The New York Times
Juan Forero

Em Bogotá, Colômbia
Uma nova onda de ataques dos rebeldes de esquerda, juntamente com o aumento das críticas internacionais aos esforços do governo para desarmar os esquadrões da morte de direita, provocaram sérios e repentinos reveses ao presidente Álvaro Uribe ao mesmo tempo em que ele apregoa seu sucesso em promover a ordem neste país dilacerado por conflitos.

A morte de 45 soldados em nove dias em ataques rebeldes aumentou a preocupação de que as guerrilhas encerraram um recuo de dois anos e lançaram uma ofensiva para minar os esforços de pacificação do governo. Os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc, mataram 24 soldados no norte do país na última quarta-feira (9/2). Poucos dias antes, em duas emboscadas no sul, outros 31 soldados foram mortos.

A campanha militar intensiva para esmagar a rebelião é um lado da estratégia amplamente anunciada de Uribe para melhorar as condições na Colômbia. O outro tem sido negociações e legislação para desarmar os esquadrões da morte paramilitares que trabalharam lado a lado com unidades militares desgarradas no combate aos rebeldes.

Mas a ofensiva militar com 18 mil soldados no sul da Colômbia resultou na morte, ao longo de um ano, de 1.000 soldados, segundo altos oficiais militares. Os ataques recentes das Farc, que enfrentam o governo há 41 anos, demonstram que o grupo mantém grande parte de sua capacidade militar, disseram analistas militares.

Os recentes ataques rebeldes, somados às críticas à legislação paramilitar, também ressuscitaram o debate sobre se o governo exagerou seus feitos para ajudar Uribe a obter uma emenda constitucional que autoriza sua reeleição no próximo ano.

"Os rebeldes claramente não querem uma vitória de Uribe", disse Sergio Jaramillo, um ex-alto funcionário do Ministério da Defesa que dirige a Idéias para Paz, um grupo de análise política em Bogotá. "Então querem fazer coisas para desacreditá-lo."

Os ataques também minaram o antigo argumento de Uribe de que não há guerra na Colômbia, mas sim ataques terroristas executados por criminosos contra um governo legítimo. Tal argumento é central para uma estratégia que busca unir os colombianos e os governos estrangeiros em apoio aos esforços do governo sem que façam muitas perguntas.

Alfredo Rangel, um importante analista militar, disse que a meta de Uribe é fazer com que os rebeldes, que já são impopulares, percam sua legitimidade.

Mas a posição do governo também atenua a crise humanitária na Colômbia. Tal fator levou a mais importante revista semanal do país, a "Semana", a declarar na matéria de capa da última edição: "Sim, sr. Presidente, há uma guerra".

"Na Colômbia há uma guerra rebelde", disse Rangel. "Há grupos políticos-militares que são, na verdade, exércitos com capacidade militar para enfrentar as forças armadas, para controlar algumas áreas do país, e não podem ser simplesmente reduzidos a meros bandos de terroristas."

O governo também está sendo alvo de críticas pesadas de influentes legisladores americanos, da ONU e de alguns diplomatas estrangeiros por sua nova legislação que administra o desarmamento de um grupo paramilitar de 15 mil membros, as Forças Unidas de Autodefesa da Colômbia, cujos comandantes são procurados por amplos abusos de direitos.

Os críticos dizem que a legislação, apresentada ao Congresso colombiano na quarta-feira como uma alternativa a uma legislação mais dura apresentada no ano passado, mostra que o governo está disposto a permitir que os comandantes paramilitares escapem de punição em troca da desmobilização.

Os líderes do Congresso daqui e em Washington, a qual foi solicitada ajuda financeira para o desarmamento, dizem que o plano de Uribe faz pouco para garantir que os grupos paramilitares sejam desmontados ou para que os comandantes forneçam informação verídica sobre suas atividades passadas, incluindo tráfico de drogas para os Estados Unidos.

Não é exigido que os comandantes revelem o funcionamento interno de sua organização, nem que os comandantes garantam o desarmamento de todos seus soldados. Os líderes paramilitares, mesmo aqueles procurados por crimes de guerra, poderiam cumprir menos de cinco anos de pena por seus crimes, possivelmente em fazendas em vez de prisões.

Em uma carta com termos fortes dirigida ao presidente Uribe neste mês, um grupo bipartidário de influentes legisladores americanos explicou que o financiamento americano para a desmobilização exige que os paramilitares "revelem plenamente seu conhecimento da estrutura operacional" do grupo. Eles também devem perder ativos adquiridos ilegalmente, como terras, cumprir o cessar-fogo e ser responsabilizados por seus crimes.

Entre os autores da carta estão republicanos como o deputado Henry J. Hyde e o senador Richard G. Lugar, assim como democratas como os senadores Patrick J. Leahy, Christopher J. Dodd e Joseph R. Biden Jr.

Grupos de direitos disseram que a legislação de Uribe apresenta uma série de brechas que beneficiarão os comandantes paramilitares. "O governo tem se curvado para atender a liderança paramilitar", disse Jose Miguel Vivanco, o diretor da divisão para as Américas do grupo Human Rights Watch, com sede em Nova York.

Uribe e seus principais assessores reagiram desafiadoramente às críticas.

Na quinta-feira, o vice-presidente Francisco Santos se referiu à oposição à legislação como produto de "vaidades políticas e ódio político" promovidos por grupos internacionais de direitos com pouco conhecimento da guerra sangrenta na Colômbia. Uribe também é acusado de condescender com milícias de direita George El Khouri Andolfato

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