UOL Notícias Internacional
 

13/02/2005

HIV mais forte causa alarme, mas não surpreende

The New York Times
Marc Santora e

Richard Perez-Pena

Em Nova York
Com a divulgação de um caso de rara e mortífera variação de Aids, comunidades já atingidas pela doença reagiram com uma mistura de medo, ceticismo e quase nenhuma surpresa, uma vez que a sensação de urgência com relação à doença vem se enfraquecendo.

"Eles deveriam ter fornecido mais informações a respeito de sexo seguro e sobre o próprio vírus, a sua gravidade", disse Albert Wright, 59, portador do HIV. Ele vive em um centro de tratamento no Brooklyn, zona leste de Nova York. "Temo pelo público. As pessoas provavelmente têm isso e não sabem que têm".

Autoridades nova-iorquinas de saúde anunciaram nesta sexta-feira (11/02) que detectaram uma rara variação do HIV que resiste a praticamente todos os tratamentos com drogas anti-retrovirais e que, aparentemente, pode se espalhar rapidamente entre os homens da cidade.

A força do vírus e a sua possível disseminação, segundo as autoridades, poderiam causar uma nova e muito mais ameaçadora onda de contaminação, desencadeando uma busca pelos parceiros sexuais do homem em que o vírus foi encontrado para submetê-los a testes.

Os especialistas em tratamento e prevenção do HIV estão preocupados com o fato de que a infecção mais mortífera do vírus foi apresentada por um homem que usava metanfetamina durante longas sessões de sexo sem proteção com vários parceiros. Este comportamento, de acordo com os especialistas, vem se tornando cada vez mais comum nos últimos anos.

Neste sábado (12), no Big Cup, um popular café na região de Chelsea, em Manhattan, os fegueses, gays na maioria, falaram sobre como o medo da Aids diminuiu, sobretudo entre os mais jovens, cuja geração não teve a dilacerante experiência de ver seus amigos morrendo.

Alguns deles afirmaram que estão assustados pelo que pode ser o surgimento de uma variação mais agressiva da doença. Mas nenhum dos jovens estava surpreso, considerando a atitude predominante.

"As pessoas se sentem tão confortáveis com o tratamento para a doença que elas acabaram ficando complacentes", disse Will Elosei, 37, de Jersey City. Agora, diz ele, "as pessoas ficarão mais paranóicas com tudo".

Algumas pessoas que trabalham com pesquisa e prevenção do HIV reagiram com cautela. Muitos disseram que é muito cedo para saber se um caso isolado em Nova York de infecção com a variante mais forte do vírus é algo realmente novo.

"Nós precisamos de uma carcterização mais precisda do vírus no homem em que ele foi encontrado", disse o Dr. Marcus Conant, professor da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco. "Qual é a estrutura genética deste vírus?"

Mas ele acrescenta: "Todos nós tínhamos a expectativa de que surgiria uma nova forma de HIV resistente à toda medicação usada para combatê-lo. O vírus passou por uma mutação a partir das drogas que usamos contra ele". Para especialista, uma mutação mais resistente sempre foi esperada Alexandre Bigeli

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,48
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,53
    75.604,34
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host