UOL Notícias Internacional
 

15/02/2005

Aprovação a Pataki tem forte queda, diz pesquisa

The New York Times
Michael Slackman e

Marjorie Connelly*

Em Nova York
Pesquisa de opinião de The New York Times aponta que a popularidade do governador George E. Pataki, republicano, caiu para o nível mais baixo desde o seu primeiro ano como governador de Nova York há dez anos. A pesquisa revela que menos da metade dos nova-iorquinos aprova o seu trabalho.

De forma geral, a pesquisa traça um quadro sombrio para Pataki no momento em que ele pensa em disputar um quarto mandato e se depara com a possibilidade de enfrentar o procurador-geral Eliot Spitzer, que anunciou o seu plano para concorrer ao governo em 2006.

Os indivíduos entrevistados disseram que Pataki fez pouco progresso no que diz respeito à redução dos impostos, à melhoria das escolas, à administração da economia e à criação de novos empregos. A impressão é que Pataki é tido como o culpado por grande parte dos males que afligem o Estado.

A pesquisa revelou ainda que o eleitor tende a se opor à pena de morte, uma proposta que está sendo discutida na assembléia legislativa após os tribunais terem eliminado a lei da pena capital em Nova York no ano passado.

Entre os entrevistados, 56% disseram preferir ou a prisão perpétua para indivíduos condenados por assassinato. Só 34% dos entrevistados disseram apoiar a pena de morte, uma queda significativa em relação aos 47% que apoiavam esta punição em 1994, quando Pataki fez da instituição da pena de morte um componente fundamental da sua campanha para vencer o então governador Mario M. Cuomo, democrata.

A pesquisa feita com 1.882 indivíduos foi realizada entre os dias 4 e 13 de fevereiro. A sua margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Dos entrevistados, 1.481 disseram ser eleitores registrados para votar. E 43% garantiram que aprovam a forma como Pataki governa, o que representa uma queda de 20 pontos percentuais em relação a 2002.

Esse declínio se constitui em uma reversão drástica para um governador cujo índice de aprovação permaneceu em torno de 60% durante todos os anos que se seguiram a 1995, quando atingiu o seu patamar mais baixo, chegando a 33%.

Já Spitzer goza de um índice de aprovação de 59%, o que o coloca em uma posição política invejável para um candidato que está a quase dois anos da eleição. De fato, a pesquisa revelou que se a eleição para governador de Nova York fosse hoje entre Pataki e Spitzer, este último venceria com 49% dos votos contra 34% de Pataki.

O estilo comedido e amigável cultivado por Pataki no decorrer dos anos o ajudou a ganhar eleitores. Mas 38% dos entrevistados disseram que atualmente têm uma opinião desfavorável quanto à pessoa do governador, o que representa um aumento de 16% em dois anos.

Entre os que foram ouvidos pela pesquisa, apenas 33% disseram que a sua opinião a respeito do governador é favorável, o que evidencia uma queda de 19 pontos percentuais nos últimos dois anos.

Alguns entrevistados afirmaram responsabilizar o governador pelos problemas em Albany [capital do Estado de Nova York], onde os legisladores manifestam um atraso crônico para aprovar os orçamentos estaduais e têm se mostrado incapazes de concordar com relação às grandes questões de importância para o Estado, como o financiamento das escolas e a reforma da maneira como se fazem negócios na capital.

"Me irrita o fato de todo o nosso governo estadual estar quebrado", disse Robert Livingston, 58, um operário republicano aposentado de Schenectady, que foi ouvido pela pesquisa e que concordou em ser entrevistado pela reportagem após os resultados serem calculados. "Durante a campanha ele aceitou a responsabilidade, quando disse que daria um jeito na situação. Mas não cumpriu a promessa".

O diretor de comunicação de Pataki, David Catalfamo, procurou interpretar os números da forma mais favorável, observando que as pesquisas são um retrato instantâneo e que à medida que a economia melhorar, ele espera que a popularidade de Pataki aumente. O governador disse que até o final do calendário legislativo deste ano dirá se vai ou não disputar a reeleição.

"Os resultados das pesquisas sobem e descem --o que importa mais para os nova-iorquinos é a liderança, e isto é algo que o governador Pataki forneceu em uma crise após a outra", disse Catalfamo em um comunicado público.

"Em 1995, enfrentamos uma crise de confiança; em 2001, uma crise motivada pelo terrorismo. E nos últimos três anos o Estado tem passado pela sua pior crise fiscal desde a Grande Depressão. Frente a cada crise o governador Pataki proporcionou uma liderança firme e fez escolhas difíceis que permitiram que o nosso Estado caminhasse para frente".

Mas, por ora, Pataki e a legislatura não estão desfrutando de grande popularidade. Só um terço dos entrevistados disse aprovar a maneira como a legislatura vem se conduzindo, e quase a metade afirmou desaprová-la.

Apesar dos esforços de Pataki no sentido de atribuir a ineficiência do Estado aos líderes legislativos, quase a metade dos eleitores de Nova York não se mostrou capaz de opinar sobre o desempenho dos líderes da minoria na assembléia, o democrata Sheldon Silver, e o da maioria, o republicano Joseph L. Bruno.

E muitos atribuem diretamente a culpa a Pataki. "O orçamento está sempre atrasado", diz Patrícia Hahn, 59, republicana de Pataki não tem muito a ver com isso, mas ele ainda é o governador, e ainda deveria exercer certa pressão sobre aqueles caras em Albany para fazer com que o orçamento seja aprovado".

O descontentamento de Hahn com Pataki é ainda mais profundo, á que ela diz não acreditar mais que ele simpatize com a população de baixa renda.

"Simplesmente me desencantei com ele", afirmou. "Esperava que ele defendesse mais os trabalhadores pobres. Não foram só os muito ricos que o elegeram, mas também os pobres. Agora, nós não contamos mais. Na época da eleição Pataki quis o nosso voto, e éramos suficientemente bons para ele".

Se os eleitores não estão entusiasmados quando à idéia de dar um quarto mandato em Albany a Pataki, eles parecem estar ainda menos dispostos a mandá-lo a Washington. Quando solicitada a escolher entre Pataki e Rudolph W. Giuliani como candidato a presidente em 2008, uma sólida maioria dos nova-iorquinos, ou 55%, escolheu o ex-prefeito. Pataki foi a escolha de 16%, enquanto 23% disseram não desejar que nenhum dos dois republicanos de Nova York dispute a presidência.

É claro que ainda houve gente que expressou o seu apoio ao governador.

"Eu o vejo como um defensor do povo, como uma pessoa que ouve a população", disse Celeste Reyes, 45, uma republicana que trabalha como professora de matemática em uma escola secundária no Brooklyn. "Ele é alguém que gostaria e melhorar a educação por meio do aumento do orçamento. Gosto dele. Ele não é arrogante".

A mudança de postura com relação à pena de morte parece refletir três fatores: a forte queda da criminalidade no Estado de Nova York, os recentes casos em que evidências baseadas em DNA resultaram na anulação de condenações, e uma mudança na composição sobre a democracia na área da cidade de Nova York. Em 2003, uma pesquisa feita pela Universidade Quinnipiac revelou que 57% dos entrevistados eram favoráveis à pena de morte, enquanto que 37% a ela se opunham.

Só no nível federal a pesquisa encontrou um nível elevado de satisfação com relação aos senadores de Nova York. Entre os entrevistados, 63% disseram aprovar o desempenho de Charles E. Schumer e um número ligeiramente maior, 69%, afirmaram esta apreciando o trabalho de Hillary Rodham Clinton.

Embora a maioria dos entrevistados tenha dito esperar que Hillary concorra à presidência em 2008, eles disseram também que isso não afetaria a sua decisão de votar nela em 2006 --um golpe para qualquer adversário republicano que procura fazer a senadora prometer que cumprirá o mandato senatorial de seis anos caso seja reeleita.

*Colaborou Fred Backus. Se eleição fosse hoje, democrata venceria governo estadual de NY Danilo Fonseca

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