UOL Notícias Internacional
 

15/02/2005

Compra de armas pela Venezuela preocupa EUA

The New York Times
Juan Forero*

Em Bogotá, Colômbia
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    A Venezuela do presidente Hugo Chávez está considerando a compra de aviões de combate multitarefa do Brasil, o mais recente passo do que os EUA chamam de acúmulo de armas preocupante pelo governo de esquerda, em uma região já tumultuada.

    Miraflores Palace/The New York Times

    Lula e Chávez vêem mapa sul-americano sob quadro de Simon Bolivar, em Caracas
    Em um encontro em Caracas, capital da Venezuela, nesta segunda-feira (14/02), Chávez e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram acordos para aliança estratégica, econômica e militar entre as nações.

    Apesar de o contrato ainda não estar selado, a Venezuela negocia a compra de até 24 aeronaves de combate Super Tucano, da gigante Empresa Brasileira de Aeronáutica, conhecida como Embraer. O contrato envolveria US$ 170 milhões (em torno de R$ 500 milhões), segundo o jornal O Globo.

    Os dois países também assinaram acordos de energia e mineração, permitindo que a empresa brasileira de petróleo e gás, Petrobrás, desenvolva projetos de gás natural offshore e campos de petróleo no cinturão lucrativo do Orinoco, na Venezuela.

    O comércio entre os dois governos dobrou em um ano, para US$ 1,6 bilhão (aproximadamente R$ 4,8 bilhões) em 2004, e pode chegar a US$ 3 bilhões (em torno de R$ 9 bilhões) neste ano, um desdobramento que Chávez comemorou como sinal da integração latino-americana, independentemente dos EUA.

    "Estamos total e absolutamente convencidos, na Venezuela, que a solução para nossos problemas não está no norte, mas aqui entre nós", disse Chávez aos repórteres na segunda-feira.

    No entanto, foi a compra de equipamentos militares de alta tecnologia pela Venezuela que gerou suspeitas entre autoridades e políticos americanos na Colômbia, que tem uma fronteira de 2.200 km permeável e violenta com a Venezuela.

    O governo de Chavez vem procurando modernizar suas forças armadas de 100.000 homens, fracamente equipada. Os venezuelanos concordaram em comprar ao menos 10 helicópteros militares e 100.000 rifles de assalto russos. Eles também estão pensando em atualizar sua força aérea com MIGs russos.

    O governo Bush está em uma guerra de palavras cada vez mais tensa desde que apoiou tacitamente um breve golpe contra Chávez, em 2002. Ele advertiu que as compras de armas poderiam beneficiar "grupos irregulares", ou seja, os rebeldes marxistas na vizinha Colômbia.

    "Temos sérias preocupações sobre como a Venezuela vai guardar esses armamentos e os milhares de rifles que vão substituir", disse Adam Ereli, porta-voz do Departamento de Estado, na quinta-feira.

    Chavez reagiu irritadamente às críticas, dizendo que a Venezuela tem o direito de comprar armas de quem quiser e que os EUA não têm moral para questionar vendas de armas.

    "Eles venderam armas para Saddam Hussein e armaram a Al Qaeda, mas a serpente se voltou contra eles", disse Chávez.

    O presidente também acusou os EUA de atrasarem o fornecimento de peças de substituição para a frota de caças F-16 venezuelana.

    Os comentários assinalam um relacionamento cada vez mais tenso entre os países, que estão ligados economicamente já que a Venezuela é um dos quatro maiores fornecedores de petróleo dos EUA.

    Nas últimas semanas, membros do governo Bush, como a secretária de Estado Condoleezza Rice, criticaram o estilo de governar de Chávez.

    Chávez, que recentemente advertiu da possibilidade de uma invasão americana, respondeu anunciando planos para expandir as chamadas unidades de defesa popular, uma espécie de milícia de cidadãos, além das reservas militares do país.

    "As unidades de defesa populares devem nascer, unidades de diferentes tamanhos --10 pessoas, 100, 500", disse Chavez em um discurso.

    Seus onerosos planos militares --que somarão centenas de milhões de dólares, se totalmente adotados-- geram questões sobre a habilidade da Venezuela de continuar com uma expansão significativa dos gastos sociais para tirar as pessoas da pobreza.

    "É verdade que as forças armadas venezuelanas precisam ser atualizadas, mas o momento escolhido preocupa os colombianos e gera questões sobre o compromisso (de Chávez) com seu programa social", disse Miguel Diaz, analista que acompanha a Venezuela no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington.

    Entretanto, analistas militares que estudam a região dizem que a idéia da Venezuela de comprar caças brasileiros pode fazer sentido, já que tanto Venezuela quanto o Brasil estão cada vez mais interessados em cooperar para patrulhar a Amazônia. Os traficantes de drogas transportam cocaína pela floresta e grupos armados colombianos escondem-se nas fronteiras da região.

    Luis Bittencourt, analista brasileiro, disse que o Super Tucano, um avião turboélice, seria ideal para patrulhar as florestas venezuelanas.

    "Ele voa muito bem em baixas altitudes, em baixa velocidade, e tem ótima capacidade de manobra e bom alcance, sem gastar muito combustível. Ele permite que você identifique o inimigo, ou o que quer que seja que esteja procurando escondido dentro da floresta", disse Bittencourt, diretor do projeto Brasil no Centro Woodrow Wilson, em Washington.

    *Colaborou Brian Ellsworth de Caracas, Venezuela. Chávez recebe Lula e anuncia a aquisição de aviões da Embraer Deborah Weinberg
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