UOL Notícias Internacional
 

15/02/2005

EUA sugerem culpa síria em atentado no Líbano

The New York Times
Steven R. Weisman*

Em Washington
O governo Bush, condenando o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, no Líbano, sugeriu nesta segunda-feira (14/02) que a Síria foi a responsável e buscou obter uma nova condenação ao domínio da Síria no Líbano junto ao Conselho de Segurança da ONU.

Norbert Schiller/The New York Times

O ataque matou dez pessoas e feriu cerca de 100 no total em Beirute
Autoridades americanas e européias também disseram que o governo está estudando a possibilidade de sanções mais severas contra a Síria, endurecendo as penas impostas em maio, quando Washington disse que o governo sírio fracassou em agir contra grupos militantes em Israel e contra a linha de abastecimento da Síria aos rebeldes no Iraque.

"Nós condenamos este ataque brutal nos termos mais fortes possíveis", disse Scott McClellan, o porta-voz da Casa Branca, acrescentando que o assassinato foi "um terrível lembrete de que a população do Líbano deve ser capaz de buscar suas aspirações e determinar seu próprio futuro político, livre de violência e intimidação e livre da ocupação síria".

As autoridades americanas disseram que o assassinato foi um desdobramento agourento em dois aspectos: o primeiro, porque levantou a preocupação de que o Líbano possa mergulhar novamente na guerra civil que transcorreu ao longo dos anos 80 e, segundo, porque ressaltou a crescente impaciência americana com o papel exercido pela Síria no Oriente Médio.

McClellan e outros porta-vozes do governo disseram que não há evidência concreta do envolvimento da Síria no assassinato de Hariri, um proeminente líder da oposição e um crítico do papel da Síria no Líbano, que morreu juntamente com pelo menos 11 outros quando um carro-bomba explodiu perto de sua escolta de automóveis, em Beirute.

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Farouk Al Sharaa, falando em uma coletiva de imprensa em Damasco, também condenou o ataque.

Mas o alvo das críticas americanas era claro, à medida que vários funcionários condenavam o papel da Síria no Líbano como parte de seus comentários sobre o ataque.

"Nós vamos aumentar a pressão sobre a Síria, certamente", disse um alto funcionário do Departamento de Estado. "Até o momento tem ocorrido um aumento progressivo da pressão, mas eu acho que vai aumentar após este evento. Apesar de não haver evidência que incrimine a Síria, a Síria permitiu, por negligência ou de forma planejada, que o Líbano se desestabilizasse."

Na ONU, o Conselho de Segurança convocou uma reunião na terça-feira para discutir o atentado, mas há dúvida de que o Conselho votará uma condenação nominal da Síria. Em uma resolução aprovada no ano passado para condenar o papel da Síria no Líbano, o nome da Síria não foi mencionado; havia apenas uma referência a forças estrangeiras no Líbano.

A Síria tem controlado o Líbano desde que ela moveu suas tropas para dentro do país em 1976, no início da guerra civil. Em 1981, a Síria forçou o governo de Beirute a assinar um tratado declarando que a Síria exerceria um papel dominante em sua política externa.

Na visão de analistas americanos, a Síria por sua vez tem cumprido as ordens do Irã, usando o território sírio para apoiar o Hezbollah, com grande presença no Líbano, e outros grupos islâmicos que têm atacado Israel.

Os Estados Unidos têm concentrado crescente atenção no Irã nas últimas semanas, tanto por suspeitar de um programa de armas nucleares quanto por seu apoio a grupos que estão tentando minar a resolução pacífica do conflito entre israelenses e palestinos.

Um diplomata ocidental disse que os Estados Unidos, ao condenarem o possível papel da Síria no ataque em Beirute, podem também estar tentando censurar o Irã, sinalizando que a tolerância americana a tal comportamento está diminuindo. Por outro lado, há poucas sanções disponíveis que os Estados Unidos já tenham imposto contra a Síria.

Diplomatas ocidentais às vezes sugerem que a Síria é "a fruta pendurada no galho baixo" na campanha contra os terroristas: um país que poderia ser punido com um maior isolamento e sanções porque sua economia está em más condições.

O Irã, por outro lado, está repleto de receita do petróleo, e as dificuldades para montar uma campanha internacional contra ele estão se tornando cada vez mais óbvias, à medida que os europeus buscam negociações com o Irã em vez de confrontação.

Alguns no governo Bush argumentaram nos últimos dois anos que o papel da Síria nem sempre foi destrutivo. Em particular, alguns no Departamento de Estado e na Agência Central de Inteligência (CIA) creditaram à Síria o desbaratamento de alguns grupos militantes anti-Ocidente e também a tentativa, pelo menos parcial, de deter o fluxo de armas e financiamento aos rebeldes no Iraque.

Mas tal visão benigna da Síria tem perdido espaço, disseram funcionários do governo. No início deste ano, o vice-secretário de Estado, Richard L. Armitage, visitou a Síria e deu o que um alto funcionário disse na segunda-feira ter sido um forte alerta para que se esforçasse mais para deter a insurreição no Iraque e a ajuda aos grupos militantes anti-Israel.

"Ele passou uma mensagem muito dura, porque a pressão está crescendo no governo para que algo seja feito", disse o funcionário. "Nós temos visto alguma colaboração na fronteira com os iraquianos e alguma repatriação de parte do dinheiro iraquiano. Mas não há ação suficiente para nos deixar satisfeitos."

Em maio passado, o presidente Bush proibiu virtualmente todas as exportações para a Síria, exceto alimentos e medicamentos, e proibiu vôos entre a Síria e os Estados Unidos, exceto em casos de emergência. O Departamento do Tesouro também congelou ativos sírios ligados aos terroristas, armas letais e à ocupação no Líbano.

Mas estas ações foram descritas mesmo pelo governo como simbólicas. Os críticos da Síria no Congresso, incluindo a deputada Ileana Ros-Lehtinen, republicana da Flórida e autora de uma medida que pedia a punição da Síria, quer uma proibição de exportações e de investimentos americanos na Síria.

As autoridades do governo têm aumentado a pressão sobre a Síria desde o discurso de posse de Bush e o depoimento no Congresso da secretária de Estado, Condoleezza Rice, durante suas audiências de confirmação, quando ela chamou a Síria de um dos vários "postos avançados da tirania" no mundo.

*Colaboraram Warren Hoge na ONU e Richard W. Stevenson em Washington. Governo Bush sugere que a Síria seja punida oficialmente pela ONU George El Khouri Andolfato

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