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16/02/2005

Democratas serão mais combativos com Dean

The New York Times
Paul Krugman

Em Nova York
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Paul Krugman é colunista
"Os republicanos sabem o que EUA querem, e não têm medo de usar qualquer meio para atingir esse objetivo", disse Howard Dean ao aceitar a presidência do Comitê Nacional Democrata. "Mas há algo que esse governo e o Partido Republicano temem bastante. É a possibilidade de realmente começarmos a lutar por aquilo em que acreditamos".

Essas palavras nos revelam o que significa a escolha de Dean. Ela não representa uma virada para a esquerda: Dean está bem encaixado no centro do seu partido em questões como a do sistema de saúde e a da defesa nacional.

Em vez disso, o rejuvenescimento político de Dean reflete a nova ascendência dos moderados combativos no interior do partido. Daqueles democratas que acreditam que precisam defender os seus princípios agressivamente contra os radicais de direita que assumiram o controle do Congresso e da Casa Branca.

Sempre foi absurdo chamar Dean de esquerdista. Basta perguntar aos verdadeiros esquerdistas. Durante a sua campanha presidencial, um artigo no jornal sensacionalista "CounterPunch" o denunciou como sendo um "Republicrata Clintonesco", uma pessoa que, como governador, tentou "equilibrar o orçamento, ainda que Vermont seja um Estado no qual um orçamento equilibrado não seja uma necessidade".

Até mesmo quanto à questão do Iraque, vários moderados, incluindo os moderados republicanos, dividiram as preocupações de Dean --que mostraram ter fundamento-- quanto aos rumos da guerra.

Mas Dean, é claro, não agiu discretamente. Ele questionou abertamente os motivos e a honestidade do governo Bush em um período no qual a maior parte dos democratas acreditava que a coisa mais prudente a ser feita seria aderir ao bloco favorável à guerra.

Jamais saberemos se os democratas teriam se saído melhor durante os últimos quatro anos caso tivessem adotado uma postura mais firme contra a direita. Mas está claro que o período para esse tipo de cautela já passou.

Por um lado, não há mais espaço para ilusões. Em 2001, foi possível para alguns democratas se convencerem de que as reduções de impostos do Presidente Bush eram coerentes com uma agenda de natureza apenas moderadamente conservadora. E em 2002, alguns democratas acreditaram que o motivo para fazer uma guerra contra o Iraque dizia realmente respeito à eliminação de armas de destruição em massa.

Mas em 2005 foi necessário se fazer voluntariamente de cego para não enxergar que o plano de Bush para o Social Security tinha como objetivo, em sua essência, desmantelar a mais importante conquista do New Deal.

Os próprios republicanos dizem isso: a pressão para a privatização segue o roteiro descrito em um artigo de 1983 do "Cato Journal", intitulado "Uma Estratégia Leninista", e um documento da Casa Branca declarou que "pela primeira vez em seis décadas, temos condições de vencer a batalha do Social Security --e ao fazê-lo, podemos ajudar a transformar o cenário político e filosófico do país".

Ao se recusarem a adotar um falso bipartidarismo na abordagem da questão do Social Security, os democratas já conquistaram uma vitória tática significativa. Há apenas dois meses, analistas políticos nas redes de televisão ridicularizavam Harry Reid, o líder da minoria no Senado, por negar que o Social Security enfrenta uma crise, e por rejeitar sumariamente a idéia de transferir verbas oriundas do imposto de renda para contas particulares. Mas agora o próprio governo Bush abandonou a linguagem da crise, e admitiu que as contas particulares em nada contribuiriam para melhorar as finanças do sistema.

Ao resistirem firmemente às tentativas de Bush de fazer com que o país desmantelasse afobadamente o seu mais importante programa de segurança social, democratas como Reid, Nancy Pelosi, Dick Durbin e Barbara Boxer no mínimo reduziram o ímpeto do governo, e possivelmente acabaram com o plano de Bush. Quanto mais tempo a mídia gasta examinando os detalhes da privatização, pior parece ser o cenário. E esses democratas também deram ao partido uma demonstração do que significa ser uma oposição efetiva.

De fato, ao se voltar contra o Social Security, Bush deu aos democratas uma chance para que estes se lembrassem daquilo que defendem, e por quê.

Aqui está a minha versão favorita, de um outro democrata combativo, Eliot Spitzer: "No momento em que o presidente Bush adota a sociedade de proprietários e procura alegar que é ele que está tornando possível para a classe média ter sucesso e poupar e investir bem, eu digo a mim mesmo que não, que isso não está certo; foi o Partido Democrata que historicamente criou a classe média".

Durante certo tempo, Dean será a face pública dos democratas, e os republicanos tentarão pintá-lo como o esquerdista que ele não é. Mas o Deanismo não diz respeito a se inclinar para a esquerda e sim a assumir uma posição. Postura do novo líder servirá para defender os valores do partido Danilo Fonseca

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