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16/02/2005

EUA retiram embaixadora da Síria após atentado com carro-bomba no Líbano

The New York Times
David Stout

Em Washington
Os Estados Unidos chamaram de volta a sua embaixadora na Síria nesta terça-feira (15/02) em um gesto cujo objetivo é demonstrar a "profunda indignação" com o assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano, anunciou o Departamento de Estado.

Antes de deixar Damasco, a embaixadora dos Estados Unidos, Margaret Scobey, leu uma nota dura dirigida ao governo sírio, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher.

A série de medidas diplomáticas ocorre um dia após o ex-primeiro-ministro Rafik Hariri ter sido morto em Beirute por um carro-bomba que tirou a vida de pelo menos 11 pessoas, além de ter deixado muitas outras feridas.

Embora o governo sírio tenha condenado imediatamente o ataque, a administração Bush deixou claro que atribui a responsabilidade à Síria, pelo menos indiretamente, devido ao prolongado domínio que Damasco exerce sobre o Líbano. Hariri criticou a influência Síria no seu país.

Boucher disse que a embaixadora Scobey está retornando imediatamente a Washington "para consultas urgentes". Antes de deixar Damasco, ela expressou "a intensa preocupação dos Estados Unidos, assim como a nossa profunda indignação com relação a este ato atroz de terrorismo".

Boucher afirmou que diplomatas norte-americanos têm mantido contato com o embaixador da Síria nos Estados Unidos, Imad Moustapha. Mas ele disse que não é capaz de dizer se Damasco chamará Moustapha de volta à Síria em resposta à atitude norte-americana.

O anúncio em Washington coincidiu com a passagem de uma resolução pelo Conselho de Segurança da ONU condenando o assassinato. O Conselho de Segurança pediu no outono passado a retirada de todas as tropas estrangeiras do Líbano. Essa resolução foi patrocinada pelos Estados Unidos e pela França.

As relações entre Estados Unidos e Síria, que foi ruim durante décadas, piorou nos últimos meses, já que o governo Bush acusou a Síria de permitir que militantes cruzassem a sua fronteira rumo ao Iraque. E Washington há muito tempo expressa insatisfação com a influência da Síria no Líbano, ainda que Damasco tenha descrito o seu papel no Líbano como sendo de estabilização.

A Casa Branca rejeitou tal descrição.

"A Síria e a presença de suas tropas no Líbano se constituem em uma força desestabilizadora na região", disse nesta terça-feira o porta-voz do presidente Bush, Scott McClellan.

Em maio do ano passado, em uma iniciativa para demonstrar a insatisfação do seu governo com a Síria por não se empenhar mais em conter a ação dos insurgentes no Iraque, o presidente Bush cancelou quase todas as exportações para Damasco e proibiu os vôos entre Estados Unidos e Síria, exceto em casos de emergência. O Departamento do Tesouro também se mobilizou para congelar bens de sírios suspeitos de manterem vínculos com terroristas.

Boucher disse que Scobey está retornando a Washington para discutir "toda a gama de problemas que temos presenciado no relacionamento com a Síria, e a ausência de progressos em muitas áreas".

Os Estados Unidos temem que o mais recente derramamento de sangue no Líbano possa fazer com que o país volte a mergulhar em uma guerra civil. E Boucher deixou claro que o governo Bush não aceitará a alegação da Síria de que o país atua como força estabilizadora.

"A Síria não proporcionou segurança interna ao Líbano", disse ele. "E, portanto, face a esse tipo de evento, precisamos examinar toda a gama de problemas com que nos deparamos, incluindo a presença síria no Líbano".

Os Estados Unidos mantiveram um frio relacionamento com a Síria quando o país era governado pelo presidente Hafez al-Assad, de 1970 até a sua morte, em 2000. Assad era um nacionalista árabe fervoroso que adotou uma linha dura contra Israel e permitiu que a União Soviética equipasse as forças armadas sírias.

Após a sua morte, o presidente Assad foi sucedido pelo seu filho Bashar, de fala tranqüila e formado em oftalmologia no Reino Unido. Bashar al-Assad afrouxou a repressão governamental no seu país, libertando centenas de prisioneiros políticos e implementando reformas econômicas, incluindo o fim do monopólio estatal sobre o setor bancário.

Mas a secretária de Estado, Condoleezza Rice, disse durante as audiências no Senado que precederam a sua confirmação para o cargo, que a Síria continua sendo um dos vários "bastiões da tirania" no mundo. Meta é expor "profunda indignação" com morte de ex-líder libanês Danilo Fonseca

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