UOL Notícias Internacional
 

16/02/2005

Sharon nomeia israelenses para coordenar com palestinos a retirada de Gaza

The New York Times
Greg Myre e

Steven Erlanger

Em Jerusalém
O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon disse nesta terça-feira (15/02) que deu instruções para que seu governo começasse a coordenar com líderes palestinos a retirada de Israel da Faixa de Gaza.

Sharon anunciou sua intenção de retirar unilateralmente os assentamentos israelenses de Gaza há um ano, mas insistiu que não tinha um parceiro palestino, enquanto Iasser Arafat permanecesse vivo. Arafat morreu em novembro, e Sharon expressou o desejo de trabalhar com seu sucessor, Mahmoud Abbas, e devolver Gaza ao controle palestino.

Sharon e Abbas anunciaram uma trégua na semana passada, mas a violência não parou inteiramente. Na terça-feira à noite, tropas israelenses mataram dois palestinos armados perto de um assentamento judeu na Cisjordânia. Mais cedo, um adolescente palestino foi morto perto de Ramallah, também na Cisjordânia.

Sharon, em uma rara conferência com a imprensa, rejeitou críticas de colonos e de opositores da direita, que alegam que Israel não está conseguindo nada em troca da evacuação de Gaza.

"Considero um erro dizer que Israel não recebeu nada", disse Sharon. "Acho que Israel recebeu muitas coisas e coisas importantes". Ele disse que a nova liderança palestina "compreende os perigos do terror" e está disposta a coordenar com Israel questões de segurança. Por esta razão ele está mais do que confiante que a retirada ocorrerá em paz e rapidamente.

"Gostaria que o território que estamos deixando não ficasse nas mãos do Hamas e do Jihad Islâmico, mas da Autoridade Palestina", dirigida por Abbas.

Sharon, entretanto, advertiu que, se as forças israelenses ou os colonos forem atacados, a reação "terá que ser muito dura".

O primeiro-ministro insistiu que seu acordo sobre Gaza com o presidente Bush, em abril na Casa Branca, garantia que Israel reteria o direito de manter alguns de seus grandes blocos de colônias na Cisjordânia. Ele também repetiu que os EUA apoiavam a decisão de Israel de limitar o direito de retorno dos refugiados palestinos a um futuro Estado palestino.

Sharon estabeleceu uma série de condições para voltar às negociações sobre as Colinas de Golan com a Síria. As negociações foram interrompidas há cinco anos, mas o país vizinho pediu que fossem resumidas.

Sharon disse que, antes de iniciar novas negociações, a Síria deve fechar os escritórios de grupos terroristas em seu território, terminar sua ocupação do Líbano, permitir que forças libanesas assumam o controle da fronteira com Israel e suspender atos de agressão contra Israel.

Ele disse que não sabia quem estava por trás do assassinato de segunda-feira do ex-primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri. "Não sabemos ainda quem fez isso", disse Sharon. Mas, observando o controle sírio do Líbano, acrescentou: o atentado "apenas enfatiza a necessidade de sermos muito, muito cuidadosos em nossos passos para a paz. Precisamos fazê-lo em etapas, para assegurar que seu desenvolvimento realmente traga a paz."

Sharon também disse que Israel tinha fracassado em seus esforços contrários à venda russa de sofisticados mísseis de ombro SA-18 para a Síria, que também preocupa Washington. Segundo Sharon, o presidente da Rússia, Vladimir V. Putin, disse a Israel que as vendas iam seguir adiante, mas que as armas não seriam transferidas dos militares sírios para grupos em conflito com Israel, como Hamas e Hezbollah. "Mas estamos preocupados com isso", disse Sharon.

Ele disse que ficou profundamente chateado com as ameaças contra altas autoridades israelenses por militantes israelenses que se opõem à retirada de 8.500 colonos israelenses de Gaza e algumas centenas da Cisjordânia. "Minha própria segurança não me afeta, nem altera meus planos", disse ele. "Vejo essas ameaças muito gravemente; são intoleráveis."

A segurança em torno de Sharon está extraordinariamente rígida. Recentemente, foram designados guardas para proteger o túmulo de sua mulher, Lily, depois de ameaças de que seria profanado, segundo a mídia israelense.

O gabinete de Sharon deve fazer duas votações cruciais neste domingo, sobre Gaza. Uma delas autorizará a retirada dos assentamentos, porque a lei requer vários meses de aviso prévio. A outra é uma revisão da rota da barreira de separação que Israel continua a construir na Cisjordânia.

Na terça-feira, o Parlamento debateu uma segunda leitura de um projeto de lei para compensar os colonos que deixariam Gaza, que deverá ser votado na quarta-feira. Durante o debate, Aryeh Eldad, parlamentar da União Nacional de extrema direita, começou a ler os nomes de cada colono em Gaza, acrescentando a frase: "Judeu, designado para expulsão."

Em outro caso de violência na terça-feira, soldados israelenses mataram dois palestinos carregando rifles que se aproximavam do assentamento de Bracha, segundo os militares. Militantes palestinos disseram que os dois homens, que pertenciam às Brigadas de Mártires Al Aksa, estavam guardando um prédio abandonado, quando foram atacados sem provocação, segundo a Associated Press.

Mais cedo, um adolescente palestino, Ala Hani, foi morto em Beitunia, nos subúrbios de Ramallah, enquanto ele e outros jovens jogavam pedras contra as tropas israelenses que passavam em um veículo de patrulha, disseram as autoridades palestinas e testemunhas.

O Exército de Israel disse que estava investigando o relatório, mas não sabia informar sobre tiros em Beitunia envolvendo o exército. Outro jovem palestino que foi ferido no ataque, Osama Hamad, disse à Reuters que os tiros vieram de um carro civil israelense. O premiê de Israel promete retirar da região as colônias do país Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host