UOL Notícias Internacional
 

17/02/2005

Candidato a presidente do México pode ser preso

The New York Times
Ginger Thompson

Na Cidade do México
Em um momento em que o Congresso mexicano ruma para uma votação que poderá levá-lo à cadeia e acabar com as suas ambições de se tornar presidente, o prefeito desta cidade, Andres Manuel Lopez Obrador, disse em entrevista coletiva à imprensa, nesta quarta-feira (16/02), que planeja levar a questão às ruas com uma série de manifestações que poderão ter início na sexta-feira. E ele afirmou que daria início à sua campanha presidencial da cadeia, caso seja forçado a fazê-lo.

Na sexta-feira, uma comissão congressual deve votar uma proposta para suspender a imunidade de Lopez e abrir caminho para que ele seja processado devida a acusações obscuras relativas à construção da estrada de acesso a um hospital. A proposta seria então enviada à Câmara dos Deputados.

Em uma reunião com correspondentes estrangeiros na quarta-feira, Lopez, do esquerdista Partido Revolucionário Democrático, negou ser culpado de qualquer crime e disse que a proposta para suspender a sua imunidade é parte de uma conspiração política para impedir que concorra à presidência em 2006.

As pesquisas mostraram de forma consistente que Lopez é o principal candidato à sucessão do presidente Vicente Fox. Na coletiva à imprensa, Lopez observou que outras pesquisas revelaram que 70% dos mexicanos se opõem a tentativas de suspender a sua imunidade, e ele prometeu usar a opinião pública para pressionar os legisladores a votarem contra a proposta.

"O que mudou no nosso país, sem dúvida alguma, foi a mentalidade do povo", afirmou Lopez. "Não somos mais cidadãos imaginários. Existe uma sociedade conscienciosa, e isso é algo que os membros do governo federal não entendem. Eles acham que podem lançar mão das mesmas práticas de antes para empurrarem arbitrariamente um adversário para fora do processo eleitoral".

Lopez está há meses no centro de uma tempestade política, que teve início quando uma série de videoteipes, filmados com câmeras escondidas, mostrou o seu principal operador político aceitando dinheiro de um empresário que tentava obter contratos junto à prefeitura. Lopez garante que não tinha conhecimento das atividades do seu assessor.

A votação sobre a imunidade de Lopez será um momento crítico na turbulenta rota do país rumo às eleições presidenciais do ano que vem, e o fato tem gerado um novo debate sobre o estado da nova democracia mexicana.

Fox vem dizendo constantemente que as acusações contra Lopez provam que nenhum agente público está acima da lei. Mas Lopez questionou os motivos de Fox, afirmando que o presidente não abordou de formas agressivas crimes políticos bem mais importantes, incluindo crimes contra a humanidade e o uso indevido de bilhões de dólares oriundos do setor petrolífero. Muitos críticos questionam os verdadeiros motivos por trás das tentativas de processar Lopez.

Daniel Lund, da agência de pesquisas Mund Americas, disse que até mesmo os detratores de Lopez temem que, caso o principal candidato à presidência seja desqualificado e impedido de concorrer por razões dúbias, isso assinale um retrocesso rumo a um período no qual os poderes autoritários governavam e as eleições estavam longe de serem livres e justas.

Na última terça-feira no Congresso, legisladores do partido de Lopez criticaram o ministro do Interior, Santiago Creel, afirmando que ele e o governo Fox estão colaborando com o Partido Revolucionário Institucional para derrubar Lopez.

Creel, um potencial candidato presidencial do conservador Partido da Ação Nacional, de Fox, negou a acusação e pediu que o Partido Revolucionário Democrático não leve a sua campanha às ruas por temer que isso possa incitar a violência.

Quando lhe perguntaram sobre o potencial para a violência durante a entrevista coletiva da quarta-feira, Lopez se mostrou inflexível. "Agiremos de forma responsável", afirmou. "Estamos convocando as pessoas para manifestações pacíficas, resistência civil e não violência". O objetivo seria impedir esquerdista popular de chegar ao poder Danilo Fonseca

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