UOL Notícias Internacional
 

17/02/2005

Estrada da Petrobrás no Equador gera protestos

The New York Times
Andrew C. Revkin*

Em Nova York
Alguns dos mais importantes biólogos do mundo estão pedindo pela suspensão dos projetos de construção de estradas por companhias de petróleo no Parque Nacional Yasuni e seus arredores, no Equador, um área da Amazônia que contém uma variedade extraordinária de espécies de plantas e vida selvagem raras.

Em cartas nesta semana ao governo equatoriano e aos executivos da companhia de petróleo, os biólogos disseram que a estrada de 53 quilômetros planejada pela empresa brasileira Petrobrás e aprovada no verão passado pelo Equador criará "uma artéria completamente nova através da floresta tropical até uma parte virtualmente não perturbada do parque".

Entre os signatários estão a especialista em primatas, dra. Jane Goodall, e o biólogo evolucionário dr. E.O. Wilson.

O parque, que tem o dobro do tamanho do Estado americano de Rhode Island, foi criado em 1979 e designado como Reserva de Biosfera da ONU em 1989. Uma estrada do petróleo foi construída no parque uma década atrás, e em 2000 um estudo por biólogos da Universidade da Califórnia, em Davis, mostrou que ela triplicou o acesso de caçadores aos macacos-barrigudos.

"Há claramente alternativas viáveis, como perfuração direcional ou métodos sem estradas, que podem permitir o acesso a reservas remotas de petróleo sem degradar seriamente uma das maiores jóias da Amazônia", disse o dr. William F. Laurance, um biólogo do Instituto Smithsoniano de Pesquisa Tropical no Panamá, que é o presidente eleito da Associação para a Biologia Tropical e Conservação, o maior grupo científico que promove pesquisa no campo. O grupo votou por unanimidade no mês passado em pedir ao Equador para cancelar sua aprovação da estrada de 53 quilômetros.

"É difícil exagerar a importância da Yasuni", disse Laurance. "É possivelmente o território biologicamente mais rico do planeta. É difícil caminhar 50 metros em qualquer direção sem tropeçar em alguma planta rara ou uma espécie ameaçada. Onde mais é possível encontrar 300 espécies de árvores em uma área não maior do que dois campos de futebol?"

A carta enviada nesta semana também se queixa das estradas que estão sendo construídas dentro da área de exploração de petróleo, no norte do parque, chamada de campo Eden-Yuturi, que está sendo desenvolvida pela Occidental Petroleum.

A Occidental, que tem sede em Los Angeles e gastou mais de US$ 900 milhões na procura e exploração das reservas no norte do parque, disse em uma declaração na quarta-feira que sua rede de estradas não entra no parque, foi aprovada pelo Equador e não tem ligação com o mundo externo, de forma que não serve como conduto para assentamentos ou madeireiros clandestinos.

A Petrobrás disse que a princípio não planejava um acesso por estrada que cruzasse o parque nacional, mas mudou de idéia depois que todos, especialistas de um grupo de consultoria técnica, autoridades do parque e do Ministério do Meio Ambiente do Equador, recomendaram sua construção dentro do parque, para que o governo pudesse controlar a área e impedir uma nova onda de desenvolvimento.

Hugo Giampaoli, o diretor da Petrobrás no Equador, disse que a empresa trabalha na região há algum tempo e não provocou nenhum dano significativo ao meio ambiente.

"Nós temos consciência de que o Parque Nacional Yasuni é uma área muito importante, rica em biodiversidade", disse ele, "e é o motivo de estarmos tomando tantas precauções para assegurar um desenvolvimento sustentável".

*Colaborou Todd Benson, de São Paulo. Cientistas pedem fim da construção em reserva de floresta tropical George El Khouri Andolfato

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