UOL Notícias Internacional
 

17/02/2005

Estudante defende política de tolerância em faculdade católica de medicina

The New York Times
Jennifer Medina

Em Valhalla, Nova York
Joshua Sahara parece o estereótipo de estudante de medicina. Sua marca é um idealismo perseverante, e ele fala com excitação das razões altruístas para ser médico.

Marvi Lacar/NYTimes

Joshua Sahara quer evitar insatisfação permanente
"Medicina é sobre ajudar as pessoas", disse em noite recente. Ele estava estudava há horas para o exame de farmacologia, e ainda estava tendo dificuldades com os testes práticos. "Você tem que acreditar que há algum tipo de propósito maior para isso, que é mais que uma carreira, que é uma espécie de vocação."

Atualmente em seu segundo ano na Faculdade de Medicina New York, Sahara encontrou outra vocação. Subitamente, está fazendo o papel de ativista do campus, combatendo uma decisão da universidade de proibir a formação de um grupo de estudantes gays no campus.

A presença do grupo --Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais na Medicina-- no campus criaria um conflito com a afiliação católica romana da escola, disse a direção.

Quando a decisão foi anunciada, em novembro, Sahara disse que tinha certeza que conseguiria chegar a alguma espécie de acordo. No ano anterior, ele tinha participado de outra campanha estudantil para que a cláusula de orientação sexual fosse acrescentada à declaração de não discriminação da escola. As negociações sobre a organização do grupo, porém, foram suspensas há meses, e a porta-voz da universidade disse que a escola não tinha a intenção de mudar sua decisão.

A Comissão de Direitos Humanos do Condado de Westchester instaurou um inquérito. O comissário de saúde do condado abdicou de seu cargo voluntário de professor na faculdade, como protesto contra a decisão.

Sahara também teve que adiar seus planos de começar um programa como mentor em uma escola de ensino médio para estudantes gays e lésbicas em Nova York, acompanhar médicos em uma clínica de doenças sexualmente transmissíveis e organizar uma conferência sobre minorias e a saúde na escola.

"Preferia estar lá fora, educando as pessoas, do que combatendo isso", disse Sahara, em um raro momento de frustração. "Parece-me um mal uso de energia. Seria muito mais eficaz estar realmente discutindo as questões."

Durante o outono, Sahara participou de várias reuniões com os administradores da faculdade, inclusive o diretor da escola, fazendo lobby para o reconhecimento do grupo.

O estudante cresceu em Achorage (Alaska), cursou a Universidade Hawaii Pacific em Honolulu e nunca participou de um evento ou organização de orgulho gay. "Acho que os lugares onde estive não eram políticos", disse ele. "Para muitas pessoas, assumir a homossexualidade é uma forma de se definirem pela sexualidade. Para mim nunca foi assim. Sempre foi parte de quem eu era, não era isso que me identificava."

Para ele, sua luta com a administração da faculdade de medicina foi uma surpresa, já que sempre teve muitas escolhas na vida, desde suas viagens até a decisão de estudar medicina.

"Nunca recebi tantos nãos", disse ele. "Nunca encontrei tanta oposição. Nunca estive em uma situação em que tivesse que ir totalmente contra os poderes estabelecidos. Isso parece clichê, mas é verdade. Nunca fui ativista, antes dessa batalha", interrompeu-se, no meio do pensamento. "Detesto usar esse tipo de linguagem, mas é como eu sinto. Realmente não me via entrando nesse tipo de situação até que isso tudo aconteceu. Vejo algo que está errado e precisa ser consertado e tento consertar."

Com olhos azuis brilhantes e sorriso fácil, Sahara, em geral, parece um retrato de confiança. O papel de líder não é novo para ele. Além de ter sido capitão do esquadrão de torcida da escola, é representante da Associação Americana de Estudantes de Medicina. Mesmo assim, quando começa a falar de suas recentes incursões pela política, fica muito mais desconfortável.

"Se ser ativista é adotar causas nas quais você acredita, então acho que sempre fui ativista", disse ele. "Mas se for sobre estar sempre irritado e na oposição, então não, não é isso que quero ser."

Apesar de a escola se identificar como "uma universidade de ciências da saúde dentro da tradição católica", Sahara disse que nunca viu a religião como foco no campus. "A maior parte das faculdades de medicina está associada a algum tipo de instituição religiosa, mas isso não significa nada", disse ele, apontando para o Monte Sinai.

A escola, disse ele, deve dar o exemplo para os estudantes, deve ensinar a tratar todos tipos de pacientes, inclusive gays e lésbicas, o que não acontece na Faculdade de Medicina New York. "Não estamos falando sobre essas questões em sala de aula, e temos que falar. Faz parte de um bom médico."

Sahara ocasionalmente preocupa-se que seu movimento prejudique suas perspectivas de residência, para a qual ele vai precisar de recomendações de seus professores. Ele quer trabalhar com medicina de emergência internacional.

Antes de começar a faculdade, o estudante viajou para muitos países com um grupo de dança e teatro. Sahara poderia ter se tornado um dançarino profissional. Sua mãe dirige uma trupe de dança do ventre em Anchorage, e Sahara treinou com ela desde os 3 anos de idade. Os dois se apresentaram em feiras do Estado, e Sahara ganhou dinheiro quando criança trabalhando como palhaço.

Aos 18, ele tinha sido aceito na escola Juilliard, mas decidiu cursar uma universidade. "Nunca quis que minha arte fosse meu ganha-pão", disse ele. Além disso, palhaços, bailarinos e médicos não são assim tão diferentes. "Estão todos em busca de aliviar o sofrimento ou a dor, fazendo os pacientes rirem ou curando-os." Instituição de NY rechaça a criação de grupo de diversidade sexual Deborah Weinberg

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