UOL Notícias Internacional
 

17/02/2005

EUA e Europa chegam a impasse sobre Hezbollah

The New York Times
Steven R. Weisman

Em Washington
À medida que a crescente instabilidade no Líbano aumenta as tensões no Oriente Médio, o governo Bush está discutindo com os governos europeus sobre se deveriam designar como organização terrorista o grupo xiita Hezbollah, com sede no Líbano, disseram autoridades americanas e européias.

James Hill/The New York Times

Classificação do Hezbollah como terrorista opõe EUA à Europa, que vê o grupo como força política
Os Estados Unidos já estão aumentando a pressão sobre o Irã e a Síria, os principais patrocinadores do Hezbollah. O racha americano com o Síria se aprofundou nesta semana, com as suspeitas de que a Síria possa estar por trás do assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano, na segunda-feira em Beirute.

O desacordo em torno do Hezbollah representa outro desafio para o presidente Bush, que viajará para a Europa no domingo em uma missão para consertar os rachas com a Europa em torno da guerra no Iraque.

Nas últimas duas semanas, disseram as autoridades, a França rejeitou os apelos da secretária de Estado, Condoleezza Rice, e do ministro das Relações Exteriores de Israel, Silvan Shalom, para listar o Hezbollah como uma organização terrorista, o que o impediria de levantar fundos na Europa por meio de grupos de caridade.

Os Estados Unidos há muito tempo consideram o Hezbollah como sendo uma organização terrorista, mas os franceses, segundo autoridades americanas e européias, são contra isto, e argumentam que tomar tal atitude no momento seria insensato, dada a nova turbulência no Líbano.

Autoridades americanas e israelenses disseram que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, lhes disse que também considera o Hezbollah como uma força destrutiva no Oriente Médio, uma determinada a minar as negociações de paz ao apoiar os grupos militantes que atacam cidadãos israelenses.

Funcionários e diplomatas entrevistados se recusaram a dar seus nomes, dizendo que não querem ser vistos como sendo responsáveis por piorar as tensões entre os Estados Unidos e a Europa na véspera da viagem de Bush.

Os europeus não são solidamente contrários à listagem do Hezbollah como sendo grupo terrorista, disseram as autoridades. Holanda, Itália e Polônia apóiam a visão do governo Bush, vários disseram, enquanto Alemanha e Grã-Bretanha acreditam que o assunto é irrelevante a menos que os franceses mudem de opinião. Um diplomata europeu disse que os outros países estão "se escondendo atrás" da França quanto ao assunto.

O Hezbollah, que tem sede no Vale Bekaa no Líbano, recebe grande parte de seu apoio financeiro da Síria e do Irã, disseram funcionários americanos. Mas além de executar ataques contra civis e se opor a Israel, o Hezbollah também fornece serviços sociais para milhares de xiitas libaneses e tem representantes políticos no Parlamento do Líbano.

"Esta é uma questão difícil, porque o Hezbollah tem operações militares que deploramos, mas o Hezbollah também é um partido político no Líbano", disse uma autoridade européia. "Um partido político eleito pelo povo libanês pode ser colocado em uma lista terrorista? Isto realmente ajudará a lidar com o terrorismo? Agora que o Líbano está em um estado frágil, este é o momento apropriado para tomar tal medida?"

Um diplomata europeu disse que a questão de listar o Hezbollah como organização terrorista foi discutido em Bruxelas na quarta-feira, em uma reunião da Clearing House, uma unidade da União Européia que se reúne em sessões confidenciais para analisar as atividades terroristas na Europa. O grupo não chegou a um consenso, disse o diplomata.

"Nada vai mudar no Hezbollah porque não temos um acordo entre os Estados membros", disse o diplomata. "Mas isto não significa que não obteremos um consenso. Eu sei que os americanos são impacientes, mas a União Européia tem 25 Estados, e estas coisas exigem tempo."

O governo Bush persuadiu os europeus a listarem o Hamas, a organização militante palestina, como grupo terrorista em setembro de 2003. Mas a aplicação da proibição à arrecadação de fundos e atividades financeiras pelo Hamas ficaram a cargo de cada país, de forma que o esforço foi desigual, disseram as autoridades européias. A maioria dos países não fez um esforço sério para aplicar a proibição, elas disseram.

Agora, em uma medida do contínuo desentendimento transatlântico sobre como lidar com o Oriente Médio, alguns países europeus estão questionando se o Hamas deve permanecer na lista terrorista, já que alguns de seus membros conquistaram cargos eletivos municipais nas recentes eleições palestinas, e os europeus querem encorajar o Hamas a entrar para a política palestina.

A Grã-Bretanha e outros países argumentam que a melhor forma de pressionar o Hamas a abandonar seus esforços para minar as negociações de paz no Oriente Médio e a reconhecer Israel é oferecendo incentivos, segundo várias autoridades. Mas a Clearing House não tratou da questão da remoção ou não do Hamas da lista de organizações terroristas. Americanos consideram o grupo como terrorista e vetam diálogo George El Khouri Andolfato

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