UOL Notícias Internacional
 

18/02/2005

Bush indica Negroponte como chefe da Inteligência

The New York Times
David Stout e Mark Glassman

Em Washington
O presidente Bush nomeou John D. Negroponte, o embaixador no Iraque e um diplomata com experiência mundial, como diretor nacional de inteligência na quinta-feira, um novo cargo que visa proteger os Estados Unidos das ameaças terroristas do século 21.

"A inteligência é nossa linha de frente de defesa", disse Bush ao anunciar a escolha de Negroponte, que serviu previamente como embaixador na ONU e em oito postos diplomáticos na Ásia, América Latina e Europa. De 1987 a 1989, ele foi vice-assistente do presidente Ronald Reagan para assuntos de segurança nacional.

Aparecendo ao lado do presidente, Negroponte, 65 anos, disse que esta será "sem dúvida a tarefa mais difícil" em seus mais de 40 anos de serviço ao governo.

"Fornecer inteligência nacional objetiva e oportuna para o senhor, o Congresso, os departamentos e agências e para nossos serviços militares uniformizados é uma tarefa nacional crítica", disse Negroponte.

O presidente também nomeou o general de exército Michael Hayden da Força Aérea como vice de Negroponte. O general é atualmente chefe da Agência de Segurança Nacional, a imensa operação de espionagem eletrônica e análise de inteligência sediada no Forte Meade, Maryland.

Se confirmado pelo Senado, Negroponte supervisionará as 15 agências de inteligência do país e exercerá amplo controle sobre o orçamento de inteligência, estimado em US$ 40 bilhões por ano.

A confirmação parece provável, já que o Senado o confirmou anteriormente como embaixador na ONU e no Iraque com pouca oposição.

"A nomeação de John ocorre em um momento histórico para nossos serviços de inteligência", disse Bush em uma cerimônia na Casa Branca. "John traz um conjunto único de talentos para estes desafios."

Negroponte está servindo como embaixador americano no Iraque desde o verão passado, uma atuação que Bush chamou de "uma vantagem incalculável para um chefe de inteligência".

A criação da nova posição de inteligência foi uma das recomendações centrais da Comissão de 11 de setembro, que concluiu seu trabalho no verão passado. A comunidade de inteligência tem estado sob fogo desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 por má comunicação e organização, e a comissão disse acreditar que um controle centralizado das diversas agências de inteligência criaria um sistema mais eficaz.

Em particular, a comissão criticou o FBI e a CIA por fracassarem em compartilhar informação e por serem incapazes de "ligar os pontos", ou unir o que em retrospecto parecia ser uma abundância de pistas dos ataques iminentes.

O cargo proposto se tornou politicamente carregado no outono passado, em meio a relatos de que o Pentágono e o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, eram contrários à entrega de controle sobre assuntos de inteligência e orçamento do Pentágono às mãos do novo diretor.

O novo cargo foi criado pelo Congresso em dezembro passado, mas apenas após um furioso debate em torno da extensão do poder que deveria ter, especialmente em relação às funções de coleta de inteligência do Pentágono. Apesar do cargo ter de fato ampla autoridade, ele não conta com toda a autoridade prevista pela Comissão de 11 de setembro.

Bush tratou implicitamente das preocupações do Pentágono na quinta-feira, dizendo que Negroponte assegurará que "nossos comandantes militares continuem tendo acesso rápido" à inteligência no campo de batalha.

O presidente também disse claramente que "o diretor da CIA responderá a John". Assim, o chefe da CIA, atualmente Porter J. Goss, não é mais considerado a mais alta autoridade de inteligência dos Estados Unidos.

"A CIA manterá sua responsabilidade central de coletar inteligência humana, analisar inteligência de todas as fontes e apoiar os interesses americanos no exterior, sob direção do presidente", disse Bush. Mas pela primeira vez em mais de 40 anos, o chefe da CIA não será o principal conselheiro de inteligência do presidente.

A decisão de Bush ocorre em meio a algumas críticas ao atraso de dois meses para preenchimento do cargo, desde que foi criado pela lei que reformou a inteligência nacional. O senador Jay Rockefeller de Virgínia Ocidental, o líder da bancada democrata no Comitê de Inteligência do Senado, considerou a espera "inaceitável" durante uma audiência na quarta-feira e acusou a Casa Branca de "arrastar o pé".

Pelo menos três candidatos potenciais procurados pela Casa Branca recusaram o cargo, disseram funcionários. A indicação de Negroponte foi uma surpresa para muitos, já que não vinha sendo mencionado em Washington como candidato ao cargo.

Mas Bush disse que o profundo conhecimento do diplomata de carreira das "necessidades globais de inteligência" dos Estados Unidos, a partir de sua ampla experiência no serviço externo, o tornou uma escolha ideal. E o fato de ter servido no Iraque e visto a turbulência naquele país lhe dá "uma vantagem incalculável", disse Bush.

Negroponte foi diplomata em Honduras, México e nas Filipinas, assim como membro do Conselho de Relações Exteriores e da Academia Americana de Diplomacia. De 1997 a 2001, ele foi vice-presidente executivo para mercados globais da McGraw-Hill Cos., cargo que deixou para assumir o posto de embaixador americano na ONU.

Ao comandar a nova missão americana no Iraque, Negroponte ficou encarregado de um dos maiores postos diplomáticos já montados. Tal experiência de administração também pode tê-lo tornado um candidato atraente para o novo cargo de inteligência.

Assim como a experiência de Negroponte com a burocracia do governo, um ponto reconhecido por Bush. "Escutem, demorará um pouco para estabelecer uma nova cultura, uma forma diferente de abordar o processo orçamentário", disse o presidente. "Ele entende os centros de poder em Washington."

Negroponte, formado em Yale assim como presidente, serviu como oficial político em Saigon entre 1964 e 1968, durante a Guerra do Vietnã. Fluente em vietnamita, ele foi o especialista sobre o país ao lado de Henry A. Kissinger durante as negociações de paz em Paris, no início dos anos 70.

Relatos na imprensa disseram que ele considerou os termos do acordo incipiente tão prejudiciais ao Vietnã do Sul que ele renunciou discretamente ao seu posto no Conselho de Segurança Nacional e foi remanejado para um posto no Equador.

Negroponte já provocou críticas, especialmente pelo seu papel na execução da estratégia secreta do governo Reagan de esmagar o governo Sandinista de esquerda na Nicarágua.

Como embaixador em Honduras de 1981 a 1985, Negroponte supervisionou a mobilização militar que transformou grande parte daquele país em um refúgio para os rebeldes anti-Sandinistas conhecidos como contras. Negroponte foi criticado por utilizar ajuda para ganhar a permissão dos hondurenhos.

Sua indicação em 1989 para embaixador no México provocou protestos de intelectuais e líderes políticos de esquerda, que ficaram preocupados com seu histórico de postos no Vietnã e na América Central e seus laços estreitos com as agências de inteligência americanas. Os jornais mexicanos especularam dramaticamente qual seria o propósito sombrio que o presidente George H.W. Bush poderia ter para nomeá-lo.

Mas quando ele deixou o posto na Cidade do México em 1993, ele foi amplamente elogiado pela supervisão de um importante aquecimento nas relações, refletido pelo Acordo de Livre Comércio da América do Norte. EUA nomeia embaixador no Iraque para supervisionar agências de espionagem George El Khouri Andolfato e Marcelo Godoy

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