UOL Notícias Internacional
 

19/02/2005

Afegãos temem por mais mortes nas aldeias pobres cobertas pela neve

The New York Times
Por Carlota Gall
Em Herat, Afeganistão
Milhares de famílias estão isoladas devido às fortes tempestades de neve, e centenas de crianças podem ter morrido nas regiões montanhosas do Afeganistão. E após muitas semanas de tempo rigoroso, estão bloqueados acessos a algumas das regiões mais pobres do país, segundo
disseram nessa sexta-feira, 18/02, autoridades do governo e de instituições humanitárias.

A crise, que segundo as autoridades chegou a níveis de emergência, faz
lembrar como milhões de afegãos continuam vulneráveis, particularmente nas áreas rurais, após duas décadas de guerra e uma seca debilitante, de sete anos de duração.

O Ministério da Saúde comunicou o surgimento de surtos de coqueluche,
sarampo e de outras doenças infecciosas em áreas isoladas. E as autoridades acreditam que muito mais pode estar ocorrendo, em regiões que agora estão inacessíveis devido à neve. O governo afegão já contabilizou cerca de 300 mortes, nas semanas mais recentes de tempo extremamente gelado.

A organização humanitária Serviços de Ajuda Católica declarou que equipes de resgate já contataram 16 aldeias num distrito da província de Ghor que está todo coberto de gelo, descobrindo que 80 crianças com menos de 5 anos morreram no mês passado, a maioria nas últimas duas semanas. Nesse contato descobriram que em média morreram cinco crianças por aldeia devido a doenças provocadas pelo frio, segundo Paul Hicks, diretor de programas de ajuda no oeste do Afeganistão.

"Como não conseguimos entrar em contato com a maior parte do interior do
país, não sabemos o que está acontecendo por lá", disse Hicks. "Mas, se
considerarmos as probabilidades, os números poderão ser bem altos. Tememos que 1.000 mortes seja uma estimativa conservadora."

Seis distritos nos planaltos centrais do país, onde vivem cerca de
quinhentos mil afegãos, estão quase que completamente inacessíveis, por
causa da neve.

Militares americanos e entidades da ONU já lançaram missões aéreas de
emergência e comboios de caminhões com suprimentos para algumas das áreas
afetadas. Mas as agências humanitárias disseram que mais ajuda é necessária, especialmente helicópteros que atinjam as regiões de Ghor mais afetadas pela neve e também as províncias vizinhas.

Grande parte da população rural do Afeganistão ficou empobrecida devido aos anos consecutivos de seca severa. O Programa Mundial de Alimentos declarou no ano passado que seis milhões de afegãos, um quinto da população do país, não tinha o suficiente para comer.

Além disso, mais uma má colheita, ano passado, deixou muitos afegãos vivendo em níveis rudimentares de subsistência, segundo Hicks.

"A vulnerabilidade dessas comunidades indica que muitos sofrem, e que a
situação está piorando cada vez mais", disse Hicks, diretor de programas de ajuda no oeste do Afeganistão. Marcelo Godoy

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