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20/02/2005

Ex-adversários presidenciais se aproximam como 'estranho casal'

The New York Times
Elisabeth Bumiller
Em Washington
O ex-presidente George Bush os chama de "o estranho casal", e neste fim de semana uma das duplas mais improváveis da política americana moderna está em uma odisséia aérea humanitária de quatro dias aos países asiáticos que foram atingidos pelo maremoto de 26 de dezembro.

Na noite de quinta-feira em Houston, Bush embarcou em um Boeing 757 oficial azul e branco, com "Estados Unidos da América" escrito em sua lateral, e então voou para Los Angeles para pegar o ex-presidente Bill Clinton.

Às 10 horas da manhã, os dois estavam a caminho de Phuket, Tailândia, para fazer sua primeira aparição para ajudar a levantar fundos para as vítimas do maremoto na tarde de sábado, horário local.

De lá, os ex-presidentes visitarão Banda Aceh, Indonésia, no domingo, e o Sri Lanka e as Maldivas na segunda-feira.

Nenhuma de suas esposas, a senadora Hillary Rodham Clinton nem Barbara Bush, os acompanham na viagem.

"São apenas os dois sujeitos", disse Jean Becker, a chefe de gabinete de Bush.

Becker disse antes de partir, na quinta-feira, que ela não sabia onde Bush ou Clinton se sentariam no avião, ou se teriam compartimentos separados, mas que ambos seriam francos.

"Eu sei que há sofás e camas, e eles determinarão qual serão os arranjos para dormir quando embarcarem no avião", disse ela.

A viagem é o exemplo mais evidente nos últimos meses do que funcionários de ambos os homens descrevem como uma amizade crescente, que parece ter apagado a acrimônia da eleição de 1992, quando Clinton removeu Bush da Casa Branca.

Quando Clinton sofreu a cirurgia para implante de quatro pontes de safena em setembro passado, disseram assessores, o 41º presidente telefonou quase que instantaneamente.

"O presidente Bush pegou imediatamente o telefone e disse: 'Bill, o que diabos aconteceu com você?'" recontou Becker.

Quando Bush compareceu à inauguração da biblioteca presidencial de Clinton juntamente com o atual presidente e o ex-presidente Jimmy Carter, em novembro, os 41º e 42º presidentes conversaram às vezes com tamanha intimidade que ex-assessores ficaram atônitos.

"O presidente Clinton estava caminhando com todos os presidentes, e o ex-presidente Bush disse: 'Bill, o que esta bem está fazendo com você?'" disse o deputado Rahm Emanue, democrata de Illinois, que foi um alto assessor de Clinton. "Ele apenas fica comigo porque parece muito 'familiar'."

Mais recentemente, Bush e Clinton, que foram nomeados pelo presidente Bush no mês passado como seus representantes no levantamento de fundos para ajuda às vítimas do maremoto, foram vistos brincando um com o outro enquanto se sentavam lado a lado no Super Bowl, para o qual foram convidados pela Liga Nacional de Futebol (NFL).

Ex-assessores disseram que a amizade poderia oferecer vantagens políticas para as famílias Bush e Clinton, atenuando as farpas de uma rivalidade política, à medida que o filho de Bush inicia seu segundo mandato e Hillary Clinton considera a disputa pela presidência em 2008.

Ex-assessores também disseram que a amizade parece genuína e na verdade não é tão surpreendente, dado que há apenas cinco homens vivos que sabem como é passar pela provação da presidência americana. No final do dia, disseram os assessores, as diferenças partidárias são superadas pelo poder de tal experiência em comum.

A nova aproximação ocorre no momento em que o atual presidente Bush e Clinton, que tinham pouco afeto um pelo outro no passado, se tornaram mais próximos.

"Francamente, o presidente Bush gosta bastante de Clinton", disse Roland Betts, um amigo próximo do presidente. "Ele disse que o considera uma pessoa fantástica. Ele não está julgando seu governo. Ele apenas gosta de estar perto dele."

Betts, que fez tais comentários em uma entrevista em dezembro, acrescentou em uma breve entrevista nesta semana que, segundo seu ponto de vista, o atual presidente e Clinton são pessoas carismáticas e que "vêem um pouco de si mesmos um no outro, e gostam".

Assessores dos três homens disseram que primeiro notaram o aquecimento nas relações no último feriado do Memorial Day, quando os 41º, 42º e 43º presidentes, no palco após a inauguração do memorial da Segunda Guerra Mundial, compartilharam risos entre si. A certa altura, o ex-presidente Bush deu em Clinton um forte empurrão brincalhão como reação a algo que este disse. Os assessores não puderam lembrar nesta semana o que foi, mas uma pessoa disse que o atual presidente brincou que a biografia de Clinton, "Minha Vida", era tão longa que ele teve que ler uma metade e seu pai a outra.

A tendência de aquecimento continuou poucas semanas depois, quando o presidente apresentou o retrato oficial de Clinton na Casa Branca, com palavras tão graciosas que os assessores disseram que Clinton ficou surpreso. Bush, cujo governo adotou uma política não oficial "Qualquer coisa que não seja Clinton" para tudo, das negociações no Oriente Médio aos revestimentos no Escritório Oval, elogiou Clinton como um homem "com um conhecimento abrangente da política pública, com grande compaixão pelas pessoas necessitadas e com um espírito de vanguarda que os americanos gostam em um presidente".

Clinton enrubesceu e seus olhos ficaram marejados como ele reconheceu: "Eu tive sentimentos dúbios sobre vir aqui hoje, e foram apenas confirmados por todas as coisas gentis e generosas que disseram. Me senti como se fosse um picles entrando para a História".

Na época da inauguração da biblioteca de Clinton, ele e os Bushes estavam trocando elogios uns aos outros. Mas o 41º presidente falou sobre o homem que o derrotou em 1992 em termos pessoais e reveladores.

"Sempre precisa ser dito que Bill Clinton foi uma das figuras políticas americanas mais dotadas dos tempos modernos", disse o ex-presidente Bush. "Acredite em mim. Eu aprendi isto do modo difícil."

"Colocando de forma simples", disse Bush, "ele tinha um dom natural e fazia parecer fácil. Ah, e como eu o odiava por aquilo!"

Desde que o atual presidente nomeou os dois como seus embaixadores de ajuda humanitária para o maremoto, a dupla tem aparecido em propagandas e feito aparições juntos. "Em janeiro, quando nós precisávamos que os dois estivessem na mesma cidade, era um tal de 'Eu vou até sua cidade', 'Não, pode deixar que eu vou à sua'", disse Becker. Assim que estavam juntos, disse Becker, os dois brincavam com o hobby de pára-quedismo do 41º presidente e qual estava com melhor saúde.

"O presidente Bush gosta de dizer: 'Tenho 80, pelo amor de Deus'", disse Becker. "E o presidente Clinton diz: 'Ora, é você quem está saltando de aviões'." George El Khouri Andolfato

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