UOL Notícias Internacional
 

20/02/2005

Oposição conservadora consegue vitória apertada no norte da Alemanha

The New York Times
Richard Bernstein,
em Berlin
A oposição conservadora alemã parecia ter obtido uma apertada vitória no domingo (20/02), em uma eleição atentamente acompanhada no Estado de Schleswig-Holstein, no norte do país, naquele que foi um grande golpe para o governo nacional do chanceler Gerhard Schröeder.

A aparente perda de uma longa supremacia em Schleswig-Holstein foi a mais recente de uma série de derrotas sofridas pelo partido de Schröeder desde o ano passado e demonstra que ele tem cada vez mais dificuldade em convencer os eleitores de que o plano de reforma econômica que é a peça fundamental deste seu mandato é capaz de reverter a estagnação econômica do país.

A televisão Alemã previu que a conservadora União Democrata Cristã (CDU) venceria com pouco mais de 40% dos votos nesse Estado preponderantemente rural, de 2,5 milhões de habitantes, que faz fronteira com a Dinamarca. Os democratas cristãos, juntos com os seus parceiros de coalizão, os liberais democratas, pareciam ter conquistado por uma cadeira a maioria na legislatura local.

O partido Schröeder dava mostras de ter obtido 38,5% dos votos, um decréscimo de quase cinco pontos percentuais em relação à eleição passada em Schleswig-Holstein, quatro anos atrás, no pior desempenho do partido no Estado desde a década de 50.

As pesquisas anteriores à eleição indicavam que os social-democratas provavelmente conquistariam uma vitória por pequena margem, mas os democratas cristãos parecem ter se beneficiado de um comparecimento menor do que o esperado às urnas. O alto índice de desemprego no Estado e um programa austero implementado pelo governo nacional parecem também ter contribuído para que diminuísse o apoio aos social-democratas.

"Nós vencemos a eleição", disse na noite de domingo Peter Harry Carstensen, o líder local dos democratas cristãos. "A antiga coalizão governamental será substituída por nós".

Angela Merkel, a presidenta nacional da CDU, disse na televisão alemã que está muito feliz com o resultado. Merkel, que é a provável candidata ao cargo de chanceler nas eleições nacionais do ano que vem, passou por um período politicamente difícil nos últimos meses, marcado por desentendimentos dentro do próprio partido e por alegações de pagamentos irregulares a alguns dos líderes da organização partidária. Esses episódios lhe custaram grande perda de apoio político.

Mas a demonstração de força do partido em Schleswig-Holstein no último domingo parece ter criado as condições para um outro desafio aos social-democratas na próxima primavera, quando eleições locais acontecerão no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, outro dos seus bastiões tradicionais.

"Estou convencida de que abordamos os tópicos certos na campanha eleitoral", disse Heide Simonis, a líder social-democrata em Schleswig-Holstein. "Estou desapontada com o resultado".

Assim como em eleições locais anteriores, a de Schleswig-Holstein foi encarada como uma espécie de referendo quanto à liderança nacional dos social-democratas, principalmente no que tange às suas iniciativas para resolver os persistentes problemas econômicos da Alemanha, por meio de um programa conhecido com Agenda 2010. Mas nos últimos meses, à medida que entrava em vigor a fase final de um programa de reformas que afetou o pagamento de benefícios da previdência e do seguro-desemprego, setores importantes do partido ligados aos trabalhadores sindicalizados se mostraram insatisfeitos.

Um novo elemento nesse quadro surgiu nos últimos estágios da campanha eleitoral deste ano, quando os conservadores atacaram o ministro do Exterior Joschka Fischer, alegando que este foi negligente ao não acabar com práticas para a concessão de visto que teriam permitido que milhares de criminosos e prostitutas ucranianos ingressassem na Alemanha entre 2000 e 2002.

Fischer é a principal figura nacional no do Partido Verde e, de longe, a personalidade política mais estimada da Alemanha. Antes da eleição não se sabia se os ataques conservadores contra ele prejudicariam o desempenho dos verdes em Schleswig-Holstein e, por conseguinte, a votação na aliança de verdes e social-democratas.

Porém, no domingo, os verdes obtiveram cerca de 7% dos votos, ou metade de um ponto percentual a mais do que na última eleição em Schleswig-Holstein, ainda que o apoio aos social-democratas tenha diminuído substancialmente. Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host