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22/02/2005

Bush pede à Rússia que reitere a sua democracia

The New York Times
Elisabeth Bumiller

Em Bruxelas, Bélgica
O presidente Bush nesta segunda-feira (21/02) alertou a Rússia de que o país "deve renovar o compromisso com a democracia e com a regra da lei", mas disse acreditar que o futuro do país está "dentro da família da Europa e da comunidade transatlântica".

As palavras do presidente, proferidas em um importante discurso sobre as relações americanas e européias no início de sua viagem de quatro dias à Bélgica, Alemanha e Eslováquia, foram as mais duras até o momento sobre a reversão das reformas democráticas pelo presidente Vladimir V. Putin e a repressão aos dissidentes na Rússia. Bush se encontrará com Putin em Bratislava, Eslováquia, na quinta-feira.

"Nós reconhecemos que as reformas não ocorrerão da noite para o dia", disse Bush no grande cenário do Concert Noble, uma salão do século 19. "Mas devemos sempre lembrar à Rússia que nossa aliança defende a liberdade de imprensa, uma oposição vital, o compartilhamento de poder e a regra da lei --e os Estados Unidos e todos os países europeus devem colocar a reforma democrática no coração de seu diálogo com a Rússia."

Bush desenvolveu um pouco mais a política americana no Oriente Médio, enfatizando que uma nova nação palestina deve ser composta de "território contíguo" na Cisjordânia e que "um Estado de territórios espalhados não funcionará".

O presidente disse enfaticamente que a Síria deve retirar suas tropas do Líbano, e que "sem a interferência síria, as eleições parlamentares do Líbano na primavera poderão ser outro marco da liberdade".

Sobre o Irã, Bush disse que o governo iraniano deve pôr um fim ao seu apoio ao terrorismo e não desenvolver armas nucleares, e que no tratamento americano com Teerã, "nenhuma opção pode ser descartada permanentemente". Mas na frase seguinte, Bush recuou da ameaça de uso de força militar e disse que o Irã é diferente do Iraque e que "nós estamos nos estágios iniciais da diplomacia".

Os funcionários da Casa Branca promoveram o discurso de 31 minutos de Bush como um forte endosso da unidade européia e divulgaram trechos na noite de domingo, sugerindo que Bush apoiaria amplamente a idéia da União Européia, composta por 25 países, como parceira em vez de rival dos Estados Unidos.

Mas Bush não dedicou mais do que poucas sentenças a estas idéias e deu seu apoio à nova unidade européia no contexto de sua meta da promoção da liberdade.

"A América apóia a unidade democrática da Europa pelo mesmo motivo que apoiamos a disseminação da democracia no Oriente Médio --porque liberdade leva à paz", disse Bush. "E a América apóia uma Europa forte porque precisamos de um parceiro forte no árduo trabalho de promover a liberdade no mundo."

Apesar de Bush ter feito seu discurso no coração da nova Europa, Bruxelas, o quartel-geral da Otan e da União Européia, o cenário escolhido pela Casa Branca era da velha Europa.

Bush falou para um público de cerca de 300 autoridades européias, líderes empresariais e acadêmicos sob cinco enormes candelabros de cristal e um teto em domo, e estava emoldurado por uma entrada com bordas douradas e uma luxuosa cortina de seda escarlate. Antes da chegada do presidente, o som da 6ª Sinfonia de Beethoven enchia a sala.

O presidente recebeu aplausos calorosos mas não entusiásticos, uma resposta que dois altos funcionários do governo Bush insistiram ser uma típica resposta européia contida a discursos de políticos. Mas algumas pessoas na platéia disseram que os europeus estavam decepcionados com as palavras de Bush.

"Este ainda não é o discurso que estávamos esperando", disse Timothy Garton Ash, um professor de estudos europeus da Saint Anthony's College da Universidade de Oxford, que estava presente. "Tal discurso necessitaria de muito mais reconhecimento e apoio à União Européia."

O presidente, acrescentou Ash, estava fazendo todas as coisas certas em sua visita ao quartel-general da União Européia, mas "ele está andando certo, mas não falando certo".

O próprio Bush citou que esperava uma fria recepção européia no coração de seu discurso, quando citou John Adams, apesar de não nominalmente, sobre o serviço de Benjamin Franklin como embaixador americano em Paris, há mais de dois séculos.

"Sua reputação era mais universal do que Leibnitz ou Newton, Frederick ou Voltaire, e seu caráter mais amado e estimado do que qualquer um ou todos eles", Bush citou Adams como tendo dito sobre Franklin. O presidente notou que Adams prosseguiu dizendo: "Raramente havia um camponês ou cidadão" que "não o considerasse um amigo da humanidade".

Bush então provocou risadas ao dizer: "Eu esperava uma recepção semelhante, mas a secretária Rice me disse que devo ser realista".

Reconhecimento da UE

Os europeus pareciam tão ansiosos pela aceitação do presidente de uma nova federação européia que o primeiro-ministro da Bélgica, Guy Verhofstadt, chegou até mesmo a lembrar a história de um dos maiores fracassos da Europa dividida em seus comentários de apresentação de Bush.

"Dez anos atrás, a Europa fracassou em intervir na guerra civil da ex-Iugoslávia, apesar daquela guerra estar transcorrendo a poucas horas daqui", disse Verhofstadt. "Nós tivemos que esperar por vocês, os Estados Unidos, colocarem um fim nela. A Europa hesitou e estava dividida demais para agir."

Verhofstadt acrescentou: "Esta foi a prova definitiva de que a Europa pode fazer pouco ou nada a menos que esteja unida e coopere. Parafraseando meu ilustre antecessor, Paul Henri Spaak, a Europa consiste apenas de pequenos países. Há alguns que sabem. E há alguns que agora estão começando a entender --assim como James Madison e George Washington entenderam em 1787, na Filadélfia-- que uma confederação devia ser forjada em uma forte união".

Bush se encontrou com Verhofstadt por mais de uma hora pela manhã, em uma reunião que durou o dobro do tempo previsto. Em uma entrevista em seguida, o primeiro-ministro disse que os dois falaram pouco sobre o Iraque.

Verhofstadt disse que sua mensagem para Bush foi: "Ok, nós ainda divergimos sobre o Iraque, então não vamos continuar falando sobre este assunto".

A Bélgica, que se opôs fortemente à guerra no Iraque e que se recusou a enviar soldados ou forças policiais para lá para missões de treinamento, concordou recentemente em ajudar a realizar o treinamento militar dos iraquianos na Jordânia, a se unir ao esforço de treinamento da Alemanha em Abu Dhabi e a doar dinheiro para o fundo conjunto da Otan para treinamento de militares e policiais iraquianos, disse Verhofstadt.

Os americanos conseguiram arrancar os compromissos financeiros dos belgas antes do encontro de cúpula, para evitar qualquer contenciosidade no encontro de Bush com o primeiro-ministro.

Como parte da nova era de boa vontade para com Washington, Verhofstadt enviou duas grandes caixas de chocolates Pierre Marcolini para Bush e sua esposa Laura. Elas eram, disse o primeiro-ministro, uma brincadeira gentil sobre o que foi ridicularizado em Washington e em outros lugares na época como uma encontro de cúpula de chocolate --uma iniciativa da Bélgica, França, Alemanha e Luxemburgo em 2003, de criar uma identidade militar européia separada da Otan. Presidente recua e defende diplomacia para sanar crise com o Irã George El Khouri Andolfato

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