UOL Notícias Internacional
 

23/02/2005

Homem é acusado de planejar execução de Bush

The New York Times
David Stout

Em Washington
Um americano do Estado da Virgínia foi acusado de conspirar com terroristas do Oriente Médio para assassinar o presidente Bush. Segundo anunciou o Departamento de Justiça nesta terça-feira (22/02), o presidente seria morto a tiros ou pela explosão de um carro-bomba.

O departamento disse que o suspeito, Ahmed Omar Abu Ali, tinha conspirado com terroristas da Arábia Saudita, com quem convivera de setembro de 2002 a junho de 2003, e que tinha obtido uma bênção religiosa de um co-conspirador para fazer a execução.

Ali, 23, descrito nos noticiários recentes como um cidadão americano nascido em Houston e orador da cerimônia de graduação do ensino médio em Virgínia, apareceu diante da corte federal do distrito em Alexandria, Virgínia, na terça-feira. Ele não fez nenhuma alegação, mas seus partidários riram quando as acusações foram lidas.

O advogado de Ali, Ashraf Nubani, disse ao magistrado Liam O'Grady que seu cliente fora torturado quando estava sob custódia saudita, antes de voltar aos EUA, segundo a Associated Press. "Ele tem as evidências em suas costas", disse o advogado. "Foi chicoteado. Ficou algemado dias seguidos."

O magistrado O'Grady assegurou a Nubani que seu cliente não seria maltratado sob custódia americana. Cerca de três semanas atrás, o Departamento de Estado pediu à Arábia Saudita que indiciasse Ali ou permitisse que o Departamento de Justiça o trouxesse de volta aos EUA. O governo americano não tinha revelado que de fato ele tinha deixado a Arábia Saudita.

Em julho, os pais de Ali processaram o governo federal por ter pedido ilegalmente aos sauditas que detivessem seu filho e o interrogassem a respeito de conspirações terroristas. Segundo o processo inscrito na corte federal em Washington, o governo poderia conseguir a liberação de Ali com um simples pedido aos sauditas.

O indiciamento federal estabelece acusações que podem levar a penas de décadas de prisão e alega que o réu queria ser parceiro do terrorismo da Al Qaeda.

"Era a intenção do réu Abu Ali tornar-se um planejador de operações terroristas como Mohamed Atta e Khalid Sheikh Mohammed", diz o documento, referindo-se ao homem que pilotou o primeiro avião que atingiu o World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, e um dos cérebros por trás do plano. (Mohammed foi capturado no Paquistão em março de 2003).

Ali foi preso pelas autoridades sauditas em Medina, no dia 9 de junho de 2003, sob suspeita de associação com os atentados a bomba em Riyadh, quatro semanas antes, que mataram mais de 30 pessoas, inclusive nove americanos.

Uma semana depois de sua prisão, uma busca na casa de Ali, em Falls Church, revelou documentos elogiando os ataques de 11 de setembro, fitas cassete em árabe promovendo o assassinato de judeus e uma batalha de muçulmanos contra cristãos e judeus e textos incendiários, segundo a acusação.

Ela também diz que Ali viajou entre a Virgínia e a Arábia Saudita entre 2000 e 2002 e que de setembro de 2002 em diante passou a se alojar com membros da Al Qaeda, que o ensinaram habilidades como o uso de granadas de mão e fraude de documentos.

Ali foi acusado de conspirar para matar o presidente Bush fornecendo material de apoio e recursos a terroristas estrangeiros. Entre setembro de 2002 e junho de 2003, Ali e outro conspirador discutiram duas possibilidades, segundo o texto do indiciamento: que Ali se aproximaria o suficiente do presidente para "atirar nele na rua" ou que detonaria um carro bomba.

Em geral, quando viaja, o presidente usa uma limusine blindada e uma escolta armada. Além disso, o tráfego é bloqueado. Há décadas que os presidentes não passeiam mais nas ruas, e onde quer que vão são altamente protegidos por agentes do Serviço Secreto. Mas John W. Hinckley Jr. provou que um tiro não seria impossível quando feriu o presidente Ronald Reagan, no dia 30 de março de 1981.

Os homens insistiram que estavam brincando de jogos com tiros de tinta, que não estavam fazendo treinos militares. Mas três réus foram condenados por conspiração, em um processo sem júri em março, e condenados à prisão.

Quando Ali foi preso na Arábia Saudita, seu caso tornou-se causa célebre entre os muçulmanos da região de Washington, que reclamaram que ele não podia ser detido por tanto tempo sem ser acusado de nenhum crime.

O Washington Post divulgou, em 2003, que Ali havia sido orador de sua classe de 1999 na Academia Islâmica Saudita de Alexandria, cujos professores o descreveram como "um aluno excepcional", com talento especial para matemática e ciências.

Cedendo aos desejos dos pais, Omar e Faten Abu Ali, o rapaz entrou com bolsa para a Universidade de Maryland no outono de 1999, para estudar engenharia, segundo o Post. No entanto, insatisfeito, saiu no ano seguinte, para prosseguir com seus estudos islâmicos, primeiro no condado de Fairfax, Virgínia, e mais tarde em Medina. Suspeito conspirou com terroristas e obteve bênção para o atentado Deborah Weinberg

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