UOL Notícias Internacional
 

24/02/2005

Bush quer coalizão contra o Irã e armas nucleares

The New York Times
Elisabeth Bumiller

Em Wiesbaden, Alemanha
O presidente Bush afirmou nesta quarta-feira (23/02) que ele e alemães, britânicos e franceses discutiram uma série de táticas de negociação para tentar fazer com que o Irã desista daquilo que se suspeita ser um programa de armas nucleares. Mas ele não deu nenhum sinal de que os Estados Unidos participariam diretamente das conversações e declarou que é sobre o Irã, e não a Casa Branca, que deve recair a culpa por uma eventual ausência de progresso nas negociações.

"O motivo para mantermos esta discussão é que eles foram pegos enriquecendo urânio após terem assinado um tratado dizendo que não fariam tal coisa", disse Bush na cidade de Mainz, no sul da Alemanha, às margens do Rio Reno. "São eles, e não nós, que devem ser considerados os responsáveis".

Bush fez essa observação em uma coletiva conjunta à imprensa com o chanceler da Alemanha, Gerhard Schröeder, no terceiro dia de uma viagem de quatro dias à Europa para reconstruir as relações abaladas após a guerra contra o Iraque.

Uma das rupturas mais intensas foi com Schröeder, que concorreu à reeleição em 2002 com uma plataforma que muita gente na Casa Branca considerou como anti-Bush e antiamericana.

Mas quanto à primeira viagem de Bush à Alemanha desde a invasão ao Iraque, os dois procuraram apresentar uma frente unificada para pressionarem o Irã a abandonar as suas ambições nucleares.

"Concordamos completamente que o Irã deve dizer não a qualquer tipo de arma nuclear", disse Schröeder na coletiva à imprensa no Palácio Eleitoral, um museu renascentista alemão reconstruído, onde antes ficava a 17ª casa do arcebispo de Mainz.

Concordando com o chanceler, Bush disse: "É vital que os iranianos ouçam o mundo falar com uma só voz que eles não devem ter uma arma nuclear".

Mas por trás das simpáticas palavras ditas em público existe a realidade enervante de que Bush não deu a Schröeder ou aos franceses e britânicos aquilo que estes buscavam sistematicamente: a participação norte-americana direta nas conversações com o Irã.

Autoridades européias dizem que as negociações com o Irã em Viena chegaram a um impasse, e têm afirmado cada vez mais categoricamente que as negociações fracassarão sem a presença norte-americana. Mas a Casa Branca está cética quanto à abordagem européia, que consiste em fornecer incentivos políticos e econômicos ao Irã para tentar convencer o país a abandonar o seu programa atômico.

Quando lhe perguntaram diretamente na coletiva se ele achava que tais incentivos teriam resultado, Bush se esquivou da pergunta, preferindo defender o tema da ação conjunta, que, nesta semana, foi a marca registrada da sua viagem a Bélgica, Alemanha e Eslováquia.

O presidente não comentou aquilo que os europeus dizem ser um motivo real para a sua relutância: a sua ferrenha determinação de não recompensar o mau comportamento ao permitir que a superpotência mundial se sente na mesma mesa de negociações com uma nação tida por ele como renegada.

Mas Bush procurou acabar com os crescentes temores europeus de que o Irã possa se transformar no próximo campo de batalha para uma ação militar norte-americana.

"Ontem [terça-feira] me perguntaram a respeito da posição norte-americana, e eu disse que todas as opções estão sobre a mesa", afirmou Bush, referindo-se aos comentários que fez no encontro com a União Européia, em Bruxelas, no qual ele enfatizou várias vezes que jamais descarta a possibilidade de um ataque militar.

"Essa é parte da nossa posição. Mas eu também faço lembrar que a diplomacia está apenas começando. O Irã não é o Iraque".

Não ficou claro a que novas "táticas" de negociação Bush se referiu, ou se ele estava meramente ocultando a discórdia com um gesto para manter as aparências junto aos europeus. Após a coletiva à imprensa, Steven J. Hadley, o assessor de Segurança Nacional, disse aos repórteres somente que "houve muita discussão a respeito de para onde rumaremos a partir daqui".

Hadley afirmou que houve muita discussão sobre "a possibilidade de usar castigos e recompensas, quem daria as recompensas e que recompensas seriam estas" e que "o presidente realmente precisa voltar a pensar sobre tudo isso".

Um funcionário graduado do governo Bush, que falou aos jornalistas no avião presidencial Air Force One na manhã da quarta-feira, não pareceu simpático a uma idéia recente, sugerida por Schröeder, no sentido de que os europeus se ofereçam para vender aos Irã peças sobressalentes de aviões Airbus para a frota de aviões civis do país.

"Isso é algo que os europeus discutiram", disse o funcionário. "Eles discutiram várias coisas que acreditam que nós devemos levar em consideração com relação ao Irã".

Schröeder disse que ele e Bush também falaram sobre outras questões quanto às quais discordam, especialmente o Protocolo de Kyoto sobre o aquecimento global, que a Europa apóia e ao qual os Estados Unidos se opõem.

"O Protocolo de Kyoto não foi apreciado por todos, e isso é algo que continua a ocorrer", disse Schröeder. "Mas gostaria de enfatizar que, apesar disso, apreciaríamos ver uma cooperação prática com a redução dos problemas nessa área".

Bush disse: "Eu garanti ao chanceler que os Estados Unidos se preocupam, obviamente, com a qualidade do nosso ar, e que os dois países devem compartilhar pesquisas e tecnologias que melhorem o meio-ambiente".

Mais tarde, Bush viajou para a Base Aérea do Exército em Wiesbaden, a fim de falar às tropas norte-americanas. A seguir partiu para Bratislava, na Eslováquia, onde se reunirá na quinta-feira com o presidente da Rússia, Vladimir V. Putin. Plano pode ter apoio da Alemanha, que se opôs à guerra no Iraque Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,21
    3,129
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h35

    0,04
    76.004,15
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host