UOL Notícias Internacional
 

24/02/2005

Mercados temem uma queda ainda maior do dólar

The New York Times
Jonathan Fuerbringer

Em Nova York
A grande desvalorização do dólar na última terça-feira (22/02) e sua pequena recuperação na quarta-feira ressaltaram quão vulnerável ele está no momento a uma maior desvalorização.

A vulnerabilidade pode ser rastreada ao temor de que os Estados Unidos não conseguirão atrair os fundos do exterior necessários para cobrir seu déficit em conta corrente, que espera-se que chegará ao recorde em 2004 de mais de US$ 600 bilhões.

A modesta recuperação do dólar nesta quarta-feira ocorreu após vários bancos centrais asiáticos terem dito que não venderiam dólares e que nem pretendiam vender dólares para diversificar suas reservas em outras moedas estrangeiras.

A pequena recuperação do dólar ocorreu após ele ter perdido 1,5% em relação ao euro e 1,4% em relação ao iene na terça-feira, após relatos, posteriormente negados, de que o banco central da Coréia estava planejando diversificar parte de seus ativos em dólares em outras moedas. A venda de dólares também provocou uma queda nos preços de títulos e ações na terça-feira, e ajudou a elevar as taxas de juros.

Na quarta-feira, as ações se recuperaram modestamente e as taxas de juros caíram ligeiramente, enquanto o dólar sofreu uma valorização de 0,2% frente ao euro e 0,7% frente ao iene japonês. O euro passou a valer US$ 1,3226, uma queda em relação ao US$ 1,3257 de terça-feira, e o dólar passou a valer 104,85 ienes, um aumento em comparação aos 104,09 ienes na terça-feira.

Os bancos centrais são os principais contribuintes para o fluxo de fundos do exterior para cobrir o déficit em conta corrente, que é a diferença no comércio e serviços realizados com o resto do mundo. Uma redução de tal fluxo pode provocar uma desvalorização do dólar, disseram os analistas. Em 2004, as compras de ações e títulos americanos por agências governamentais, em grande parte feitas pelos bancos centrais, totalizaram US$ 236 bilhões, ou um quarto do afluxo total.

Mas alguns analistas disseram que não é do interesse dos bancos centrais, especialmente os da Ásia, vender dólares agora --uma venda repentina poderia provocar uma alta desvalorização do dólar, abalando os mercados financeiros mundiais.

Além disso, os bancos centrais asiáticos querem impedir que suas moedas se valorizem demais frente ao dólar, para que as moedas e exportações de seus países possam continuar competitivas frente à moeda e exportações da China e nos mercados ao redor do mundo. A moeda da China, o yuan, está atrelado ao dólar, o que significa que os chineses devem vender yuans para comprar dólares, o que simplesmente aumenta suas reservas de dólares.

"Eu não acho que eles liderarão a investida de venda de dólares", disse Steven Englander, estrategista-chefe de câmbio estrangeiro para as Américas da Barclays Capital, sobre os bancos centrais.

Na terça-feira, os analistas descartaram imediatamente a idéia de que o plano coreano provocaria uma venda significativa de dólares por aquele ou outros bancos centrais. Mas o dólar continua se desvalorizando.

"O mercado está inclinado a vender dólares", disse Robert Sinche, chefe global de estratégia de moeda do Bank of America, "e encontrou na tranqüilidade do mercado uma oportunidade para vender dólares".

A alta de quarta-feira não foi suficiente para compensar as perdas de terça-feira, apesar do banco central da Coréia ter negado qualquer plano de diversificar ativos em dólar em outras moedas.

Além disso, o diretor da divisão de mercados de câmbio estrangeiro do Ministério das Finanças do Japão disse que seu país não tem planos de mudar suas reservas de moeda estrangeira de dólares para outras moedas, segundo o "Bloomberg News". O banco central de Taiwan disse em uma declaração que não estava vendendo dólares.

Em sua declaração, o Banco da Coréia disse: "Relatos recentes na mídia estrangeira de que o Banco da Coréia está vendendo dólares americanos não são verdadeiros", segundo o "Bloomberg News". A declaração disse que o banco, em uma relatório à Assembléia Nacional, planejava "diversificar alvos de investimento".

Os analistas disseram na terça-feira que parece que o plano era estabelecer uma entidade de administração de moeda, que seria responsável por investir uma parte das reservas mantidas pelo Banco da Coréia. Uma meta seria aumentar o retorno sobre as reservas investindo em papéis de renda fixa com menor qualidade de crédito e maiores rendimentos.

Um motivo para o dólar poder cair tão acentuadamente diante de uma notícia como o anúncio da Coréia, apesar dos analistas terem dito quase que imediatamente que se tratava de um erro de interpretação, é fato dos corretores de moeda e os especuladores prosperarem na volatilidade do mercado.

Além disso, muitos corretores têm ordens de compra e venda já estabelecidas para certos patamares do dólar, para proteger seus lucros ou reduzir suas perdas. Quando tais patamares são atravessados, a negociação de dólares pode acelerar, como ocorreu na terça-feira.

"O sentimento do mercado atualmente é muito voltado ao preço", disse Englander, da Barclays Capital. Desvalorização pode fazer com que EUA não consigam cobrir déficit George El Khouri Andolfato

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