UOL Notícias Internacional
 

25/02/2005

Atrás de quebra-mar, ilha japonesa teme tsunami

The New York Times
Norimitsu Onishi

Na Ilha Okushiri, Japão
Os quebra-mares se estendem por mais de 14 quilômetros dos 83 quilômetros de perímetro desta pequena ilha, incluindo quase todos os trechos desabitados de sua costa oriental.

Ko Sasaki/The New York Times

Grande quebra-mar protege a ilha de Okushiri, que foi devastada por tsunami no ano de 1993
Eles atingem até 11,5 metros de altura, fazendo parecer diminutos os bangalôs que se encontram sob suas sombras, restringindo o acesso à costa pedregulhenta e impedindo a vista das águas claras do mar aqui no Norte do Japão. O topo plano de concreto do quebra-mar é largo o bastante para que se possa caminhar nele.

Vistos de um avião de 19 assentos em sua descida em Okushiri, os quebra-mares parecem visar transformar a ilha em uma fortaleza. Mas eles não são para proteger contra invasores da ilha principal, que fica a 21 quilômetros ao leste daqui, mas contra maremotos, como aquele que atingiu a ilha em 1993, matando 4% de sua população e destruindo um terço de suas casas.

No país que deu ao mundo a palavra "tsunami" e é considerado como o que desenvolveu a tecnologia mais avançada contra eles e terremotos, esta ilha de 3.700 habitantes é, pelo menos na teoria, um dos lugares mais preparados para enfrentá-los. O Japão gastou US$ 1,3 bilhão para reconstruir esta pequena ilha de três postos de correio e uma escola. Em comparação, o governo japonês doou US$ 500 milhões para os países recentemente atingidos do Sudeste Asiático.

Em caso de um terremoto moderado, uma rede de sensores disparará automaticamente um alarme em cada casa, e quatro comportas fecharão para impedir que as ondas avancem rio acima. Os moradores serão capazes de chegar a um local mais alto subindo por uma das 22 rotas de fuga cujas entradas são iluminadas por placas alimentadas por energia solar. No porto, os trabalhadores podem correr para uma plataforma elevada de 4.650 metros quadrados de área e 6 metros de altura que, de longe, parece uma espaçonave pronta para decolar.

"Se existissem plataformas elevadas, como a que construímos aqui, na Indonésia ou nas outras ilhas atingidas pelo maremoto, eu acho que o número de pessoas mortas teria sido bem menor", disse Toru Ganbara, o prefeito de Okushiri.

Mesmo assim, o recente maremoto no Sudeste Asiático aumentou as dúvidas sobre a eficácia de toda esta alta tecnologia japonesa. Com relatos de que aldeias inteiras do Sudeste Asiático foram salvas simplesmente porque um simples aldeão tinha assistido recentemente um documentário sobre tsunamis e alertado outros a fugirem, alguns moradores daqui e especialistas de outras partes questionaram até mesmo se a abordagem antimaremoto daqui está correta.

As dúvidas se concentram agora, como após o maremoto, nos quebra-mares. Para os céticos, eles representam a presunção humana na crença de que a natureza pode ser confrontada e controlada. Eles também refletem o Japão de 1993: supremamente confiante apesar da desaceleração econômica, com um excesso de dinheiro que os líderes japoneses investiram em novas estradas, pontes e outras obras públicas, freqüentemente desnecessárias, para criação de empregos e obtenção de apoio político. O pico dos gastos em obras públicas ocorreu em 1998.

Na noite de 12 de julho de 1993, um terremoto submarino da escala de 7.8, próximo daqui, provocou a primeira onda do maremoto que atingiu Okushiri em cinco minutos. Ondas de até 29 metros varreram a ilha, levando casas e provocando o inferno. Algumas pessoas que tentaram fugir para áreas mais elevadas em seus carros, ficaram presas em congestionamentos e se afogaram. No final, 198 pessoas morreram, ou seus corpos nunca foram recuperados. Ondas que atingiram local em 1993 destruíram um terço das casas George El Khouri Andolfato

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