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25/02/2005

Bush e Putin buscam mostrar união, mas tensões ficam aparentes em reunião

The New York Times
Elisabeth Bumiller

Em Bratislava, Eslováquia
O presidente Bush expressou gentilmente sua preocupação com o retrocesso democrático do presidente russo Vladimir V. Putin enquanto permanecia ao seu lado, na noite desta quinta-feira (24/02). Putin respondeu que os Estados Unidos têm seus próprios problemas domésticos e que ele escutará algumas idéias de Bush, mas não comentará outras.

Em uma coletiva de imprensa conjunta no Castelo Bratislava que visava demonstrar união, mas que ofereceu vislumbres de tensão, Bush disse que ele e Putin tiveram uma conversa "franca" em uma reunião pessoal que durou mais de uma hora, a maior que os dois líderes já realizaram sozinhos, apenas com os intérpretes presentes na sala.

Bush não disse o que quis dizer com "franca", mas um alto funcionário do governo, que informou os repórteres sobre a reunião de Bush com o presidente da França, Jacques Chirac, nesta semana, disse que não queria descrever a sessão como "franca", porque "geralmente significa um eufemismo para 'ruim'".

Na coletiva de imprensa, que ganhou contornos de um confronto com Putin durante a viagem de quatro dias de Bush pela Europa, o presidente americano disse que a Rússia passou por uma "transformação surpreendente" na direção da democracia, que ele disse incluir princípios universais como a regra da lei, a proteção das minorias, liberdade de imprensa e oposição política viável.

"Eu fui capaz de compartilhar minhas preocupações a respeito do compromisso da Rússia com tais princípios universais", disse Bush. "Eu o fiz de forma construtiva e amistosa."

Putin respondeu a Bush dizendo: "Eu acredito que algumas das idéias dele poderão ser consideradas no meu trabalho, e darei a devida atenção a elas, certamente. Algumas outras idéias eu não comentarei".

Para ressaltar a demonstração de união e cordialidade, os Estados Unidos e a Rússia anunciaram conjuntamente, logo após a coletiva de imprensa, três acordos envolvendo comércio, energia e proliferação nuclear.

Durante um discurso ao ar livre sob uma neve fria e úmida, pela manhã, Bush pareceu ter feito um disparo de alerta para que Putin não interfira em outras ex-repúblicas soviéticas, como fez na Ucrânia.

"As revoluções democráticas que varreram a região ao longo dos últimos 15 anos estão chegando agora à Geórgia e à Ucrânia", disse Bush.

"Em 10 dias, a Moldova terá a oportunidade de confirmar suas credenciais democráticas assim que sua população for às urnas. E inevitavelmente, a população de Belarus algum dia pertencerá orgulhosamente ao território das democracias."

Bush se encontrou com Putin nesta capital centro-européia na tarde de quinta-feira, naquela que supostamente seria uma sessão de uma hora e meia concentrada em parte na reversão, por parte de Putin, das reformas democráticas e sua repressão aos dissidentes.

Bush disse ao longo de toda a semana, durante sua primeira viagem à Europa desde a reeleição, que pressionaria Putin sobre seus motivos para tal recuo nas reformas democráticas.

"Eu espero conversar com ele sobre seu processo de tomada de decisão", disse Bush a um grupo de jovens líderes empresariais alemães em Mainz, Alemanha, na quarta-feira, no terceiro dia da viagem de quatro dias que visava reparar as relações com a Europa, desgastadas pela guerra no Iraque.

Mas autoridades russas sugeriram que Putin poderia apresentar a Bush suas próprias preocupações com as ações americanas ao redor do mundo e o sistema eleitoral americano.

Funcionários do governo Bush sugeriram que tais preocupações incluíam o escândalo da prisão de Abu Ghraib e a eleição contestada de 2000, na qual Bush se tornou presidente por um único voto na Suprema Corte.

A reunião de quinta-feira foi a primeira entre os dois líderes desde logo após a reeleição de Bush em novembro, quando os dois se encontraram no Chile. Um alto funcionário do governo Bush disse após a reunião que o presidente americano levantou algumas preocupações sobre a repressão de Putin aos dissidentes, e que Putin deu uma resposta longa e elaborada.

Em parte para compensar o clima tenso em torno do mais recente encontro entre Bush e Putin, o governo Bush anunciou na manhã de quinta-feira que os Estados Unidos e a Rússia acertaram um acordo para limitar a disseminação de mísseis disparados do ombro, chamados Sistemas de Defesa Aérea Portáteis, ou Manpads.

Tais mísseis, que podem ser disparados por uma única pessoa, são os preferidos pelos terroristas e representam uma ameaça a aviões militares e comerciais. O Departamento de Estado estima que cerca de um milhão foram produzidos mundialmente, mas que um número bem menor, algo em torno de milhares, estão nas mãos do que o Departamento de Estado chama de "atores não-estatais".

Antes do encontro de Bush com Putin, o presidente americano fez um discurso para milhares de eslovacos entusiásticos em Bratislava, na Praça Hviezdoslavovo. Bush comparou as metas de Washington no Iraque à derrubada pacífica do comunismo pela Eslováquia em 1989, conhecida com a Revolução de Veludo, quando a Eslováquia ainda fazia parte da Tchecoslováquia. A Eslováquia se separou da Tchecoslováquia em 1993 e se tornou um país independente.

"E enquanto vocês assistiam aos iraquianos jubilosos nas ruas no mês passado, exibindo seus dedos marcados com tinta, vocês lembraram dos Dias de Veludo", disse Bush. "Para o povo iraquiano, este é o 1989 deles, e eles sempre lembrarão quem os apoiou em sua busca pela liberdade."

Bush, que se referia aos dedos pintados de roxo que os iraquianos exibiam para mostrar que votaram na eleição de 30 de janeiro, então vinculou a busca pela democracia iraquiana, instigada por seu governo, aos levantes locais contra o comunismo nos últimos dois anos.

"Recentemente", ele disse, "nós testemunhamos eventos marcantes na história da liberdade, uma Revolução Rosa da Geórgia, uma Revolução Laranja na Ucrânia, e agora uma Revolução Roxa no Iraque".

"Revolução Roxa" não foi uma expressão usada pelos iraquianos para descrever os eventos recentes em seu país; Bush parece ser a primeira pessoa a expressar o termo.

O presidente também comparou a violência no Iraque aos solavancos na Europa Central. "Nós devemos ser igualmente determinados e pacientes", disse ele. "O avanço da liberdade é o trabalho concentrado de gerações. Foi necessária quase uma década após a Revolução de Veludo para a democracia se enraizar plenamente neste país."

Ele acrescentou: "Seu exemplo está inspirando povos recém-libertados. Vocês estão mostrando que um pequeno país, edificado sobre uma grande idéia, pode espalhar a liberdade pelo mundo". Bush se encontrou antes com o primeiro-ministro Mikulas Dzurinda. Presidente russo ameaçou criticar o sistema eleitoral americano George El Khouri Andolfato

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