UOL Notícias Internacional
 

25/02/2005

João Paulo 2º é operado para facilitar respiração

The New York Times
Ian Fisher*

Na Cidade do Vaticano
O papa João Paulo 2º foi operado nesta quinta-feira (24/02) para que pudesse respirar melhor, depois de sofrer uma recaída da gripe e problemas respiratórios, segundo o Vaticano.

O porta-voz Joaquim Navarro-Valls, disse que o procedimento de traqueotomia de meia hora em um hospital de Roma foi bem sucedido. A cirurgia envolve uma incisão na traquéia para permitir a inserção de um tubo para respiração.

"A operação, que começou às 8h20 e terminou às 8h50, foi bem sucedida e terminou positivamente", disse Navarro-Valls em uma declaração. "O período pós-operatório imediato foi normal."

Navarro-Valls, que também é médico, disse que a hospitalização repentina de João Paulo e subseqüente cirurgia foram levadas pela deterioração da saúde do papa, que está se recuperando de uma gripe, entre outros males.

"Os sintomas da gripe, que nesta manhã levaram o Santo Padre a ser hospitalizado no Policlínico Gemelli, tinham sido complicados nos últimos dias por episódios renovados de insuficiência respiratória, causada por uma condição pré-existente na laringe", disse Navarro-Valls.

"Tal situação clínica indicava a necessidade de uma traqueotomia eletiva, para garantir a ventilação adequada do paciente e ajudar a resolver a doença na laringe".

A agência de notícias italiana Ansa informou que o papa estava consciente e de volta a seu quarto de hospital, respirando com a ajuda de um respirador. Um assessor do primeiro-ministro italiano disse aos repórteres no hospital que os médicos estavam "muito satisfeitos" com o resultado da cirurgia e que o papa não estava apresentando sinais de dor.

Há duas semanas, João Paulo teve alta do hospital Gemelli, em Roma, depois de nove dias internado. As autoridades do Vaticano disseram que estava se recuperando lentamente.

Na quarta-feira, entretanto, o papa voltou a exibir sintomas de gripe, e sua condição piorou esta manhã, de acordo com o Vaticano. Assim, foi readmitido em sua enfermaria privada no 10º andar do hospital, às 11h30. Uma curta declaração de Navarro-Valls anterior à cirurgia dizia que o papa estava sendo "tratado por especialistas e sofrendo novos exames".

Uma autoridade da igreja que falou sob condição de anonimato disse que o papa estava apresentando os mesmos sintomas que levaram a sua internação anterior, no dia 1º de fevereiro: gripe, febre e espasmos na laringe que dificultam a respiração.

Há anos que o papa, hoje com 84, sofre da doença de Parkinson, uma deterioração neurológica progressiva que pode dificultar a respiração e a deglutição.

Era impossível avaliar a gravidade da condição do papa. Como em sua internação anterior, os detalhes estavam sendo mantidos em segredo.

A autoridade da Igreja disse, entretanto, que a condição do papa era "séria", mas estável.

A mídia italiana, citando funcionários do hospital, disse que o papa foi levado ao hospital em uma ambulância, e estava consciente ao chegar. Quando deixou o mesmo hospital há duas semanas, foi de carro, enfraquecido, mas acenando por trás do vidro protetor de seu papa-móvel, em uma demonstração pública de bem-estar relativo.

No hospital não há sinais visíveis de emergência: não há um número excessivo de policiais ou outro tipo de segurança nem grupos de cardeais, assessores ou políticos. Apesar disso, as pessoas acreditam que sua recaída, pouco após sua primeira internação, é alarmante, um possível passo para o fim de seus 26 anos de papado.

"Não é um bom sinal, ele estar de volta. Pessoas com Parkinson são muito sensíveis a problemas respiratórios. Qualquer espasmo na garganta, mesmo algo como uma tosse, pode impedi-lo de respirar", disse Paula Ferrara, 32, médica do hospital que não está envolvida no tratamento do papa.

"Paradoxalmente", disse ela, o ambiente no hospital é muito agradável quando o papa está aqui, porque os pacientes ficam mais concentrados na saúde do papa do que com sua própria doença --eles se esquecem por um tempo."

A última hospitalização do papa gerou emoções e reações complicadas no Vaticano e entre muitos dos fiéis --que provavelmente vão se intensificar com a recaída. Foi discutida a questão da resignação papal--algo que o papa João Paulo 2º disse que nunca faria. Também foi questionado como um papa muito doente pode liderar 1 bilhão de católicos romanos.

Autoridades do Vaticano, porém, argumentaram que a luta pública do papa com a idade e a doença estabelece um exemplo. Uma turista americana, andando de bengala na Basílica de São Pedro, disse que era importante: "Acho que é um exemplo maravilhoso, que você não deve desistir e se esconder num canto", disse Paula Brown, 50, peregrina católica do Colorado, visitando Roma com um grupo da igreja.

"Vai ser triste quando partir, porque o amamos", disse ela. "Mas não acho que será agora."

Desde que teve alta do hospital, há duas semanas, o papa fez um mínimo de audiências e aparições públicas --o que não é incomum no início da quaresma, quando João Paulo e seus principais assessores participam de um retiro espiritual anual de uma semana.

Mas na quarta-feira, em meio aos ventos e chuva em Roma, ele não apareceu em pessoa em sua audiência pública habitual, falando aos peregrinos por um circuito fechado de televisão. O papa leu saudações em várias línguas, e tinha a mesma aparência dos últimos anos: fraco, mas alerta, um pouco mais magro do que o normal e ofegante.

"Recebo com afeição todos vocês reunidos para nosso encontro usual de quarta-feira", disse ele.

Na manhã de quinta-feira, João Paulo ia participar de uma cerimônia próxima a seus aposentos no Vaticano, para aprovar decretos de santificação. No entanto, minutos antes, sua condição piorou e teve que ser levado ao hospital, segundo a Reuters.

Líderes políticos e religiosos da Itália e no exterior expressaram votos de melhora a João Paulo.

"Esperamos que o papa recupere-se assim que possível. Ele está em nossos pensamentos e preces", disse Fred Jones, porta-voz do presidente Bush, que está na Eslováquia, na última parte de uma viagem de cinco dias pela Europa.

Em Milão, em um funeral de um padre italiano proeminente, Luigi Giussani, o cardeal Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Milão, fez uma observação sobre as notícias da condição do papa, diante de muitos líderes da nação, inclusive o primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

"Ao Santo Padre, nossa afeição, votos de melhora e preces para que se recupere, em outro momento de teste", disse o cardeal Tettamanzi, considerado candidato para se tornar o próximo papa.

*Colaborou Jason Horowitz. Para muitos, recaída é alarmante e pode encerrar seu pontificado Deborah Weinberg

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