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25/02/2005

Museu de Washington traz fotos de André Kertész

The New York Times
Ken Johnson

Em Washington
Pessoas que conhecem fotografia reverenciam André Kertész como um dos grandes praticantes do meio, um inovador modernista cuja estética do instantâneo influenciou artistas de Henri Cartier-Bresson e Brassaï até Robert Frank e Gary Winogrand.

Andre Kertész/The New York Times


"Relógio sobre a Academia Francesa" integra a mostra, que vai até 15 de março
Seu nome, entretanto, nunca atingiu o tipo de reconhecimento popular que artistas como Cartier-Bresson, Edward Steichen, Walker Evans e Ansel Adams conseguiram. Como exemplo, sua mais famosa foto, a imagem de luminosidade austera da porta e vestíbulo do estúdio de Piet Mondrian, é mais conhecida por seu assunto do que por quem a tirou.

O fato de Kertész não ter sido superexposto é algo bom no momento, pois isto torna sua retrospectiva na National Gallery of Art daqui muito mais maravilhosamente reveladora. A exposição foi organizada por Sarah Greenough, chefe do departamento de fotografia do museu, e é acompanha por um excelente catálogo que fornece uma biografia incomumente esclarecedora do artista, a primeira metade de autoria de Greenough e a segunda metade por Robert Gurbo, curador da Fundação André e Elizabeth Kertész.

Um motivo para a relativa falta de reconhecimento de Kertész tem a ver com seu estilo. Ele não desenvolveu um modelo instantaneamente reconhecível, capaz de transformar qualquer situação em outro "Kertész".

Passando pelas 116 fotos em exposição, é possível observar algo camaleônico nele: não que ele imitasse os estilos de outros, mas no sentido de que ele se adaptava fotograficamente a tipos diferentes de realidades terrenas.

Andre Kertész/The New York Times


"Meudon" integra a mostra, que vai até 15 de março na capital norte-americana
Outra de suas fotos mais reproduzidas é "Satiric Dancer" ("dançarina satírica", 1926), a imagem extravagantemente surrealista de uma jovem mulher trajando um vestido curto e saltos altos, se reclinando cineticamente sobre um sofá de dois lugares ao lado de uma escultura de mármore altamente modernista de um torso masculino torcido, em uma mesa lateral.

Parece mais algo de Man Ray do que algo que pudesse ter sido feito pelo autor de "Chez Mondrian". E isto sem contar a série desafortunada de nus refletidos e distorcidos em espelhos, feitas por Kertész em 1933, que, apesar de diferente de tudo o que tinha feito, ainda estão entre suas criações mais conhecidas.

Muitas de suas fotos capturam as incongruências do tempo e espaço que são tão definidoras da experiência metropolitana moderna. Na fantástica "Meudon" (1928), a vista do alto e uma rua estreita se abre para um aqueduto elevado, sobre o qual avança uma locomotiva expelindo fumaça. No primeiro plano, um homem em terno preto e com olhos obscurecidos pela aba de seu chapéu se aproxima carregando um grande pacote plano embrulhado em jornal. Em seu mistério sinistro há algo como que sonhado por De Chirico.

Andre Kertész/The New York Times


"Os Jardins de Tuileries" integra a mostra, que vai até 15 de março em Washington
As conjunções de realidades díspares de Kertész podem ser astuciosamente cômicas, socialmente críticas e tristes ao mesmo tempo: por exemplo, a imagem de 1928-30 de um homem com pernas amputadas --presumivelmente um dos muitos veteranos inválidos da Primeira Guerra Mundial que enchiam as cidades européias na época-- mascateando flores enquanto uma jovem empresária com uma pasta desce apressadamente a escada do metrô.

Mas Kertész não fez fotos abertamente políticas ou de temas históricos. O fato de não ser identificado a eventos como a Grande Depressão ou a Guerra Civil Espanhola pode ser outro motivo para ter passado abaixo do radar da consciência popular.

O que distingue a obra de Kertész não é um estilo visual em particular ou um assunto característico, mas sua ressonância emocional. Sem dúvida Kertész foi um grande formalista, mas em suas fotos mais persuasivas, a forma é colocada a serviço do sentimento. Na introdução do catálogo, Greenough e Gurbo colocam isto corretamente. Kertész, eles escrevem, buscou "não o momento decisivo em que uma ação externa completava um intrigante arranjo formal, mas o instante em que o mundo era infundido com significado pessoal".

Eles continuam: "Trabalhando mais com seu coração, ele explicou, 'você não vê' as coisas que você fotografa, 'você as sente'". Fotógrafo do início do século 20 é considerado camaleão das lentes George El Khouri Andolfato

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