UOL Notícias Internacional
 

26/02/2005

Ataque suicida em boate de Tel Aviv destrói trégua entre israelenses e palestinos

The New York Times
Greg Myre e

Alan Cowell

Em Tel Aviv, Israel
Um homem explodiu a si mesmo no meio de uma multidão de jovens israelenses que esperavam para entrar em uma boate perto da praia em Tel Aviv, nesta sexta-feira (25/02). O atentado matou pelo menos três pessoas, feriu 50 e destroçou o cessar-fogo que vinha senso mantido.

Esse foi o primeiro grande ataque desde que o premier israelense, Ariel Sharon, e o líder palestino Mahmoud Abbas pediram o fim da violência, em uma reunião de cúpula no Egito, no dia 8 de fevereiro.

O atentado representa um grande desafio para Sharon e Abbas. Ambos se reuniram com seus assessores na madrugada de sábado (no horário local). Não ficou claro como iam reagir.

A multidão estava aguardando na calçada na frente da boate Stage, na rua da praia, na hora do atentado, em torno das 23h30 locais. Grande parte de Israel fecha para o sabá do entardecer de sexta-feira até o entardecer de sábado. No entanto, na secular Tel Aviv, as boates estavam começando a abrir naquele momento.

A explosão espalhou corpos pela rua e cobriu a calçada de sangue, membros e destroços. As janelas se quebraram e os carros foram amassados. Placas voaram e fios elétricos ficaram pendurados dos prédios.

As ambulâncias levaram os feridos para os hospitais, enquanto membros do serviço de recuperação voluntário Zaka recolhiam pacientemente os pedaços das pessoas para preparar sepultamentos judeus adequados, que pedem que o corpo todo seja enterrado.

"A mensagem importante disso é que não pode haver um acordo com organizações terroristas", disse Raanan Gissin, porta-voz de Sharon.

Sob a liderança de Abbas, a Autoridade Palestina "tomou alguns passos importantes", disse Gissin. "Mas não os passos necessários para desmantelar as organizações terroristas."

Israel continua firme nos acordos alcançados no início do mês no Egito, disse Gissin. Ele observou, entretanto, que: "No caso da Autoridade Palestina falhar, estaremos livres para tomar qualquer ação necessária para proteger nossos cidadãos."

Abbas conseguiu que as facções palestinas armadas prometessem observar um "período de esfriamento informal", mas as facções disseram que não estavam presas à trégua de Abbas. O líder palestino argumenta que esses ataques prejudicam os esforços palestinos para alcançar um Estado. No entanto, até agora vinha procurando cooptar as facções e não deu ordens para que as forças de segurança palestinas as confrontassem.

"Condeno esse ataque nos termos mais fortes possíveis. Quem estiver por trás dele tem como alvo sabotar os esforços de paz. Isso mina os interesses nacionais palestinos", disse Saeb Erekat, principal negociador palestino.

Membros da segurança israelense disseram que houve um forte declínio no número de tentativas de ataques palestinos, mas alguns elementos ainda planejam atos de violência.

Na reunião de cúpula militar no Egito, Sharon disse que Israel não faria operações militares nas áreas palestinas, a não ser que tivesse informações de ataques iminentes. Por esta razão Israel fez uma série de prisões nas últimas duas semanas.

"Não tínhamos dados específicos de inteligência sobre esse atentado, mas sabíamos que haveria ataques terroristas" para minar a trégua, disse um porta-voz da polícia, Gil Kleiman.

O último ataque suicida palestino ocorreu no dia 18 de janeiro, quando um membro do serviço de segurança de Israel, Shin Bet, foi morto em um posto militar na Faixa de Gaza.

Contra civis, o último atentado havia ocorrido há quase quatro meses, no dia 1º de novembro, quando um homem-bomba explodiu um mercado em Tel Aviv próximo da cena de sexta-feira.

Em geral, as facções palestinas assumem a responsabilidade pelos ataques, identificam o suicida e o homenageiam como herói. Neste caso, porém, não houve nenhuma denúncia plausível logo após o ataque.

Gideon Ezra, ministro de segurança pública de Israel, disse que as medidas recentes que flexibilizaram as restrições aos palestinos provavelmente serão revertidas.

"Acho que não vamos deixar os palestinos virem trabalhar em Israel. Não vamos deixá-los dominar as cidades palestinas", disse Ezra, que foi até a cena do atentado.

No entanto, Ezra disse que o ataque não ia modificar os planos de Israel de retirada de assentamentos judeus na faixa de Gaza neste verão. A cidade é conhecida por ser a mais secular do Estado judeu Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host