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26/02/2005

Condoleezza Rice cancela visita ao Oriente Médio, após racha com o Egito

The New York Times
Joel Brinkley

Em Washington
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, cancelou abruptamente nesta sexta-feira (25/02) a viagem planejada a vários países do Oriente Médio, prevista para a próxima semana, uma decisão que ocorreu aparentemente devido à prisão de um importante político de oposição no Egito, no mês passado.

O cancelamento ressaltou um racha significativo com um importante aliado em torno da pressão do presidente Bush por mudanças democráticas. Ele ocorre um dia depois do tenso encontro de Bush com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que ficou desconfortável com as críticas feitas por Bush à democracia na Rússia.

O evento principal da viagem de Rice seria um encontro no Cairo do Grupo dos 8 países industrializados e da Liga Árabe, na qual ministros das relações exteriores discutiriam ajuda econômica e mudanças democráticas no Oriente Médio.

Mas o encontro foi adiado pelo Egito no domingo, em um primeiro sinal das tensões que vinham crescendo mesmo enquanto o governo Bush elogiava o Egito por sua ajuda no conflito entre israelenses e palestinos após a morte de Iasser Arafat.

O gatilho imediato para as tensões foi a prisão pelo Egito, em 28 de janeiro, de Ayman Nour, um membro do Parlamento praticamente sem poder do Egito e chefe de um partido de oposição chamado Al Ghad, ou Amanhã. Quando o ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Aboul Gheit, visitou Washington na semana passada, Rice deixou claro seu descontentamento, disseram funcionários.

Após o encontro, Gheit protestou que a prisão de Nour era um assunto interno do Egito, e Suleiman Awad, o porta-voz do presidente do Egito, Hosni Mubarak, disse que ele rejeitava "qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos do Egito".

Alguns membros do Congresso então começaram a pedir a Rice para que não participasse do encontro de países árabes e europeus no Cairo. Um deles, o deputado Adam Schiff, democrata da Califórnia, um membro do subcomitê para Oriente Médio do Comitê de Relações Internacionais, foi co-autor de uma resolução condenando o Egito pela prisão de Nour.

Em uma entrevista na sexta-feira, Schiff disse que "participar no momento de uma conferência sobre democracia no Egito seria o cúmulo da ironia".

"O Departamento de Estado deve enviar a mensagem ao Egito de que ele está no caminho errado", ele acrescentou, "de que não estamos mais dispostos a tolerar tais coisas".

No Cairo, na sexta-feira, a esposa de Nour disse para a agência de notícias "Reuters" que seu marido, que continua na prisão, estava no terceiro dia de uma greve de fome.

Na semana passada, o Departamento de Estado começou a sugerir que Rice poderia não participar da conferência. Então o Egito, em 20 de fevereiro, adiou a conferência. Gheit, o ministro das Relações Exteriores, explicou que o Egito desejava adiar o encontro até após um encontro de cúpula árabe em Argel, planejado para o final do próximo mês. Nenhuma data foi estabelecida para o novo encontro do G-8.

Mesmo após o cancelamento do encontro, Rice ainda tinha planos de visitar o Egito; um jornal pró-governo no Egito informou na sexta-feira que ela estaria no Cairo na próxima semana.

Mas um funcionário do governo disse que alguns membros do governo estavam questionando a visita ao Egito. E se o Egito fosse removido do itinerário, acrescentou o funcionário, "a coisa toda começaria a desandar".

Reunião na terça

O itinerário da visita de Rice ao Egito e outros países árabes não tinha sido anunciado. Mas Richard Boucher, o porta-voz do Departamento de Estado, reconheceu na sexta-feira que havia "alguma consideração de ir à região nesta vez".

Enquanto ele anunciava a mudança de planos, que agora prevêem o retorno de Rice a Washington após reuniões em Londres, ele acrescentou que Rice marcará outra visita ao Oriente Médio "em breve". Ele não disse se o Egito estaria no itinerário.

Está prevista a presença de Rice em uma conferência em Londres, na próxima terça-feira, de líderes europeus e árabes intitulada "Apoiando a Autoridade Palestina".

O Departamento de Estado disse que Rice "espera ansiosamente trabalhar com autoridades chaves de lá em esforços conjuntos para apoiar as instituições políticas palestinas, fortalecer a segurança e revigorar a economia".

Os planos europeus e americanos para aumentar a ajuda financeira à Autoridade Palestina dependem em parte dos esforços palestinos para aumentar a responsabilidade pelo dinheiro, um assunto para discussão em Londres. Cancelamento seria resposta à prisão de um político de oposição George El Khouri Andolfato

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