UOL Notícias Internacional
 

26/02/2005

Esforço de comunicação marca viagem de Bush

The New York Times
Elisabeth Bumiller

Em Washington
Poucas pessoas na comitiva do presidente Bush pareciam mais felizes em chegar da Europa, no fim da noite da última quinta-feira (24/02), do que o próprio Bush, que passou sua semana em encontros com três dos personagens mais difíceis na atuais relações exteriores americanas --o presidente da França, Jacques Chirac, o chanceler da Alemanha, Gerhard Schröder, e o presidente da Rússia, Vladimir V. Putin.

Diferente de outros presidentes americanos, que freqüentemente usavam viagens à Europa como distrações da política e escândalos domésticos, Bush passou quatro dias em países fabricantes de chocolate, como a Bélgica, comendo suas ervilhas.

Primeiro, ele teve que tornar aceitável --ao seu modo-- a invasão americana no Iraque. "A política no passado costumava ser, vamos aceitar a tirania pelo bem de --ora, vocês sabem, petróleo barato, ou o que quer que seja, e apenas torcer para que tudo fique bem", disse Bush no quartel-geral da Otan em Bruxelas, na terça-feira. "Bem, isto mudou em 11 de setembro para o nosso país."

Segundo, ele teve que abordar assuntos difíceis como o retrocesso da Rússia na democracia em uma coletiva de imprensa com Putin. Um respiro apareceu na Eslováquia, onde multidões saudaram a conversa de liberdade de Bush e o primeiro-ministro do país, Mikulas Dzurinda, se desmanchou em elogios ao seu encontro com o presidente americano.

"Eu gosto de Bush", disse Dzurinda aos repórteres americanos em um almoço na quinta-feira. "Vocês sabem por quê? Porque ele me disse que não gosta de escrever, mas que gosta de falar com as pessoas, da mesma forma que eu."

O presidente e o primeiro-ministro também encontraram afinidades, disse Dzurinda, nas dificuldades de criar garotas. "Ele tem duas filhas; eu tenho duas filhas", disse Dzurinda. "A mais velha tem 20 anos, a mais nova 17 -vocês podem imaginar." Será que Bush se compadeceu por causa de suas gêmeas festeiras?

Dzurinda franziu a testa com grande drama e riu. "Nós temos algumas experiências em comum", ele respondeu.

Um dos dramas acompanhados mais atentamente na viagem foi o jantar dado por Bush para Chirac, em Bruxelas, na noite de segunda-feira, na residência do século 18 do embaixador americano na Bélgica, Tom C. Korologos. Mas o jantar foi tão pequeno, com apenas cerca de 10 pessoas convidadas, que Korologos não convidado à sua própria casa. Por ser um "jantar de trabalho", que normalmente exclui cônjuges, Laura Bush também teve que encontrar outro lugar para ir.

Assim, enquanto o presidente, Chirac e um punhado de outros conversavam sobre o Irã e o Iraque, Korologos jantou com Joe Hagin, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, no Vincent, um restaurante especializado em carnes, com suas vitrines parecidas com açougue. Também os acompanhavam pessoas da Casa Branca responsáveis pela logística das viagens do presidente ao exterior.

A conversa no jantar se concentrou não no grande quadro da política externa ou no futuro da Europa, mas nos aspectos práticos que tornam tais conversas possíveis entre Bush e líderes estrangeiros. Enquanto isso, Laura Bush jantava no La Villa Lorraine, um restaurante de Bruxelas, com um grupo de mulheres, incluindo Anne Korologos, a esposa do embaixador, e Dominique Verkinderen, uma cantora de ópera que é casada com o primeiro-ministro da Bélgica, Guy Verhofstadt.

Na residência do embaixador, a festa presidencial teve filé de carne bovina e batatas fritas, também conhecidas com fritas francesas. Anne Korologos as escolheu por ser o prato local quintessencial. Mas quando Bush se referiu a elas no jantar como "fritas francesas" em vez de "fritas da liberdade", foi feito um pequeno momento da história diplomática.

Bush se orgulha de seu inglês simples e de estilo texano, de forma que surpreendeu uma platéia de intelectuais e líderes empresarias na segunda-feira, em Bruxelas, ao citar um existencialista francês.

"Albert Camus disse que a liberdade é uma corrida de longa distância", disse Bush sob os candelabros de cristal do Concert Noble em seus discurso inicial sobre o futuro dos Estados Unidos e da Europa. "Nós estamos em tal corrida no momento e há motivo para otimismo."

Mas a citação plena de Camus, do livro "A Queda", não é tão alegre: "Eu não sabia que liberdade não é uma recompensa ou uma condecoração para ser celebrada com champanhe. Nem um presente, uma caixa de guloseimas para fazer você lamber os beiços. Não! É uma escolha, pelo contrário, e uma corrida de longa distância, solitária e muito extenuante. Nada de champanhe. Nada de amigos erguendo seus copos enquanto olham para você carinhosamente. Sozinho em uma sala ameaçadora, sozinho em um cubículo de prisioneiro perante os juízes, e sozinho para decidir diante do julgamento de si mesmo e de outros. No final de toda liberdade está uma sentença de tribunal; este é o motivo da liberdade ser tão pesada de suportar, especialmente quando você está caído com febre, ou aflito, ou sem amar ninguém."

Bush deu entrevistas prévias para a mídia européia, com transcrições sendo divulgadas pela Casa Branca. Mas um capítulo pouco conhecido da adolescência de Bush, como pastor na Escócia, foi retirada da transcrição de uma entrevista de 19 de fevereiro, na qual ele disse que esperava ansiosamente voltar lá para o encontro de cúpula do Grupo dos 8, neste verão.

"Eu trabalhei lá quando tinha 14 anos", disse Bush. "Eu troquei o Texas pela Escócia para trabalhar em uma fazenda de ovelhas. E estava andando em minha bicicleta, levando aquela ovelha de lá para cá, quando um grande ônibus de excursão parou. E as pessoas desceram, e uma mulher com sotaque do Texas disse: 'Veja só aquele garotinho escocês'."

"Eu fiquei de boca fechada", disse o presidente. Presidente volta para casa com "fritas da liberdade" e sem ervilhas George El Khouri Andolfato

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