UOL Notícias Internacional
 

26/02/2005

Reitor de Harvard tenta aprender com seus erros

The New York Times
Sara Rimer e

Patrick D. Healy

Em Cambridge, Massachusetts
O ex-presidente Bill Clinton aconselhou-o recentemente a aprender com seus erros e seguir adiante. O assessor político David Gergen ajudou-o a controlar os danos. Cercado pelas melhores mentes de Harvard, ele procurou orientação do intelectual Herny Louis Gates Jr., do especialista em ética Mahzarin Banaji e o sábio do campus Henry Rosovsky, entre outros.

O reitor está lendo volumes sobre liderança e recentemente levou seus filhos para ver "Hitch - Conselheiro Amoroso", um novo filme sobre homens que estão procurando melhorar suas habilidade sociais.

Aos 50 anos, Lawrence H. Summers, 27º reitor de Harvard desde sua fundação, em 1636, está tentando tornar-se um novo tipo de homem e pôr fim a uma controvérsia em torno de seu estilo de liderança.

"Os dias têm sido longos, as semanas também, porque há muito para conversar", disse Summers, sentado ao lado da lareira nesta sexta-feira (25/02), em seu escritório em Harvard. "Passei muito tempo aqui encontrando pessoas, conversando com elas. Passei muito tempo no telefone e na Internet. Certamente, não foi um mês solitário."

Durante grande parte da entrevista, sua voz estava monótona e suas mãos enfiadas nos bolsos do terno. "Acho que tendo a dialogar na forma de um seminário de pós-graduação. Isso provavelmente é uma força e uma fraqueza, dependendo do contexto", explicou. "Mas há também muitas questões de relacionamento, que devem ser trabalhadas com as pessoas, e não passam do dia para a noite, mas com muita discussão e diálogo."

Alguns membros da Faculdade de Artes e Ciências, a maior de Harvard, continuam furiosos com o reitor. Suas observações no mês passado sobre as mulheres nas ciências geraram uma crise maior, não só por sua escolha de palavras, mas por seu tratamento aos colegas e seu respeito (ou falta de) pelo controle do curso de graduação, nas mãos dos professores.

Eles o confrontaram em uma reunião tumultuada neste mês. Alguns que são seus críticos mais ferozes estão tentando dar um voto de desconfiança na próxima reunião de professores, no dia 15 de março. (Ninguém imagina que isso trará resultados).

Mas Summers, nesta sexta-feira, parecia não pensar em sair de Harvard por muitos anos: questionado sobre como conseguiria ganhar força para seus projetos, ele falou de uma série de metas, como novos prédios, novos currículos e apoio financeiro para estudantes de lares de baixa renda.

"Estou de fato feliz que as preocupações e a raiva, que claramente foram sentidas, agora tenham sido expostas e se tornaram coisas que podemos discutir", disse Summers. "Estou aprendendo com isso tudo, pensando muito e acredito que serei melhor diretor depois de todas essas discussões."

Em momento algum Summers sentiu que seu emprego estava sendo ameaçado pelo conselho governante de Harvard, de sete pessoas, incluindo ele mesmo e três outros que ajudou a nomear desde que se tornou presidente, em julho de 2001. De fato, teve forte apoio do conselho, inclusive de seu mentor Robert Rubin, ex-secretário do Tesouro a quem Summers convenceu a ingressar na corporação.

Rubin não respondeu a telefonemas para que fizesse comentários, mas amigos de Summers disseram que os dois têm mantido contato. O reitor, também ex-secretário do Tesouro, disse que tinha falado com seu antigo chefe, o presidente Clinton, durante a controvérsia.

"Ele me deu bons conselhos: que é muito importante olhar para frente, aprender dos erros e reconhecer as oportunidades que oferecem", disse Summers.

"Certamente, vamos trabalhar muito duro. Estamos concentrados no assunto do avanço das mulheres. Acho que isso vai gerar energia e nos permitir a fazer coisas importantes com maior velocidade do que teríamos de outro modo."

Nas últimas semanas, Summers procurou uma série de Hitches, nome do personagem de Will Smith no filme, que faz o papel de um treinador para encontros amorosos, ajudando homens desajeitados a revelarem seu interior a mulheres bonitas, que então se apaixonam por eles. (Questionado durante a entrevista se tinha feito paralelos entre os clientes de Will Smith e ele próprio, como diretor da universidade precisando de ajuda para mudar aspectos de seu estilo, Summers sorriu ironicamente. "Suponho que haja essa analogia, mas confesso que não me ocorreu", disse.)

Um desses treinadores é Gergen, que assessorou quatro presidentes e atualmente é professor de serviços públicos na Faculdade de Governo de Harvard (batizada com o nome de Kennedy).

"Essa experiência não é destituída de muita dor pessoal", disse Gergen sobre as dificuldades de Summers, acrescentando que "é bom quando um homem demonstra sua vulnerabilidade". Ele disse que o diretor está "profundamente reflexivo" e comprometido a mudar seu estilo de liderança.

"Ele tem uma abordagem muito socrática", disse Gergen, referindo-se ao método costumeiro de Summers de envolver os outros intelectualmente por questionamentos combativos e questionadores. Gergen sorriu. "Sócrates acabou sendo morto", disse ele. "As pessoas não conseguiram lidar com questões duras o tempo todo. A história nos diz que essa abordagem pode ser forte demais."

O desafio diante de Summers é de "recompor sua reitoria", acrescentou Gergen. "Em termos políticos, a segunda campanha começou na manhã de quarta-feira". Ele se referia à manhã seguinte à reunião de emergência com os professores, na qual foram discutidos problemas do estilo de reitoria de Summers, mas com muito menos fúria que na reunião da semana anterior.

Mesmo assim, ainda há sinais claros de dificuldades. O Harvard Crimson publicou em primeira página que dois importantes professores estão pensando em deixar a universidade. Um deles, Caroline Hoxby, é a única professora negra de economia da universidade.

Enquanto isso, defensores e detratores questionam a capacidade de Summers de liderar com sucesso a próxima grande campanha de Harvard para captar verbas para os próximos anos. A meta é arrecadar US$ 4 bilhões (em torno de R$ 10 bilhões), com planos de criação de um novo campus do outro lado do rio Charles, em Allston.

"Até certo ponto, essa controvérsia colocou Harvard em uma situação onde só tem a perder. Acho que não seria boa idéia e perderíamos muito se Larry renunciasse ou fosse forçado a sair. Por outro lado, há claros problemas agora, porque ele está enfraquecido, as pessoas estão tão irritadas, e o caminho a seguir não está claro. Acho que todos estão preocupados com isso", disse Sidney Verba, professor de governo e diretor da biblioteca da universidade, simpático a Summers.

"Civilidade básica"

Howard Gardner, professor de cognição da Faculdade de Educação, disse na sexta-feira que os reitores de Harvard tradicionalmente personificavam e refletiam "uma civilidade básica" que vitalizava os professores e funcionários e ajudava a tornar a universidade um lugar especial e importante.

"Sob Summers, essa civilidade foi esticada até se romper, e será difícil consertá-la", disse Gardner, que se descreveu como admirador do intelecto e visão do reitor. "Larry Summers tirou vantagem e talvez tenha se beneficiado demais dessa civilidade subjacente".

"Quantos outros episódios de enfraquecimento da universidade serão necessários para se chegar ao limite?" acrescentou Gardner. Summers disse que ele não sentia que sua autoridade estava enfraquecida ou que os membros do corpo docente queriam que saísse. Perguntado se achava que os críticos tinham sido injustos, ele foi conciliador, mas também disse que não aceitaria qualquer tipo de ataque.

"Acho que é muito importante as pessoas se sentirem livres para expressar suas opiniões; isso não significa que concordo com tudo que foi dito", disse Summers. Das críticas apresentadas nas reuniões dos professores neste mês: "Algumas coisas ditas eram corretas, com outras eu não concordo, algumas coisas espero que não sejam verdade", disse.

Ainda assim ele deixou claro várias vezes que queria estar aberto às críticas. Quando a repórter perguntou se responderia a mais uma pergunta enquanto um fotógrafo pedia que ficasse parado, ele respondeu: "Desde que você não escreva que o Summers, nada civilizado, não olhou para a repórter enquanto ela fazia uma pergunta".

Ele também concordou que seria interessante outra entrevista ao final do ano acadêmico, em maio, para avaliar suas mudanças.

"Três meses", disse ele. "É justo". Após comentário machista, Summers sofre oposição generalizada Deborah Weinberg

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