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02/03/2005

Brasil avança rápido e registra recordes em 2004

The New York Times
Todd Benson

Em São Paulo
A economia brasileira expandiu-se rapidamente em 2004, no ritmo mais veloz já registrado no espaço de uma década, graças a uma explosão das exportações e a um amplo crescimento das despesas de consumo no mercado interno. Este aumento da atividade ajudou-a a reagir, após três anos de crescimento moderado.

A agência de estatísticas do governo informou, nesta terça-feira (1/3), que o produto interno bruto (PIB) aumentou em 5,2% no ano passado, o que constitui a melhor performance registrada desde 1994, quando o Brasil adotou uma nova moeda, o real, para pôr fim a uma inflação agressiva e contínua. Em 2003, a expansão da economia brasileira, que é a maior da América do Sul, havia sido de 0,54% apenas.

A agência de estatísticas também indicou que o crescimento havia diminuído no quarto trimestre de 2004, o que sugere que a economia estava começando a se estabilizar.

Mesmo assim, os fortes resultados registrados no ano todo deverão provavelmente proporcionar algum alívio no plano político para o presidente de orientação esquerdista do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cuja administração sofreu recentemente uma derrota humilhante no Congresso, por ocasião da eleição do presidente da Câmara dos Deputados.

Os dados positivos da economia devem também ajudar Lula a rebater as críticas que ele tem recebido de seus próprios correligionários da esquerda, os quais o acusam de ter negligenciado as disparidades sociais escancaradas que caracterizam o país, dando continuidade à condução de políticas austeras no plano fiscal e monetário.

"A oposição vai certamente destacar o fato de que o crescimento diminuiu durante o último trimestre", avalia Mario Mesquita, o economista em chefe do banco ABN Amro em São Paulo. "Mas não há dúvida de que o governo vai tirar proveito em termos políticos destes números. Afinal, nós não víamos resultados como estes desde 1994".

Assim como outros países da América Latina que possuem recursos naturais abundantes, o Brasil foi beneficiado no ano passado com o crescimento econômico global e com o aumento das cotações de certas matérias-primas tais como a soja e o minério de ferro.

As exportações tiveram um salto de 17,9%, uma vez que os produtores se apressaram a satisfazer o apetite considerável da China por matérias-primas, o que ajudou o Brasil a registrar um excedente recorde da balança comercial, de US$ 33,7 bilhões (R$ 85,83 bilhões).

Uma grande parte do crescimento das exportações deve ser creditada à agricultura, a "âncora verde" da economia desta nação, um setor no qual a produção aumentou em 5,3%. O Brasil é o líder mundial da produção de carne bovina, de café, açúcar e laranjas, e o segundo produtor de soja, logo atrás dos Estados Unidos.

O mercado interno também conseguiu crescer, uma vez que uma queda das taxas de juros registrada no início do ano e uma diminuição da inflação contribuíram para trazer os consumidores de volta ás lojas. As despesas dos consumidores aumentaram em 4,3% no ano passado, o que serviu de combustível para uma expansão de 6,2% da produção industrial e para um aumento de 10,9% dos investimentos de capital.

Contudo, no quarto trimestre, a economia cresceu em 0,4% apenas, em relação ao trimestre precedente, o que despertou preocupações em relação à sustentabilidade desta expansão. O Banco Central aumentou as taxas de juros em seis oportunidades sucessivas desde setembro, com o objetivo de limitar a inflação, o que provocou muitas reclamações por parte dos dirigentes da indústria, que temem que os aumentos sucessivos do custo do dinheiro emprestado acabem provocando um descarrilamento da economia.

A taxa de juros de referência definida pelo Banco Central alcançou 18,75%; quanto à inflação, ela alcançou 7,4% para o período de 12 meses que se encerrou em janeiro.

Embora a maioria dos economistas afirme que os aumentos das taxas de juros ainda devam produzir efeitos significativos sobre a economia, alguns deles já revisaram para baixo as suas previsões de crescimento para 2005, o qual, segundo eles, deverá se situar entre 3,5% e 4%.

Um outro fator que poderia prejudicar o crescimento da economia brasileira no decorrer deste ano é a sua moeda, que andou se valorizando em relação ao dólar nos últimos meses, uma tendência que ameaça tornar as exportações do país menos competitivas nos mercados mundiais.

Embora as exportações tivessem se mostrado surpreendentemente dinâmicas desde o início do ano até agora, os economistas e alguns especialistas prevêem uma redução do excedente da balança comercial em 2005, pela primeira vez em quatro anos.

"Com a taxa do câmbio estacionada nos níveis atuais, a nossa margem de lucros sobre as exportações está praticamente inexistente", explicou Peter Hendel, vice-presidente da filial brasileira de eletrodomésticos do grupo multinacional Bosch & Siemens, que exporta geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupa. "Isso deverá produzir um impacto negativo sobre a balança comercial, mais tarde neste ano". Redução no 4º trimestre e queda do dólar trazem preocupações Jean-Yves de Neufville

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