UOL Notícias Internacional
 

03/03/2005

Ex-assistente de Michael Jackson diz temer pela segurança de quem o processa

The New York Times
Por John M. Broder*

Em Santa Maria, Califórnia
Uma consultora de relações públicas que foi contratada pelos conselheiros de Michael Jackson declarou sob juramento, nesta quarta-feira (2/3) estar temerosa com a possibilidade de que seguranças de Jackson tivessem seqüestrado a família do rapaz que está acusando o cantor de tê-lo molestado sexualmente, e de que eles pudessem ter armado uma trama visando a dar um "golpe sujo" na mãe do rapaz.

Ann Marie Kite é uma consultora de relações públicas de Las Vegas, no Estado de Nevada. Ela fora contratada pelo seu antigo namorado, um advogado que trabalhava então para Michael Jackson, para ajudar a limitar os prejuízos causados por um documentário que foi exibido na televisão em fevereiro de 2003, no qual Jackson reconheceu compartilhar a sua cama com crianças. Kite cumpriu a sua tarefa, pela qual ela recebeu US$ 10.000 (R$ 26.638), apesar de só ter atuado durante seis dias nesta função.

Ela explicou que o documentário, que foi produzido por Martin Bashir para o canal Independent Television na Inglaterra, havia representado "um desastre absoluto" para Michael Jackson.

Segundo ela, o prejuízo que o programa causou à imagem do popstar havia recebido "uma nota de 25, numa escala que vai de 1 a 10". Neste programa, Jackson é visto segurando a mão de um menino de 13 anos, um sobrevivente de um câncer, que mais tarde acusou Jackson de molestá-lo.

Kite, que adotou o nome profissional de Ann Gabriel, foi chamada pela promotoria, no processo contra a pop star, para dar sustentação à acusação segundo a qual Michael Jackson, junto com quatro cúmplices que não foram indiciados, tramou um plano que consistiu em seqüestrar e intimidar o queixoso e a sua família.

Além desta acusação de conspiração criminosa, Jackson responde a nove outras acusações por molestamento de crianças e por ter fornecido álcool a um jovem menor de idade de modo a propiciar a prática de abusos sexuais na sua pessoa.

"Os conselheiros de Jackson foram tomados pelo pânico quando o documentário de Bashir foi exibido e convocaram o menino e a sua família a comparecerem á sua fazenda, Neverland, perto daqui, para mantê-los à distância dos repórteres", contou Ann Marie Kite.

Em 13 de fevereiro de 2003, uma vez que as repercussões negativas do programa estavam crescendo, prosseguiu Kite, ela recebeu um telefonema de Marc Schaffel, que se mostrou extremamente agitado. Schaeffel, que é um conselheiro de Jackson e um dos supostos conspiradores, lhe disse que a mãe do menino havia levado toda a família embora de Neverland. Mais tarde durante aquele dia, ele voltou a ligar para dizer que "a situação havia sido controlada".

Kite explicou que ela havia ficado muito perturbada com essas ligações.

"Eu não entendi por que ele havia se mostrado tão enfático e preocupado com o fato de a família ter deixado a fazenda", afirmou a testemunha, respondendo a perguntas feitas por Gordon Auchincloss, um promotor do condado de Santa Barbara.

Ela contou ter contatado um ex-namorado, David LeGrand, a quem ela disse: "Será que eu entendi certo o que Schaffel me disse, que [a mãe] havia deixado a fazenda? Estou começando a achar que essas pessoas foram caçadas por aí, igual a cães, e que elas foram trazidas de volta para a fazenda e seqüestradas".

Kite explicou que ela não sabia ao certo por que a equipe de Michael Jackson a despedira seis dias apenas depois de ela ter começado o seu trabalho.

Ela contou que durante o último dia, ela se encontrava no set de filmagem do programa de televisão "Access Hollywood", preparando-se para defender Jackson, quando ela recebeu um telefonema de Mark Geragos, um advogado que atuava em nome de Jackson na época, e que lhe deu a ordem de cancelar a entrevista.

Ela disse que Geragos ligou para ela, pedindo-lhe para comparecer ao seu escritório no dia seguinte e que na ocasião, ele lhe pediu para assinar um acordo de confidência que a nomeava investigadora particular de Michael Jackson.

O documento teria por efeito de lhe atribuir um privilégio similar ao de um acordo privilegiado entre um advogado e o seu cliente, o que tornaria impossível para ela testemunhar perante um tribunal em qualquer processo envolvendo Jackson.

Ela recusou-se a assinar. Indagada se ela sabia por que, segundo ela, Geragos lhe havia pedido para assinar esse documento, ela respondeu: "Eu achei que esse documento havia sido preparado para me obrigar a ficar calada".

Prosseguindo, Kite contou que cerca de 10 dias depois de ter sido demitida ela conversou com o ex-namorado David LeGrand, que lhe contou que os assistentes de Jackson haviam tomado as providências necessárias para evitar problemas potenciais com a mãe do queixoso, a qual foi descrita pelos advogados da defesa como sendo "uma manipuladora gananciosa".

"Ele acrescentou que eles não precisavam mais se preocupar com a mãe, uma vez que eles a haviam gravado declarações que ela dera e que eles iriam fazê-la se parecer com uma puta de primeira-classe", disse Kite.

Em 19 de fevereiro, os assistentes de Michael Jackson haviam gravado declarações do acusador, dos seus irmãos e da sua mãe que tinham por objetivo apoiar Jackson e que seriam utilizadas num programa que estava sendo preparado para rebater o documentário de Bashir.

O advogado principal de Michael Jackson, Thomas A. Mesereau Jr., interrompeu em oportunidades sucessivas o interrogatório de Kite, lançando mão de objeções em relação á pertinência do seu depoimento e questionando as suas qualificações para responder a perguntas sobre Jackson, o qual ela disse nunca ter encontrado.

Durante o contra-interrogatório que foi conduzido por Mesereau, Kite disse que o único outro cliente a ter requisitado os seus serviços de conselheira em relações públicas era um hipnotizador de Las Vegas que realizava comerciais informativos para a televisão.

Ela também acrescentou que ela nunca havia se encontrado pessoalmente com qualquer um dos participantes citados da suposta conspiração organizada por Jackson.

Mesereau foi repreendido pelo juiz Rodney S. Melville, da Corte Superior do condado de Santa Bárbara, quando este perguntou repetidamente a Kite se ela havia visto algum dia Michael Jackson fazer qualquer coisa errada.

"Senhor advogado, esta é a décima vez que o senhor faz esta pergunta hoje", disse Melville. "Eu gostaria que olhasse para este júri e se dê conta de que os seus membros estão cansados de ouvir este comentário. O senhor deve destacar este argumento e apresentá-lo uma vez, sem repeti-lo até a exaustão".

*Colaborou Nick Madigan. Ela teria testemunhado fatos que podem comprometer o cantor Jean-Yves de Neufville

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host