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03/03/2005

Greenspan adverte que o déficit é "insustentável"

The New York Times
Edmund L. Andrews

Em Washington
Alan Greenspan, o presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano, advertiu nesta quarta-feira (2/3) que os déficits orçamentários dos Estados Unidos estão "insustentáveis", e conclamou o Congresso a considerar, como possíveis soluções, o corte dos gastos ou o aumento dos impostos.

Doug Mills/The New York Times

Presidente do Fed fala sobre o déficit no Congresso americano
Em seu mais sombrio comentário sobre o desempenho orçamentário do governo, Greenspan advertiu que os desequilíbrios anuais "não deverão melhorar nos próximos anos, a não ser que sejam tomadas ações maiores visando a redução do déficit".

O presidente do Fed enfatizou que sua grande preferência era pela redução do déficit por meio do corte nos gastos, e não pelo aumento dos impostos.

Mas ele insistiu que o Congresso precisaria equilibrar os custos que virão, após se tornarem permanentes alguns cortes nos impostos estabelecidos por Bush.

"Administrar os desequilíbrios do governo irá exigir um estudo detalhado tanto dos gastos quanto dos impostos", disse Greenspan aos membros do Comitê Orçamentário da Câmara dos Representantes.

Embora o presidente do Fed já tenha feito pedidos semelhantes no passado, agora falou com mais veemência e discordou de forma mais dura em relação aos legisladores republicanos e ao presidente Bush, que se recusaram firmemente a restringir projetos para novos cortes nos impostos.

"Quando você começa a fazer a aritmética do que quer dizer o aumento da dívida implícito nos déficits, e você acrescenta os juros a essa dívida sempre crescente, considerando que esses juros são cada vez mais altos, o sistema se torna desestabilizador do ponto de vista fiscal", disse Greenspan.

"A não ser que venhamos a fazer algo para aperfeiçoar a situação de forma bem significativa, estaremos num estado de estagnação."

Os comentários de Greenspan surgiram enquanto líderes na Câmara e no Senado tentam elaborar uma resolução sobre o orçamento, com um plano para os gastos e para a legislação tributária desse ano, que eles esperam apresentar já na próxima semana.

Uma questão importante nessas discussões é se haverá inclusão de provisões que facilitem a extensão do plano de cortes de impostos apresentados por Bush, que é uma das prioridades da Casa Branca.

Nenhum dos grandes cortes de impostos planejados por Bush deverá expirar esse ano, mas os cortes tributários estabelecidos em 2003, quanto a dividendos das ações e ganhos de capital, tem final previsto para 2008, e outros grandes cortes nos impostos irão expirar somente ao final de 2011.

Tornar permanentes todos esses cortes nos impostos, como quer Bush, acrescentaria cerca de U$ 1,8 trilhão (equivalente a R$ 4,9 trilhões) à dívida federal nos próximos 10 anos, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso, não-partidário.

O deputado Jim Nussle, republicano de Iowa e presidente da Comissão Orçamentária da Câmara dos Representantes, imediatamente reagiu aos comentários de Greenspan, sobre a necessidade de restrições aos futuros cortes nos impostos.

"Eu detestaria ver uma regra arbitrária em ação", disse Nussle, observando que os democratas já se manifestaram duramente contra a proposta de Bush para redução de impostos sobre dividendos e ganhos de capital --um corte tributário que Greenspan endossou em 2003 e que na opinião dele deveria ser referendado como permanente.

Diante dessa observação, Greenspan manteve seu ponto de vista, alegando que o princípio "prioritário" era o de reduzir o déficit e que cabia aos legisladores a disposição para o acordo.

"O princípio que considero estar presente aqui é que não se pode apresentar continuamente leis que tendem a expandir o déficit orçamentário", disse o presidente do Fed, acrescentando que o "acordo é essencial" e que essa é uma questão de "economia política".

Como já havia feito no passado, o presidente do Fed destacou principalmente os problemas fiscais de longo prazo que deverão emergir na Previdência Social, depois que a geração do baby-boom, nascida após a Segunda Guerra Mundial, começar a entrar na idade da aposentadoria, em 2008.

Greenspan apoiou enfaticamente o plano do presidente Bush de permitir que as pessoas desviem alguns de seus impostos referentes à Previdência Social para contas privadas. Mas o presidente do Fed reivindicou cortes muito maiores que os sugeridos por Bush no que diz respeito aos programas de apoio à velhice, focando tanto no programa Medicare quanto na Previdência Social. Presidente do Fed defende aumento de impostos e corte de gastos Marcelo Godoy

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