UOL Notícias Internacional
 

03/03/2005

Maioria reprova as políticas de Bush dentro e fora dos EUA, aponta pesquisa

The New York Times
Janet Elder* e

Adam Nagourney

Em Nova York
Os americanos dizem que o presidente Bush não compartilha das prioridades da maioria do país em questões domésticas e nem em externas, estão cada vez mais resistentes à sua proposta de reforma do Seguro Social e dizem que não têm confiança na capacidade de Bush de tomar as decisões certas sobre o programa de aposentadoria, segundo a mais recente pesquisa The New York Times/CBS News.

Stephen Crowley/NYT

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A pesquisa ressalta quão pouco progresso Bush conseguiu para obter apoio à reforma do Seguro Social à medida que ela é negociada no Congresso. Ao mesmo tempo, há um aumento no número de entrevistados que dizem que os esforços para restaurar a ordem no Iraque estão se saindo bem, enquanto a maioria diz que Bush não tem um plano claro para sair do Iraque.

No Seguro Social, 51% disseram que a permissão para que indivíduos invistam parte de suas contribuições em contas privadas, a peça central do plano de Bush, é uma má idéia, apesar da maioria concordar com Bush que o Seguro Social será insolvente por volta da metade do século se nada for feito.

O número dos que acharam que as contas privadas eram uma má idéia saltou para 69% quando os pesquisados eram informados que as contas privadas resultariam em redução nos benefícios garantidos pelo governo. E 45% disseram que o plano de contas privadas de Bush na verdade enfraquecerá a base econômica do sistema de aposentadoria do país.

Em um sinal dos obstáculos políticos diante da Casa Branca, a maioria disse que apoiaria o aumento da faixa da renda sujeita à contribuição em folha para o Seguro Social acima de seu atual teto de US$ 90 mil --uma idéia que foi apresentada por Bush mas derrubada pelos líderes republicanos no Congresso.

Mas há uma forte resistência às outras opções disponíveis para Bush e os legisladores para reparar o sistema --em particular a elevação da idade para aposentadoria ou tornar a participação voluntária.

Apesar do argumento de Bush de que os indivíduos deveriam receber mais controle sobre suas economias de aposentadoria, quase quatro entre cinco entrevistados disseram que é responsabilidade do governo assegurar um padrão de vida decente para os idosos.

A pesquisa foi a primeira conduzida pelo NYT e pela CBS News desde a posse do segundo mandato do presidente. Ela ocorre após seis semanas agitadas para o governo, nas quais Bush testemunhou eleições bem-sucedidas no Iraque --que ele saudou como uma validação de sua decisão de remover Saddam Hussein-- mas também representaram o período mais duro que ele encontrou no Capitólio, enquanto lutava para obter apoio para a principal proposta de seu segundo mandato.

Em um aparente reflexo do sucesso das eleições iraquianas, 53% disseram que os esforços para impor a ordem no Iraque estão indo bem ou mais ou menos bem, um aumento em relação aos 41% de um mês atrás. Este é o percentual mais elevado neste item desde a captura de Saddam Hussein.

Ainda assim, 42% agora dizem que seria melhor Bush ter lidado com a ameaça da Coréia do Norte antes de invadir o Iraque, em comparação com 45% que acham que Bush estava correto em se concentrar primeiro no Iraque.

Quatro meses após Bush ter conquistado a reeleição sobre o senador John Kerry, democrata de Massachusetts, 63% dos pesquisados disseram que o presidente tem diferentes prioridades em questões domésticas do que a maioria dos americanos.

Quando lhes foi pedido que escolhessem cinco questões domésticas que o país está enfrentando, o Seguro Social apareceu em terceiro lugar --atrás de empregos e atendimento de saúde. E quase 50% disseram que os democratas provavelmente tomariam as decisões acertadas sobre o Seguro Social, em comparação com 31% que disseram o mesmo sobre os republicanos.

"Há tantas outras coisas que me parecem ser mais críticas e imediatas: eu acho que a dívida pública é algo que precisa ser tratado imediatamente", disse Irv Packer, um republicano do Missouri de 66 anos, acrescentando: "Outra em que eu realmente gostaria de ver as pessoas agindo é o meio ambiente".

Lisa Delaune, uma estudante de 37 anos de Houston e que é membro do Partido Verde, disse na entrevista pós-pesquisa: "Minha opinião é que o presidente favorece os grandes negócios acima da saúde, bem-estar e estabilidade geral de toda a população americana".

Bush não parece estar em sintonia com a nação no que a Casa Branca há muito tempo considera seu ponto mais forte: 58% dos entrevistados disseram que a Casa Branca não compartilha as prioridades de política externa da maioria dos americanos.

Apesar disto tudo, o índice de aprovação de Bush continua inalterado, em 49%, em relação ao mês passado, sugerindo que o desacordo com as idéias de Bush ainda não afetou a forma como os americanos o vêem.

A pesquisa NYT/CBS News foi realizada por telefone com 1.111 adultos entre quinta-feira e segunda-feira. Ela apresenta uma margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Se os americanos estão ambivalentes sobre a necessidade de Washington reformar o Seguro Social, a pesquisa apresentou uma forte preocupação com o déficit orçamentário, com a maioria culpando Bush.

60% de todos os entrevistados --incluindo 48% que se descreveram como conservadores-- disseram que desaprovam a forma como Bush está administrando o déficit. E 90% de todos os entrevistados descreveram o déficit como um problema sério ou muito sério.

A atenção no Seguro Social pode até ter agravado a preocupação com o déficit. Cerca de 30% disseram que o custo da proposta de Bush para criação de contas privadas aumentaria o déficit. E em outra questão, cerca de 40% disseram que a proposta orçamentária de Bush, feita no mês passado, também resultaria em um aumento do déficit, apesar dos cortes profundos propostos por Bush.

A pesquisa ressalta a dificuldade que Bush enfrentará para tentar reformar o Seguro Social, dado que o coração da estratégia da Casa Branca tem sido vender à população a necessidade de reformar o sistema, no cálculo de que isto faria o Congresso apoiar Bush. Mas até o momento, pelo menos, a evidência é de que a campanha não está sendo bem-sucedida.

De fato, o percentual da população que acha que é uma boa idéia permitir que as pessoas invistam em contas privadas continua tão baixo quanto quando a questão foi feita pela primeira vez, em maio de 2000.

Sem sintonia

"Eu não acho que ele está escutando as pessoas em relação ao Seguro Social", disse Beverly Workman, uma democrata de Virgínia Ocidental que disse ter votado em Bush. "Eu acho que a população quer que ele não mexa nele."

Jim Choi, 34 anos, um trabalhador desempregado do setor de biotecnologia da Califórnia, disse: "Pela forma como o sistema está estruturado, ele não falirá. As pessoas vão dar um jeito; nós todos nos adaptaremos".

Mesmo assim, o argumento de Bush de que o sistema está se aproximando da falência --uma alegação contestada pelos democratas e por analistas independentes-- parece estar pegando.

Dois terços dos entrevistados disseram que o sistema falirá por volta de 2042 se nada for feito para repará-lo. 61% disseram que o programa funcionou bem até agora, mas que a próxima geração precisará de um programa diferente para assegurar que receberão os benefícios de aposentadoria.

E 55% disseram que os problemas com o Seguro Social são sérios o bastante a ponto de precisarem ser consertados agora, em comparação com 35% que disseram que não há necessidade de serem tratados pelos próximos 10 ou 15 anos.

As eleições no Iraque contribuíram para alguma melhoria na percepção da política de Bush lá, apesar de ainda estar longe de ser popular. Nesta pesquisa mais recente, 50% disseram que desaprovam sua política para o Iraque, uma queda em comparação aos 55% de um mês atrás, enquanto 45% aprovaram, um aumento em relação a 40% no mês anterior.

Quanto à Coréia do Norte, 81% disseram que o país de fato agora tem armas nucleares, e 7 em cada 10 disseram que ela representa uma séria ameaça aos Estados Unidos.

Todavia, a maioria dos americanos disse ser contra uma ação preventiva contra a Coréia do Norte caso os esforços diplomáticos fracassem --uma mudança em relação a antes da guerra no Iraque, quando a maioria disse que apoiaria uma ação militar caso os esforços diplomáticos fracassassem.

*Colaborou Fred Backus. Ação no Iraque e reforma na previdência americana são rejeitadas George El Khouri Andolfato

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