UOL Notícias Internacional
 

04/03/2005

População carcerária do Iraque incha à medida que EUA endurece políticas

The New York Times
Edward Wong

Em Abu Ghraib, Iraque
Os principais centros de detenção das forças armadas americanas no Iraque estão atingindo sua capacidade máxima e estão contendo mais pessoas do que nunca, disseram altos oficiais militares.

Shawn Baldwin/The New York Times

Militares americanos controlam a entrada de visitantes ao presídio de Abu Ghraib, no Iraque
A crescente população carcerária reflete mudanças na forma como as forças armadas têm travado a guerra e em suas políticas em relação aos prisioneiros, disseram os oficiais.

Os militares prenderam muitos iraquianos antes das eleições de 30 de janeiro, em uma tentativa de coibir a violência, e suspendeu todas as solturas antes da eleição. Outros presos foram capturados em ambiciosas ofensivas recentes por todo o Triângulo Sunita, de Samarrato a Fallujah até o Vale do Rio Eufrates, ao sul de Bagdá.

O escândalo de abusos em Abu Ghraib também forçou mudanças no sistema, com os militares trabalhando rapidamente no verão passado para realizar a triagem dos detidos cujo lugar obviamente não era a prisão. Muitos dos remanescentes provavelmente terão sua soltura negada pela comissões de revisão, disseram oficiais militares.

Nesta semana, as forças armadas contam com pelo menos 8.900 presos em três grandes prisões, 1.000 a mais do que no final de janeiro. Aqui em Abu Ghraib, onde oito soldados americanos foram acusados no ano passado de terem cometido abusos contra prisioneiros, 3.160 pessoas estão sendo mantidas, bem acima do nível considerado ideal de 2.500, disse o tenente-coronel Barry Johnson, um porta-voz do sistema carcerário. O maior centro, o Campo Bucca no Sul, tem pelo menos 5.640 presos.

Cem dos chamados prisioneiros de alto valor, incluindo Saddam Hussein e seus principais assessores, estão sendo mantidos no Campo Cropper, perto do aeroporto de Bagdá.

"Nós agora estamos muito próximos da capacidade máxima", disse Johnson.

O número crescente de presos apresenta importantes desafios para as forças armadas. O escândalo de Abu Ghraib revelou que as forças armadas estavam utilizando interrogadores mal treinados à medida que mais presos eram levados para a prisão no outono de 2003.

As forças armadas precisam contratar interrogadores eficientes e oficiais de inteligência militar suficientes para a rápida triagem dos presos, disse Bruce Hoffman, um analista da Corporação Rand que trabalhou no Iraque com autores de política americanos. Caso contrário, pessoas inocentes abandonadas nas prisões, um campo fértil de recrutamento para os rebeldes, poderão pegar em armas quando forem soltas.

Ao longo da guerra, as forças armadas americanas têm se esforçado para construir um sistema de detenção capaz de lidar com a ampla e sofisticada insurreição, mas nunca antes o sistema teve que lidar com tantos presos. Insatisfação com prisões indevidas pode aumentar a insurgência George El Khouri Andolfato

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