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05/03/2005

Bush e democratas levam o debate sobre o Seguro Social para a estrada

The New York Times
David Stout

Em Washington
O presidente Bush e senadores democratas caíram a estrada nesta sexta-feira (4/3) para vender suas posições conflitantes sobre o futuro do Seguro Social, com o presidente prometendo fechar o buraco na rede de proteção do sistema e os democratas dizendo para "não prejudicá-lo".

"Eu não concorri ao cargo para me esquivar de problemas", disse Bush em Westfield, Nova Jersey, onde novamente promoveu a idéia de contas privadas de investimento opcionais dentro do sistema de aposentadoria para trabalhadores mais jovens.

The president said he had a message for those younger workers: "You better listen carefully to this debate, because you're the ones who are going to have to pay for it. And if I were you, I'd be saying, 'Well, if we have a problem, Mr. President, what do you and the Congress intend to do about it?' "

O presidente afirmou que tinha uma mensagem para os trabalhadores mais jovens: "Vocês devem ouvir cuidadosamente este debate, porque são vocês que pagarão por ele. Se eu fosse vocês, eu estaria dizendo 'bem, se nós temos um prblema, presidente, o que o senhor e o Congresso pretendem fazer a respeito?'"

O líder da minoria democrata no Senado, Harry Reid, do Estado de Nevada, disse que os democratas tinham uma resposta, concebida a partir dos ensinamentos de Hipócrates: "Em primeiro lugar, não cause danos".

"Os democratas reconhecem que o Seguro Social enfrenta um desafio financeiro a longo prazo", disse Reid em uma declaração. "Nós estamos prontos para trabalhar com o presidente Bush para fortalecer o Seguro Social, mas precisamos fazê-lo direito. Isto significa não prejudicá-lo e nem cortar o financiamento do Seguro Social desviando trilhões de dólares."

O sistema do Seguro Social atualmente recebe mais dinheiro das contribuições descontadas em folha de pagamento do que paga aos aposentados. Mas atuários projetam que, com a aposentadoria inevitável de legiões de baby-boomers, a geração pós-Segunda Guerra Mundial, em 2018, o sistema começará a pagar mais benefícios do que receber contribuições.

De 2018 até 2042, o sistema será capaz de pagar todos os benefícios prometidos segundo a atual lei explorando os recursos de seu fundo de títulos do governo. Depois disto, ele será capaz de pagar três quartos dos benefícios prometidos pela lei atual.

"O Seguro Social tem fornecido uma rede de proteção para muitos aposentados", disse Bush em Nova Jersey, antes de voar para South Bend, Indiana, para transmitir uma mensagem semelhante para uma platéia da Universidade de Notre Dame. "Mas há um buraco na rede de proteção. E precisamos assegurar a salvação da rede de proteção para as futuras gerações de americanos."

O público para a "conversa" sobre o Seguro Social era amistoso, com várias pessoas elogiando as propostas de Bush. Olivia S. Mitchell, uma professora da Escola Wharton de administração da Universidade da Pensilvânia e membro democrata da bipartidária Comissão para o Fortalecimento do Seguro Social, disse a Bush que ele estava no caminho certo. Citando o futuro déficit, ela disse: "Este não é o Seguro Social, esta é a insegurança social e nós temos a responsabilidade de consertá-lo".

Os democratas concordam que os políticos têm a responsabilidade de consertar as coisas. Mas muitos também disseram que a proposta de Bush apenas piorará as coisas. Assim, vários senadores partiram na sexta-feira para suas próprias viagens de campanha de dois dias por quatro cidades, agendando encontros públicos em Nova York, Filadélfia, Phoenix e Las Vegas.

Reid foi acompanhado pelos senadores Richard Durbin, de Illinois, e Byron Dorgan, de Dakota do Norte. Juntar-se-ão a eles em Nova York os dois senadores democratas do Estado, Hillary Rodham Clinton e Charles E. Schumer, assim como John Kerry, de Massachusetts, e Frank Lautenberg, de Nova Jersey.

Na quinta-feira, Reid enviou ao presidente Bush uma carta assinada por quase todos os 44 democratas do Senado. Os senadores disseram que ficaram encorajados pela sugestão do secretário do Tesouro, John Snow, de que as contas privadas de investimento poderiam ser estabelecidas totalmente à parte do Seguro Social. Os senadores pediram a Bush para "anunciar publicamente e sem ambigüidade que você rejeita contas privadas financiadas por dólares do Seguro Social".

Mas com base nos mais recentes comentários de Bush, que estavam de acordo com seus comentários anteriores, isto poderá não acontecer.

Ainda assim, Bush enfrenta o desafio formidável de convencer não apenas os políticos democratas, mas a população sobre os méritos de seu programa.

Em uma pesquisa de The New York Times/CBS News divulgada nesta semana, 51% dos entrevistados disseram que a permissão para que indivíduos invistam parte de suas contribuições para o Seguro Social em contas privadas, a peça central do plano de Bush, era uma má idéia, apesar de a maioria ter dito que concordava com Bush de que o programa se tornará insolvente perto da metade do século se nada for feito.

O número dos que achavam as contas privadas uma má idéia saltou para 69% quando os entrevistados eram informados que as contas privadas resultariam em uma redução nos benefícios garantidos. E 45% disseram que o plano de conta privada de Bush na verdade enfraqueceria as bases econômicas do sistema de aposentadoria da nação.

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