UOL Notícias Internacional
 

05/03/2005

Deter as drogas ilegais ainda é nadar contra a corrente, mostra relatório

The New York Times
Joel Brinkley

Em Washington
Vinte anos depois de aprovada a lei que autoriza os EUA a penalizar países que não controlam a produção de narcóticos ilícitos, os mesmos, em geral, estão produzindo grandes quantidades de heroína, cocaína, maconha e outras drogas perigosas, de acordo com o relatório anual do Departamento de Estado sobre o tráfico de drogas, divulgado nesta sexta-feira (4/3).

Os EUA vêm fornecendo ajuda para o combate ao narcotráfico a uma dúzia de países há mais de duas décadas, usando quase US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 2,6 bilhões) por ano nos últimos anos. Os relatórios sempre incluem grande erradicação de plantios e apreensões de drogas ilícitas. Mas neste ano, como sempre, os sinais de progresso são superados pelo peso do problema.

Por exemplo, o Departamento de Estado disse em 1985 que o Peru, um dos maiores produtores de cocaína, destruíra 30 quilômetros quadrados de plantações de coca, usadas para fabricar a droga, mas que mesmo assim o narcotráfico prosperava.

O novo relatório diz que o Peru devastou quase 100 quilômetros quadrados de plantações de coca no ano passado, mas admitiu que "o cultivo denso da planta está aumentando".

"As tendências são boas. Estamos fazendo progressos na repressão", insistiu o secretário adjunto de Estado Robert B. Charles, referindo-se especificamente aos últimos anos.

O relatório também mostrou que a produção da papoula do ópio estava crescendo no Afeganistão, apesar da presença de tropas americanas no país há mais de dois anos. A produção da papoula triplicou no ano passado, depois de duplicar em 2002, primeiro ano após os EUA derrubarem o Taleban.

Segundo o informe deste ano, o crescimento da produção de papoula é "uma enorme ameaça à segurança mundial" e o Afeganistão está "em vias de se tornar um Estado de narcóticos".

A partir de 1985, o relatório foi usado para determinar quais países não estavam fazendo esforços significativos para controlar o tráfico de drogas e portanto sofreriam cortes na ajuda americana. A autoridade de reduzir a ajuda foi usada apenas uma vez nas duas últimas décadas contra um país aliado ou amigável --a Colômbia, em 1994.

No ano passado, o presidente Bush impôs sanções apenas a Mianmar, antes conhecido como Burma. Os EUA não mantêm relações diplomáticas com Mianmar, importante produtor de papoula. A decisão deste ano só será feita no outono.

Há dois anos, o governo Bush acabou com a associação oficial entre o relatório e quem receberá assistência, mas Charles disse que o estudo ainda é o mais detalhado do governo. Ele lista 22 países como grandes produtores ou traficantes de drogas.

A maior parte é incluída há décadas. Em 1985, o relatório observou que a Jamaica era importante produtora de maconha e que "o governo jamaicano não estabeleceu metas em relação à erradicação da Cannabis".

O novo informe descreve uma série de iniciativas do governo jamaicano para o combate às drogas, mas observa que a Jamaica continua sendo "o maior produtor e exportador de Cannabis do Caribe".

Um relatório distinto, divulgado na sexta-feira pela Administração de Serviços de Saúde Mental e Abuso de Substâncias, disse que o número de americanos que buscaram tratamento para vício em maconha triplicou entre 1992 e 2002.

Falando aos repórteres na sexta-feira à tarde, Charles, chefe do Escritório Internacional de Narcóticos e Assuntos de Fiscalização da Lei do Departamento de Estado, admitiu o desafio de seu trabalho sisifista.

"Vencer a guerra às drogas", disse ele, "não significa que nós vamos prender todos os bandidos e os futuros bandidos e pronto". Isso provavelmente nunca vai acontecer, admitiu.

"O que queremos salientar são as tendências", acrescentou.

Ele observou que o número de países listados como grandes nações traficantes caiu de 23 para 22 neste ano. Pela primeira vez em mais de 20 anos, a Tailândia não foi incluída; o governo disse que a Tailândia deixou de ter um papel importante no comércio de drogas.

O relatório também elogia a Colômbia por ter apreendido grandes quantidades de cocaína e erradicado muitos hectares de plantações de coca e papoula. Mas, conclui: "A Colômbia é a fonte de mais de 90% da cocaína e 50% da heroína que entram nos EUA." Produção de narcóticos supera esforço crescente para detê-la Deborah Weinberg

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