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08/03/2005

Aspirina tem efeitos diferentes em homens e mulheres, conclui pesquisa

The New York Times
Mary Duenwald

Em Nova York
O uso regular de pequenas doses de aspirina não ajuda a prevenir o primeiro ataque cardíaco nas mulheres como ocorre nos homens, revelou um estudo de 10 anos envolvendo mulheres com saúde.

As participantes no Estudo da Saúde das Mulheres que tomaram 100 miligramas de aspirina dia sim, dia não, não apresentaram uma probabilidade menor de sofrer ataques cardíacos do que aquelas do grupo que recebeu placebo. Cada grupo contava com cerca de 20 mil membros.

Mas a aspirina pareceu ajudar a proteger as mulheres contra derrames --algo que a droga não pareceu fazer de forma conclusiva para os homens.

"O que foi realmente surpreendente e não previsto foi esta diferença de gênero", disse a dra. Elizabeth G. Nabel, diretora do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue, que ajudou a financiar o Estudo da Saúde das Mulheres. O estudo envolvendo mulheres com saúde com mais de 45 anos, conduzido pelo Brigham and Women's Hospital em Boston, foi o primeiro grande teste clínico que visava especificamente os efeitos da aspirina nas mulheres.

Estudos anteriores da aspirina se concentraram inteiramente ou principalmente em homens.

Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira (7/3) no congresso do Colégio Americano de Cardiologia em Orlando, Flórida, e serão publicados na edição de 31 de março do "The New England Journal of Medicine".

As mulheres que tomaram aspirina tiveram praticamente o mesmo número de ataques cardíacos que as participantes que tomaram placebo. Mas o número de derrames no grupo da aspirina foi 17% menor. E as mulheres que tomaram aspirina apresentaram um risco particularmente baixo de derrame isquêmico, o tipo mais comum, causado por um coágulo em uma artéria que leva ao cérebro --24% menor do que no grupo que tomava placebo.

O risco de derrame hemorrágico, o tipo causado por sangramento, foi ligeiramente maior no grupo que tomava aspirina, como esperado, porque a aspirina reduz a tendência de coagulação do sangue.

"O fato de ter ocorrido um benefício no derrame é muito importante para as mulheres", disse a dra. Julie E. Buring, a principal pesquisadora, "porque nós tivemos muito mais derrames em nosso estudo do que tivemos ataques cardíacos".

Ao longo dos 10 anos em que o estudo foi conduzido, as participantes apresentaram um total de 391 ataques cardíacos e 487 derrames. O número maior de derrames aponta o que pode ser uma diferença importante entre homens e mulheres e pode explicar o motivo de doenças cardíacas serem freqüentemente consideradas um problema maior para os homens do que para as mulheres --apesar de mais mulheres do que homens morrerem disto a cada ano, disse Nabel.

"Talvez no passado os cardiologistas tenham se concentrado muito no coração e nos ataques cardíacos e não o suficiente nos derrames", disse Nabel. "Talvez isto fará os cardiologistas, neurologistas, médicos de doenças internas e médicos de família pensarem mais amplamente sobre como a doença cardiovascular realmente afeta o coração e o cérebro", ela acrescentou.

Dado que tanto os derrames quanto os ataques cardíacos são causados por coágulos de sangue nas artérias, ainda não se sabe exatamente por que a aspirina protege as mulheres apenas contra derrames. A explicação pode estar ligada ao tamanho dos vasos sangüíneos que levam ao cérebro, que são menores do que os que levam ao coração, disse Buring.

Buring disse que recomendações para o uso de aspirina por mulheres que não tiveram um ataque cardíaco ou derrame devem ser consideradas diante dos novos resultados. "Nós precisamos avaliar se esta complexidade adicional nas mulheres deve ser considerada de alguma forma", disse ela.

Entre as mulheres que tomaram aspirina, o risco de todos "eventos cardiovasculares" somados --incluindo ataques cardíacos, derrames e morte por problemas cardiovasculares- foi 9% menor do que no grupo que tomou placebo. Tal diferença não é significativa, disseram os pesquisadores.

"A principal mensagem disto é que as mulheres de baixo risco não obtêm um benefício protetor contra doença cardíaca com uma baixa dose de aspirina", disse o dr. Sidney C. Smith, diretor do centro de medicina cardiovascular da Universidade do Norte da Califórnia, que ajudou a escrever as diretrizes da Associação Americana do Coração para prevenção de doença cardíaca nas mulheres.

Apenas para 4 mil mulheres no estudo, que tinham 65 anos ou mais, a aspirina pareceu ser protetora. As mulheres desta idade que tomaram aspirina apresentaram um risco 26% menor de um grande problema cardiovascular do que as que tomaram placebo. Seu risco de ataque cardíaco, em particular, foi 34% menor.

Buring notou que o risco de ataque cardíaco na mulher aumenta mais na idade avançada do que nos homens. Ele aumenta particularmente após a menopausa, presumivelmente porque é quando a mulher perde o efeito protetor do estrogênio natural.

"Pode ser que aos 65 anos as mulheres simplesmente estejam velhas o bastante, de forma que passam a ter ataques cardíacos, de forma que se beneficiariam em tomar aspirina", disse ela. "Parece que para as mulheres com mais de 65 anos pode haver um benefício real em tomar uma pequena dose de aspirina, mas não para as mulheres com menos de 65 anos."

Estudos em homens indicaram que a aspirina os protege contra ataques cardíacos. Em 1989, por exemplo, o Estudo de Saúde dos Médicos envolvendo homens com saúde de 40 a 84 anos revelou que aqueles que receberam 325 miligramas de aspirina (a quantidade em um comprimido comum) dia sim, dia não, apresentaram uma redução de 44% em seu risco de ataque cardíaco. Estudos subseqüentes empregando doses menores de aspirina apresentaram um benefício semelhante nos homens.

A quantidade de aspirina tomada pelas mulheres no Estudo de Saúde das Mulheres --100 miligramas dia sim, dia não-- é menor do que a quantidade que uma pessoa recebe tomando diariamente uma aspirina infantil, que contém 81 miligramas.

Mas os pesquisadores notaram que ainda assim a quantidade menor apresentou os efeitos esperados sobre os coágulos de sangue, como ficou evidenciado pelas análises de sangue, pelo risco reduzido de derrame e pela maior incidência de sangramento.

As mulheres no grupo da aspirina apresentaram 40% mais episódios de severo sangramento gastrointestinal do que aquelas no grupo de controle, e também experimentaram mais episódios de sangramentos menores e hematomas.

Como a terapia com aspirina apresenta o risco de sangramento, os médicos a recomendam apenas para homens e mulheres com um risco elevado de doença cardíaca --avaliada por fatores como pressão alta, histórico de doença cardíaca da família, diabete, fumo e obesidade.

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos, que emite diretrizes para prática médica, recomenda que os médicos considerem a terapia de aspirina para homens e mulheres cujo risco de doença cardíaca em cinco anos seja de pelo menos 3%.

A Associação Americana do Coração distingue entre homens e mulheres no levantamento do risco. Os homens cujo risco de doença cardíaca nos próximos 10 anos é de pelo menos 10% são considerados candidatos à terapia com aspirina, mas as mulheres não devem ser aconselhadas a tomar aspirina a menos que seu risco em 10 anos seja de 20%, ou se for de 10% e apresentarem pressão alta controlada.

Os novos resultados do Estudo da Saúde das Mulheres valida o estabelecimento de um nível mais elevado de risco para as mulheres, disse Smith. "A mensagem realmente grande aqui é que as mulheres precisam saber seu risco", ele acrescentou.

Pessoas que já sofreram um ataque cardíaco ou derrame são tipicamente aconselhadas pelos seus médicos a tomarem uma pequena dose diária de aspirina, porque as pesquisas estabeleceram claramente seu benefício na prevenção de ataques cardíacos subseqüentes. A aspirina também é recomendada para pessoas que estão experimentando sintomas de um ataque cardíaco.

"Se você está tendo um ataque cardíaco, isto significa que você já tem um coágulo", disse Buring. "Se você tomar uma aspirina, ela impedirá a formação de outro coágulo."

O Estudo da Saúde das Mulheres também buscou medir o efeito do uso de suplementos de vitamina E. As mulheres foram escolhidas aleatoriamente para tomar 600 unidades internacionais de uma pílula de vitamina E ou um placebo dia sim, dia não. Os suplementos pareceram não ter nenhum efeito na prevenção de doença cardíaca ou derrame ou em causar quaisquer problemas de saúde. Nelas, medicamento evita derrames e, neles, ataques cardíacos George El Khouri Andolfato

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