UOL Notícias Internacional
 

08/03/2005

Noruega prende assaltantes de obras de Munch

The New York Times
Walter Gibbs

Em Oslo, Noruega
Numa ação policial que os apreciadores da arte gostariam que ajudasse a esclarecer o desaparecimento da obra-prima existencial "O Grito", de Edvard Munch, nove pessoas foram presas na capital norueguesa na noite desta segunda-feira (7/3), pelo roubo de três obras menores de Munch.

The New York Times Image

"O Grito", o símbolo da angústia de uma época; a obra-prima de Munch foi roubada em agosto de 2004
As três obras --sua aquarela "Blaa Kjole", ou "Vestido Azul", e mais duas litografias-- foram roubadas na noite deste domingo (5/3) de um restaurante de hotel em Moss, a pouco mais de 50 quilômetros ao sul de Oslo.

"Nove pessoas foram presas, e o trabalho artístico foi todo recuperado", disse Trond Puck, chefe de operações da polícia norueguesa.

As prisões ocorreram após uma perseguição policial, que terminou quando um carro da polícia colidiu com o veículo ocupado pelos suspeitos em fuga.

As obras de arte aparentemente foram encontradas num prédio no bairro de Kampen, em Oslo, a cerca de um quilômetro do Munch Museum, de onde ladrões armados haviam levado uma das duas versões pintadas de "O Grito" --a outra versão está na Galeria Nacional da Noruega-- e outra obra-prima de Munch, a "Madonna", mo dia 22 de agosto do ano passado.

Um porta-voz da polícia disse que não havia indícios de conexão entre o roubo de domingo no Hotel Refsnes Gods e o desaparecimento das obras principais no Munch Museum. Mas Vidar Salbuvik, proprietário do Hotel Refsnes Gods em Moss e dono das três obras recuperadas, declarou: "Acredito que essa recuperação aumenta as possibilidades de esclarecimento do roubo anterior de obras de Munch. Pelo menos é o que espero que aconteça."

Durante o roubo na noite de domingo, um empregado do hotel chegou a interromper os dois homens que estavam retirando as obras de Munch da parede do restaurante fechado, aparentemente com barras de metal.

Num detalhe que faz lembrar o assalto do dia 22 de agosto, um dos ladrões deixou cair um dos quadros quando fugia, estilhaçando o vidro de revestimento da obra. O ladrão pegou o quadro do chão e seguiu correndo até o carro, disse Jan Pedersen, chefe das investigações policiais em Moss.

No assalto ao museu em agosto, "O Grito" e "Madonna" também foram carregados sem muitos cuidados por dois dos ladrões. Após arrancarem os quadros da parede diante de atônitos visitantes, os homens deixaram as obras cair enquanto se dirigiam ao carro preparado para a fuga. Mais tarde, a polícia encontrou fragmentos da moldura e do vidro na rota percorrida pelos ladrões.

"O Grito" e "Madonna" foram pintadas em óleo, tintas têmpera e pastel na década de noventa do século 19. Já "O Vestido Azul" foi pintada em 1915, e não tem o mesmo peso histórico dos trabalhos anteriores de Munch. "O Grito", onde um homem esquálido parece uivar à luz vermelho-sangue de um pôr-do-sol, é um ícone da angústia moderna e ajudou a definir o período inicial do Expressionismo.

The New York Times Image

"Madonna" também foi roubada
"'O Vestido Azul' é uma bela aquarela, mas não muito significativa", disse Knut Forsberg, cuja galeria em Oslo, a Blomqvist, vendeu vários trabalhos de Munch antes da morte do artista, em 1944, e continua a negociar outras obras do artista. "Isso não chega a ser uma crise nacional como foi o roubo de 'O Grito', mas todos tememos que ainda chamará muita atenção do público."

"Num dia de bons lances", segundo o marchand, "O Vestido Azul" poderia alcançar uns US$ 170.000 (quase R$ 500.000) num leilão. Como comparação, Forsberg avalia "O Grito" em valores na faixa que vai de US$ 60 milhões a US$ 75 milhões.

As duas litografias roubadas no ultimo domingo --"Auto Retrato" e "Strindberg" (retrato do dramaturgo sueco August Strindberg)-- são motivos bem conhecidos de Munch. O artista não chegou a numerar essas pinturas, mas Forsberg disse que mais de 100 exemplares de cada litografia já foram registrados no mundo inteiro. Ele diz que uma ou duas cópias saem da chapa a cada ano, sendo vendidas por um preço que varia entre US$ 17.000 e US$ 65.000.

Os bandidos poderão até encontrar mercado para as litografias, segundo o marchand. Mas eles terão muita dificuldade em passar adiante "O Vestido Azul", devido à publicidade gerada pelo roubo.

Iver Stensrud, assistente da chefia de investigação da polícia de Oslo, disse sua equipe está fechando o cerco em busca de "O Grito" e "Madonna": "Acredito que iremos resolver o caso. Mas é difícil dizer quando isso ocorrerá". Mas a obra-prima máxima do pintor, "O Grito", segue desaparecida Marcelo Godoy

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host