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09/03/2005

Ex-presidente Clinton terá que fazer outra cirurgia

The New York Times
Elisabeth Bumiller*

Em Washington
O ex-presidente Bill Clinton passará por cirurgia nesta quinta-feira (10/03) para remover fluido e tecido cicatricial da cavidade esquerda do seu peito, cerca de seis meses após ter passado por uma operação para colocação de quatro pontes de safena, disseram Clinton e seus médicos na terça.

Doug Mills/The New York Times

Clinton mantém a simpatia habitual ao anunciar que fará nova cirurgia
Os médicos descreveram o problema, que manterá Clinton no hospital por 3 a 10 dias, como uma complicação rara mas não particularmente de risco da cirurgia de coração aberto.

Último presidente do Partido Democrata, Clinton, de 58 anos, fez o anúncio no mesmo dia em que ele e o ex-presidente George Bush se encontraram com o atual presidente Bush na Casa Branca, para informá-lo sobre a recente viagem deles aos países asiáticos atingidos pelo maremoto no fim do ano passado.

"Eu me sinto bem", disse Clinton aos repórteres enquanto permanecia ao lado do pai de Bush no Salão Roosevelt, logo após o encontro com o atual presidente.

Clinton disse que o problema com fluido e tecido cicatricial apareceu em um recente raio X e que o procedimento "me deixará fora de atividade por uma semana ou duas, e então voltarei ao normal".

Ele concluiu que "não é grande coisa".

O ex-presidente Bush interveio para dizer que na sua recente viagem com Clinton, no mês passado, para a Tailândia, Indonésia, Sri Lanka e Maldivas, "vocês deviam tê-lo visto indo de cidade em cidade, país em país, o verdadeiro coelho da (pilha) Energizer. Ele me matou".

O atual presidente Bush também minimizou os problemas de saúde de Clinton, notando em uma breve sessão com seus dois antecessores e repórteres, no Escritório Oval, que seu pai e Clinton tinham planos de jogar um torneio de golfe de caridade de 18 buracos pelas vítimas do maremoto, na quarta-feira na Flórida.

"Isto mostra o quanto ele está doente", disse o presidente Bush sobre Clinton.

Clinton, que parecia magro e pálido em alguns eventos públicos recentes, apresentava uma cor saudável e parecia vigoroso e animado na terça-feira. Ele parecia feliz por estar de volta à Casa Branca, e a certa altura passou mais de dois minutos respondendo à pergunta de um repórter sobre sua reação aos pedidos por democracia e recentes eleições no Oriente Médio.

"Eu acho que as eleições iraquianas transcorreram melhor do que qualquer um poderia imaginar, e agora, sabe como é, eu disse que não acho que devemos pressionar o presidente para estabelecimento de um prazo para retirada das forças americanas, nós temos que tentar fazer isto funcionar", disse Clinton, acrescentando que "cedo ou tarde" os sírios encerrariam sua ocupação no Líbano, que os repórteres apenas escrevem sobre os problemas no Oriente Médio e que ele está "empolgado" com os recentes eventos na região.

O ex-presidente Bush também respondeu perguntas, mas manteve suas respostas mais curtas. Em uma coletiva de imprensa mais cedo no Hospital Presbiteriano de Nova York/Centro Médico da Universidade de Colúmbia, os médicos de Clinton disseram que o procedimento que será realizado, chamado decorticação, exigirá anestesia geral.

O dr. Craig Smith, que realizou a operação para colocação das quatro pontes de safena em Clinton em setembro, disse que em mais de 6 mil cirurgias de ponte de safena ele só viu um punhado de pacientes, menos de 10, desenvolverem a condição de Clinton.

Clinton será operado no Presbiteriano de Nova York/Colúmbia, o mesmo hospital onde recebeu as pontes de safena. Seus médicos disseram que Clinton estava ciente de sua condição antes de ter partido para sua viagem à Ásia.

O momento da cirurgia foi considerado facultativo, disseram os médicos, e assim que a condição for corrigida ela dificilmente ocorrerá novamente.

Tammy Sun, a secretária de imprensa de Clinton, disse em uma declaração na terça-feira que o tecido cicatricial se desenvolveu de um acúmulo de fluido e inflamação que provocaram a compressão e um colapso do lobo inferior do pulmão esquerdo de Clinton.

A declaração disse que a cirurgia seria feita ou por meio de uma pequena incisão ou com a ajuda de um toracoscópio, um pequeno dispositivo que os médicos podem inserir entre as costelas e espiar dentro da cavidade do peito. Os médicos então drenariam o fluido da área e cortariam uma camada do tecido cicatrizado.

A declaração também disse que o acúmulo de fluido e o colapso do pulmão têm causado "certo desconforto" a Clinton nas últimas semanas. Mas ela disse que, fora isto, ele está "em condições muito boas", passou recentemente em um exame e está caminhando mais de 6 quilômetros por dia perto de sua casa, em Chappaqua, Nova York.

Em seus comentários no Salão Roosevelt, Clinton disse que os exames médicos recentes o colocaram no "no 5% do topo dos homens da minha idade em saúde" e que o procedimento que será realizado é "quase rotineiro".

A senadora Hillary Rodham Clinton disse que estará em Nova York com seu marido para a cirurgia.

"É um procedimento de rotina apesar de ser uma complicação incomum", disse a senadora Clinton. "Bill decidiu que quer resolver e deixar isto definitivamente para trás, o que considero ser a decisão correta. Assim, na manhã de quinta-feira, ele passará pela cirurgia e isto será resolvido."

A senadora Clinton disse que ela e seu marido estão confiantes no resultado. "Nós não temos motivo para acreditar que é outra coisa a não ser um procedimento de rotina."

Na Casa Branca, Clinton e o pai de Bush, que foram nomeados pelo presidente para liderar os esforços de arrecadação de fundos para ajuda às vítimas do maremoto, apresentaram um relatório do trabalho deles até o momento.

O atual presidente Bush, que segurou uma cópia do relatório para os fotógrafos, disse que até agora foram doados aos esforços de ajuda US$ 1 bilhão.

"Este relatório diz basicamente que a América se importa profundamente com o sofrimento das pessoas ao redor do mundo", disse Bush.

Os dois ex-presidentes, que desenvolveram o que seus colegas dizem ser uma boa amizade após a disputa amarga da campanha presidencial de 1992 [quando Clinton derrotou o republicano Bush-pai], também elogiaram um ao outro. Clinton agradeceu ao atual presidente por ter lhe dado a chance de trabalhar com seu pai, e o pai de Bush disse que foi um "prazer" trabalhar com Clinton.

O ex-presidente Bush, que foi um dos primeiros a dar um telefonema de votos de recuperação para Clinton quando ele estava no hospital para sua cirurgia em setembro, disse sobre o atual problema de saúde de Clinton que "esta coisa, seja lá o que for, pode derrubar você, mas ainda não o pegou".

*Colaborou Carl Hule. Médicos devem remover tecido cicatricial ao redor do seu coração George El Khouri Andolfato

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