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09/03/2005

Sem glamour, sonho de boxeadora morre na luta

The New York Times
Rick Lyman

Em Spring Hill, Kansas
Na noite após ela e sua irmã finalmente terem assistido a "Menina de Ouro", vencedor dos Oscars de melhor filme, atriz, diretor e ator coadjuvante, Katie Dallam acordou gritando e com seus braços dando golpes, mas ela rapidamente voltou a dormir e acordou na manhã seguinte com o pesadelo apagado de sua memória.

John Nowak/The New York Times

Boxe causou tendências suicidas à boxer Katie Dallam, que vem se recuperando com a pintura
Para Dallam, que perdeu as funções de uma grande parte do lado esquerdo do cérebro, tal esquecimento acontece o tempo todo.

Dallam, 45 anos, relutava em assistir ao filme, um drama sobre uma mulher pobre do Missouri que aos 30 e poucos anos se torna boxeadora, apenas para terminar inválida e suicida.

Em 1996, Dallam era de muitas formas tal mulher, uma pobre do Missouri que se transformou em boxeadora apenas para se tornar inválida e suicida após uma surra selvagem em sua primeira luta profissional.

"Foi difícil de assistir, mas também foi bom", disse Dallam, sentada no sofá da casa de fazenda de 150 anos de sua irmã, nesta pequena cidade a sudoeste da região metropolitana de Kansas City.

"Eu costumo ser dura comigo mesma, quando não consigo me lembrar das coisas ou me perco. Mas depois do filme, eu pensei, não, eu progredi bastante. Eu preciso me concentrar no que conquistei."

Por um breve período no final dos anos 90, os ferimentos que deixaram Dallam perto da morte eram notórios no mundo do boxe. Até hoje, quando defensores do esporte falam sobre segurança, eles são rápidos em dizer que Dallam foi a única boxeadora nos Estados Unidos que sofreu algo semelhante ao que aconteceu com Maggie Fitzgerald, a boxeadora interpretada por Hilary Swank no filme.

Stephanie Dallam, uma enfermeira que tem sido a principal companhia da irmã e quem cuida dela, disse que sua família acredita que F.X. Toole, o autor do conto que serviu de base para o filme, deve ter ouvido ou lido sobre Katie e a usou como base para sua história. "Há semelhanças demais", disse Stephanie sobre a história, publicada quatro anos depois dos ferimentos de Katie.

Elas são rápidas em acrescentar que não estão acusando Toole, que morreu em 2002, de roubar algo de Katie, mas apenas sugerindo que ele usou a vida dela como ponto de partida para sua ficção.

Maggie, na história, tinha um treinador protetor e mal-humorado que se transformou em um pai substituto e que pesarosamente e relutantemente a ajudou a morrer. "O sujeito interpretado por Clint Eastwood no filme preferiu a saída fácil ao matá-la, em vez de ter que lidar com como a vida dela seria", disse Stephanie Dallam.

Katie vive na obscuridade, com suas lembranças brincando de esconde-esconde em um labirinto enevoado que frustra e irrita uma mente inteligente aprisionada pela enfermidade. O lar dela é um escuro apartamento de subsolo a duas quadras da casa de Stephanie, e ela gosta de caminhar pelas ruas cercadas de mato desta pequena cidade do campo, apesar de nunca à noite, pois as alucinações são assustadoras demais.

Até este mês, as irmãs não tinham dado entrevistas e há anos nem mesmo tinham falado muito sobre a luta. O livro de recortes de jornal e fotos horripilantes de hospital estava bem guardado. "Eu continuo querendo achar que foi um acidente de carro ou algo assim", disse Katie. "Eu tento não pensar a respeito."

Mas o lançamento do filme, e a forma como Swank interpretou a boxeadora com compaixão e fidelidade, as fez pensar que poderia ser a hora de falar com outros sobre o que aconteceu.

"Katie perdeu tanto que costumava perguntar, por que estou aqui, por que continuo vivendo?" disse Stephanie. "Mas agora, no outro dia, ela disse, bem, talvez este seja o motivo." Katie Dallam, a verdadeira menina de ouro, resiste à dura realidade George El Khouri Andolfato

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