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10/03/2005

EUA demonstram sua fraqueza ao realizar guerras

The New York Times
Maureen Dowd

Em Nova York
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
Nos esportes, o ataque é mais glamouroso. Ele avança a bola, ele marca e todos comemoram. É tudo uma questão de brilho e glória.

A defesa, por outro lado, trabalha arduamente no anonimato. É tudo uma questão de lutar nas trincheiras, fincar os calcanhares e combater a cada centímetro o avanço da oposição. A unidade mais importante da última equipe invicta da Liga Nacional de Futebol (americano), os Miami Dolphins de 1972, foi rotulada de Defesa Sem Nome.

Os republicanos entendem a vantagem na publicidade de um ataque implacável. Eles apresentaram um ataque vigoroso nas duas campanhas presidenciais e duas guerras de W. (George W. Bush) e na guerra deles contra a imprensa.

Em sua doutrina preventiva de 2002, que estabelecia a base para o ataque ao Iraque, foi atribuída ao presidente Bush a criação da frase: "Nós reconhecemos que nossa melhor defesa é um bom ataque".

W. confundiu com sucesso os americanos ao rotular a invasão ao Iraque como uma investida na guerra contra o terror, apesar de o Iraque não ter nenhuma participação nos ataques de 11 de setembro, nenhuma ligação com a Al Qaeda e nenhuma arma para compartilhar com os terroristas. Mas 11 de setembro foi um golpe emasculador, e a Casa Branca precisava contra-atacar alguém.

O que o governo não reconhece, enquanto comemora a democracia que está florescendo no deserto iraquiano, é que nossa defesa contra os terroristas que querem atacar aqui está cheia de buracos, e que a guerra no Iraque pode tê-la tornado ainda pior.

Apesar da eleição promissora, a guerra criou mais rebeldes e lhes deu uma área de treinamento. Ela desviou atenção, dinheiro e soldados que poderiam estar sendo usados para pegar Osama, perseguir a Al Qaeda e proteger nosso próprio país. E alienou não apenas muitos árabes, mas também aliados que estavam ansiosos, após 11 de setembro, a nos ajudar a enfrentar a Al Qaeda --até mesmo os italianos estão revoltados agora.

Cada vez que nos viramos, um membro do governo encarregado de nossa proteção está alegando que serão necessários mais três anos, ou mais cinco, para consertar algo que deveria ter sido implementado logo após 11 de setembro --ou mesmo 20 anos atrás.

O FBI abandonou sua mais recente extravagância em informática: o esforço de US$ 170 milhões para atualizar o sistema de computadores do birô para que os analistas pudessem realizar tarefas como cruzar simultaneamente referências como "aviação" e "escolas".

Agora, serão necessários pelos menos mais 3 anos e meio para o desenvolvimento de um novo sistema. Bill Gates tem doado computadores e software para escolas pobres; talvez ele possa se apiedar do pobre FBI e doar um sistema que funcione.

Uma das primeiras grandes histórias que cobri foi a volta dos reféns do Irã em 1981. Quase um quarto de século depois, nós ainda não dispomos de boa inteligência sobre o Irã.

Nesta quarta-feira, uma comissão presidencial bipartidária relatará que a falta de inteligência americana sobre a capacidade nuclear do Irã é escandalosamente inadequada. Nossa inteligência sobre os sistemas de armas iraquianos foi tão ruim que tivemos que ir à guerra para descobrir que o Iraque não tinha nenhum.

Nossos serviços de inteligência estão apenas agora tentando recrutar agentes que falam árabe e farsi? Nós não percebemos após a crise iraniana dos reféns que poderia ser prudente investir em alguns espiões capazes de se infiltrar em locais que nos chamam de Satã? O presidente Jimmy Carter perdeu uma eleição porque não sabia o que se passava no Irã, e o presidente Bush ainda não sabe.

Agora que tardiamente começamos a recrutar pessoas que falam árabe --após as forças armadas terem afastado mais de 300 lingüistas considerados importantes para a guerra contra o terror na década passada porque por acaso eram gays-- nossas agências de inteligência não sabem se estão alistando aliados ou inimigos. Nós não conseguimos entrar nos conselhos internos da Al Qaeda, mas será que a Al Qaeda entrou nos nossos?

O "Los Angeles Times" noticiou na terça-feira que cerca de 40 americanos que procuraram emprego nas agências de inteligência americanas foram rejeitados por possíveis laços com grupos terroristas. Paul Redmond, um antigo oficial da CIA, disse que é uma "certeza atuarial" que espiões se infiltraram nas agências de segurança americanas: "Eu acho que estamos pior do que nunca".

Ao mesmo tempo, dezenas de suspeitos de terror em listas de vigilância federais foram autorizados a comprar armas legalmente em nosso país, segundo uma investigação do GAO (Escritório Geral de Auditoria, a divisão investigativa do Congresso). Não é de estranhar que Porter Goss, o novo diretor da CIA, pareça atordoado e confuso.

Enquanto o presidente e os neoconservadores tentam reformar o Oriente Médio para ajudar gerações futuras, será que não poderiam encontrar algum tempo para reformar nossa segurança para proteção desta geração? Inteligência do país deveria vir agindo no Oriente Médio há 20 anos George El Khouri Andolfato

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