UOL Notícias Internacional
 

10/03/2005

Reforma da previdência divide o partido de Bush

The New York Times
Robin Toner

Em Washington
Os republicanos estão tendo um momento da terceira idade.

O plano de previdência social do presidente Bush gerou ampla e persistente ansiedade e ceticismo entre aposentados e quase aposentados, que podem ser mais de um terço dos votos nas eleições do ano que vem. Apesar de seus esforços para neutralizar esses eleitores, prometendo deixar seus benefícios intocados, os republicanos temem estar correndo riscos para daqui a 19 meses, como esperam os democratas.

Nos últimos dias, vários estrategistas republicanos vêm dizendo aos congressistas que devem procurar aliviar a ansiedade dos aposentados. Em um memorando para o Comitê Republicano Nacional do Congresso, responsável pela campanha dos Republicanos da Câmara, dois importantes agentes de pesquisa de opinião disseram que seus grupos de estudo "deixaram claro que a questão da reforma da previdência social será um determinante de voto muito importante, especialmente para quem tem mais de 55 anos."

O memorando, distribuído aos congressistas nesta semana, diz: "Para os eleitores mais velhos, as opiniões do governo e dos candidatos na questão de previdência social será tão importante ou mais do que questões como guerra, saúde e educação."

David Winston, outro analista de pesquisas de opinião que assessora republicanos da Câmara e do Senado, disse em entrevista que, apesar de os republicanos terem divulgado a promessa de Bush de deixar o grupo de 55 anos intocado, isso não foi suficiente. Essa faixa etária ainda teme o que pode acontecer quando o Congresso colocar em questão o antigo programa de pensão, que tem 70 anos, disse Winston.

"Esse não é um elemento partidário ou ideológico", disse ele. "É apenas: 'Agora, está tudo bem, e a abertura da caixa de Pandora pode mudar isso.'"

Os riscos para os republicanos no Capitólio são altos: eles tiveram a maioria dos votos dos idosos em cinco das últimas seis eleições para a Câmara, apesar de por pouco. Segundo alguns democratas, o voto da terceira idade foi a principal razão por não terem reconquistado o controle do Congresso. Esses eleitores são especialmente importantes nos pleitos que ocorrem entre as eleições presidenciais. Esse público tende a votar muito mais do que os jovens.

Isso torna alguns dos dados particularmente preocupantes para os republicanos. As pesquisas consistentemente mostram que os americanos mais velhos têm muito maior probabilidade do que os jovens de considerar má idéia as contas de investimento privado da previdência.

Na mais recente pesquisa The New York Times/CBS News, desenvolvida no final de fevereiro, 64% dos entrevistados com mais de 65 anos disseram que permitir que as pessoas invistam parte do que recolhem para a previdência era má idéia; 29% disseram que era boa.

O contraste mais pronunciado foi com o grupo mais jovem, entre 18 e 30 anos de idade. Apenas 37% deles pensaram que as contas pessoais eram má idéia, enquanto 55% acharam boa a idéia.

Em resumo, a proposta é menos popular entre os que têm maior chance de votar. "Dada a reação dos eleitores idosos a essa proposta, eles serão um risco para o Partido Republicano se for mantida", disse Andrew Kohut que chefia o Pew Research Center.

Estrategistas políticos oferecem uma variedade de explicações para a resistência da terceira idade ao plano do presidente. Eles dizem que os mais velhos, em geral, são adversos a riscos, estão habituados com o atual sistema e sabem como é importante para suas vidas. Nas pesquisas do Pew Center, os mais velhos também citaram o risco do mercado de ações e que muitas pessoas não saberiam administrar essas contas.

Democratas e alguns analistas independentes dizem que a estratégia de Bush pode se basear em um erro de cálculo --assumir que os mais velhos vão agir pensando só em si mesmos e subestimar seu apoio ao atual programa.

"As pessoas acham que o sistema funcionou para elas e querem mantê-lo para seus filhos e netos", disse o senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York e diretor do Comitê de Campanha Senatorial do partido.

Além disso, os democratas dizem que nem todos os aposentados acreditam na promessa de Bush de que não serão afetados. De fato, o memorando da campanha republicana expressou preocupação de que os idosos seriam muito suscetíveis ao custo da modificação do sistema, que pesará na solvência da previdência social.

"Entrevistados mais velhos têm reação fortemente negativa a essa informação sobre os custos da transição, que os torna significativamente mais negativos sobre as mudanças e reformas propostas."

Não surpreende que vários líderes republicanos tentaram ampliar o debate para além das contas de aposentadoria. Nesta quarta-feira (9/3), na primeira audiência do Comitê da Câmara de Formas e Meios sobre a previdência social, o presidente, o deputado republicano Bill Thomas, enfatizou sua intenção de abrir o debate para o "reexame do compromisso do governo com uma sociedade que envelhece."

O mais alto democrata no comitê, o deputado de Nova York Charles B. Rangel, disse que os democratas vão participar nessas discussões somente se as propostas das contas de investimento privado financiadas pela previdência estiverem "fora da mesa".

O desafio republicano diante dos votos de quem tem mais de 55 anos é ainda mais assustador por causa da oposição da Aarp, lobby dos aposentados que vem se opondo fortemente à idéia de desviar as arrecadações em folha para criar contas pessoais de investimento. O memorando do comitê republicano, que envolve uma visão geral da questão baseada em 14 grupos entrevistados em seis cidades, ressaltou o problema:

"A Aarp é a única mensageira com credibilidade entre os eleitores de 55 anos ou mais. Já entre os eleitores de 18 a 54 anos, não há indivíduo, organização ou entidade que tenha credibilidade significativa na questão da previdência social."

Líderes republicanos dizem acreditar que podem defender a idéia entre os eleitores mais velhos com persistência, apelando para que considerem os interesses de seus filhos e netos. O senador Rick Santorum, terceiro líder republicano no Senado, que está concorrendo à reeleição na Pensilvânia, Estado com grande número de eleitores idosos, aconselha calma.

"Acho apenas que deve haver uma mensagem consistente", disse Santorum. "Quando os mais velhos ouvem falar de mudança e previdência social na mesma frase, não há reação positiva". No final, disse ele, os republicanos serão julgados pelo que de fato propuseram ou votaram, o que não vai afetar as pessoas com mais de 55 anos.

Mesmo assim, há republicanos no Capitólio que se lembram dos tempos em que sofreram, terrivelmente, com aquilo que Bush insiste que não precisam mais temer --o terceiro trilho, como foi chamada a questão da previdência social. Um estrategista republicano no Senado disse das eleições: "Ninguém levanta o assunto. Ninguém quer ser lembrado." Os republicanos temem que a mudança traga prejuízos eleitorais Deborah Weinberg

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