UOL Notícias Internacional
 

11/03/2005

Ex-presidente Bill Clinton recupera-se de cirurgia

The New York Times
Lawrence K. Altman

Em Nova York
O ex-presidente Bill Clinton estava acordado e descansando confortavelmente nesta quinta-feira (10/03), depois de passar quase quatro horas na mesa cirúrgica para remover uma faixa grossa de tecido de cicatriz que se acumulou depois da operação de quatro pontes de safena em setembro último, disseram os médicos.

Um acúmulo de fluido levou à formação da cicatriz que estava apertando o lobo inferior do pulmão esquerdo, restringindo sua capacidade pulmonar em mais de 25%, disseram os médicos de Clinton do Hospital Presbiteriano de Nova York.

Clinton, 58, deve voltar a andar na sexta-feira e permanecer no hospital de três a 10 dias, dependendo da velocidade da sua recuperação, disseram seus médicos em uma conferência com a imprensa na quinta-feira.

A senadora Hillary Rodham Clinton e sua filha, Chelsea, estavam com Clinton em seu quarto de hospital na quinta-feira à noite, disseram os médicos.

A operação, conhecida como descorticação, deve aliviar as dificuldades de respiração que Clinton descreveu aos médicos durante uma consulta de rotina antes de viajar para a Indonésia, no dia 19 de fevereiro. A viagem, com o ex-presidente George Bush, envolvia visitas às nações sul-asiáticas devastadas pelo tsunami do dia 26 de dezembro.

Os médicos acreditam que o problema não deve recorrer e que o ex-presidente poderá retomar todas suas atividades depois de um período de recuperação de quatro a seis semanas. Esse é o prazo normal para o restabelecimento depois da cirurgia para pacientes que não fazem trabalho manual.

Os médicos descreveram a complicação como rara --ocorrendo por razões desconhecidas em uma fração de 1% de pacientes que fazem cirurgia coronária. Se Clinton não se submetesse à nova cirurgia, estaria correndo risco de infecção, disseram os médicos.

"O procedimento foi feito para maximizar sua função pulmonar e trazê-la de volta à normalidade", disse Dr. Joshua Sonett, líder da equipe que operou o ex-presidente. Sonett, disse que a cirurgia foi eletiva, já que ele estava "bem sem ela, mas poderia estar melhor". Clinton entrou no hospital às 5h da manhã com sua mulher e filha, vindo para Nova York da Flórida, onde tocou em um evento beneficente para as vítimas do tsunami na quarta-feira.

Às 7h, Clinton entrou na sala de cirurgia acompanhado de Robert Kelly, vice-presidente do hospital. Ele estava animado, mas "um pouco chateado" com um jogo de golfe na chuva, disse Kelly.

A equipe normal de enfermeiras, técnicos e médicos do hospital cuidou do presidente, inclusive um residente que está treinando para ser cirurgião. No entanto, a equipe médica foi diferente em um aspecto: havia dois cirurgiões-chefe, em vez de um, "pois era o presidente Clinton", disse Sonett. Ele e seu parceiro, Kenneth M. Steinglass, principal cirurgião torácico do hospital, se ajudaram neste caso, disse Sonett.

Depois que Clinton recebeu anestesia, um aparelho chamado videoscópio foi inserido por uma pequena incisão entre duas costelas, para que o procedimento fosse o menos agressivo possível.

No entanto, quando os médicos removeram uma quantia grande de fluido e olharam o pulmão esquerdo de Clinton pelo videoscópio, entenderam que a operação "não poderia ter sido executada com segurança e eficiência" apenas com o aparelho, disse Sonett.

"Uma casca grossa" de tecido inflamatório envolvia o lobo inferior do pulmão, impossibilitando o procedimento menos invasivo, disse Sonett. Eles tiveram que liberar a porção presa do pulmão para que pudesse voltar ao seu tamanho normal.

Os cirurgiões então passaram para um método mais tradicional, uma toracotomia limitada. Depois de fazer uma incisão entre outras duas costelas, eles as afastaram para usar os instrumentos e retirar o tecido endurecido.

Sonett descreveu o processo como "descascar uma laranja".

A casca era mais grossa em certos lugares do que os médicos tinham podido perceber pelos exames de tomografia computadorizada. As medidas dos exames indicavam entre 2 a 4 milímetros de grossura, mas encontraram seções de 5 e 8 milímetros.

Sonett descreveu o tecido como grosso e duro, parecendo borracha.

A operação durou quase quatro horas, uma hora a mais do que estimavam os médicos fora da cirurgia. No entanto, na quinta-feira, Sonett disse que a duração era "esperada" porque a "dissecação foi meticulosa".

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Clinton ficou estável durante a operação e sangrou o mínimo, disse Sonett. Não foram necessárias transfusões.

O ex-presidente não sentia dores quando acordou da anestesia, disse o anestesista Desmond Jordan, porque "no final da operação" ele inseriu um tubo na sua coluna para injetar uma droga contra a dor.

"Isso deve dar um bom alívio em torno da área de incisão", disse Jordan. "Ficamos satisfeitos com o final do caso", disse Sonett. "O pulmão do presidente Clinton estava muito saudável, cor de rosa e com ótima aparência, e esperamos total recuperação."

Os pacientes em geral sentem dores nas costelas depois dessas operações. "Essa será sua principal limitação funcional inicialmente, mas a dor deve se resolver rapidamente", disse Sonett.

Um tubo continua drenando fluidos do peito de Clinton e será removido em dois a cinco dias.

Sonett disse que sua equipe abriu uma área diferente do peito de Clinton do que Craig R. Smith na cirurgia coronária. "As duas recuperações são bastante independentes", disse Sonett.

Clinton teve que esperar alguns dias para fazer sua cirurgia de ponte de safena de forma a permitir a diminuição dos efeitos do Plavix, uma droga contra a formação de coágulos que tomou quando fez um angiograma no Hospital Westchester.

Perguntado se o Plavix poderia ter contribuído para a complicação, Smith, que liderou a equipe que fez as pontes de safena em Clinton no Hospital Presbiteriano de Nova York, disse que "certamente estava com maior risco de hemorragias e acúmulo de fluidos em sua cirurgia cardíaca por causa do Plavix."

Smith disse que houve acúmulo de fluidos nos pulmões de Clinton depois da cirurgia de ponte de safena. No entanto, ele disse que não sabia porque o corpo de Clinton absorveu completamente o fluido do pulmão direito, mas não do pulmão esquerdo, o que causou a inflamação.

"O que parece diferente é a forma como o corpo reagiu ao fluido no lado esquerdo. Acho que nunca saberemos se começou como por causa do Plavix", disse ele.

A complicação de Clinton foi detectada durante um exame de acompanhamento, antes que Clinton partisse para o Sul da Ásia, disse Allan Schwartz, cardiologista chefe do hospital.

Foi então que Clinton descreveu a sensação de desconforto no lado esquerdo do peito quando subia ladeiras em suas caminhadas diárias, de 6 km, perto de sua casa em Chappaqua. Schwartz disse que, quando usou o estetoscópio para ouvir o peito de Clinton, sua respiração parecia menor do que tinha sido em seu último exame.

Raios-X mostraram que seu pulmão estava comprimido.

Segundo Kelly, justo antes da operação na quinta-feira, Clinton disse que "estava ansioso para voltar a jogar golfe". Procedimento foi pouco mais complexo e demorado que o previsto Deborah Weinberg

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