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12/03/2005

Diretor da Nasa deve enviar homem a Lua e Marte

The New York Times
Warren E. Leary*

Em Washington
Na sexta-feira (11/03), o presidente Bush nomeou Michael D. Griffin, um físico e engenheiro que é grande defensor dos vôos espaciais tripulados, para o cargo de diretor da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), no momento em que a agência procura retomar o programa dos ônibus espaciais e enviar seres humanos de volta à Lua.

Griffin, que é diretor do Departamento de Espaço do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Laurel, Maryland, ocupou diversos cargos na indústria aeroespacial e foi presidente e operador chefe da In-Q-Tel, uma organização sem fins lucrativos financiada pela Agência Central de Inteligência (CIA) para investir em companhias que desenvolvem tecnologias que tenham aplicação na segurança nacional. Ele também foi vice-diretor de Tecnologia da Organização para a Iniciativa de Defesa Estratégica, trabalhando em sistemas de defesa contra mísseis de 1986 a 1991.

Caso o seu nome seja aprovado pelo Senado, Griffin enfrentará um período crítico na Nasa, que procura se recuperar do desastre com a Columbia há dois anos e retomar o programa de ônibus espaciais em maio. Um comitê independente revelou que "uma cultura de segurança falha" foi tão responsável pelo acidente, que matou sete astronautas, quanto o pedaço de espuma que abriu um buraco na asa esquerda da Columbia.

Griffin receberá também o encargo de concretizar a nova visão de Bush com relação à exploração espacial, que se concentra no envio de seres humanos de volta à Lua e, mais tarde, a Marte.

Griffin, 55, trabalhou na Nasa nos anos 90, tendo sido engenheiro-chefe e diretor associado de exploração espacial. Ele substituirá Sean O'Keefe, que saiu no mês passado, após três anos no cargo, para se tornar reitor da Universidade Estadual de Louisiana em Baton Rouge.

Em uma audiência no Congresso em março passado, Griffin apoiou a nova diretriz do presidente para a Nasa, argumentando que a agência pode expandir a exploração espacial para além da Terra com um orçamento de cerca de US$ 16 bilhões por ano, caso acabe logo com o programa de ônibus espaciais e reduza o apoio à Estação Espacial Internacional.

Falando perante o Comitê de Ciência da Câmara, Griffin defendeu a otimização e o redirecionamento da Nasa, e ao mesmo tempo a continuidade da exploração espacial tripulada.

"Os Estados Unidos não abandonarão os vôos espaciais tripulados", afirmou. "Não contar com a capacidade de lançar seres humanos ao espaço, quando outras nações têm tal capacidade e quando outras mais seguem esse exemplo, é simplesmente inaceitável para uma grande nação".

Entre os desafios que deverão ser enfrentados pelo novo diretor estão a supervisão da retomada dos vôos dos ônibus espaciais, já em 15 de maio, o término da construção da estação espacial, a reavaliação da controversa decisão de O'Keefe no sentido de enviar um ônibus espacial para consertar o Telescópio Espacial Hubble, e a venda ao povo e ao Congresso da idéia do novo plano da Nasa para exploração espacial.

O novo diretor da Nasa terá também provavelmente que reduzir operações em alguns dos dez centros da agência e enxugar o seu quadro funcional de 18 mil pessoas. Autoridades da Nasa disseram nesta semana que a agência poderia reduzir o número de funcionários em 15% até o verão de 2006 por meio de aquisições de controle acionário, aposentadorias e transferências, assim como pelo fechamento de algumas instalações que não são essenciais para a exploração espacial.

A seleção de Griffin foi recebida com apoio e otimismo bipartidários em Capitol Hill. "O Dr. Griffin impulsionará a Nasa rumo à próxima fase da missão dos Estados Unidos no espaço", disse em uma declaração o líder da maioria na Câmara, Tom DeLay, republicano do Texas.

A senadora Barbara Mikulski, democrata por Maryland, que integra o comitê senatorial que fiscaliza a Nasa, disse a respeito de Griffin: "Ele possui a combinação correta de experiência em indústria, academia e serviço público. Ele tem um histórico comprovado de liderança e uma paixão por ciência e exploração".

O deputado Sherwood Boehler, republicano por Nova York, que é diretor do Comitê de Ciência da Câmara, disse que Griffin é conhecido pela sua sinceridade e franqueza, e também pela criatividade. "Griffin há muito tempo é um excelente recurso para o Comitê de Ciência, tanto como fonte pública quanto como conselheiro particular. Ele conta com vasto conhecimento, e conhece a Nasa por dentro e por fora".

A senadora Kay Bailey Hutchinson, republicana pelo Texas, e diretora do Subcomitê de Ciência e Espaço do Senado, disse estar satisfeita com a escolha. "Falei com o Dr. Griffin hoje sobre trabalharmos juntos para revalidar a Nasa neste ano e implementar a nossa visão de um futuro para a agência", disse ela.

John Logsdon, diretor do Instituto de Políticas Espaciais da Universidade George Washington, disse que a capacitação técnica e a personalidade de Griffin o ajudarão como administrador da Nasa. "Ele está cheio de entusiasmo e é profundamente técnico, além de ser conhecido por sua integridade e capacidade de avaliação", disse Logsdon em uma entrevista. "Griffin será acessível e será ouvido porque conhece o assunto. Tanto na agência quanto no Congresso ele se sairá bem".

Trajetória

Nascido em Aberdeen, Maryland, Griffin obteve um diploma de graduação em física pela Universidade Johns Hopkins e outro de doutor em engenharia aeroespacial pela Universidade de Maryland. Ele tem ainda cinco diplomas de mestre, em ciência aeroespacial, engenharia elétrica, física aplicada, engenharia civil e administração empresarial.

Griffin atuou também como professor adjunto em várias universidades, dando aulas de desenho de espaçonaves, matemática aplicada, direcionamento e navegação, dinâmica computacional de fluidos, controle de comportamento de espaçonaves e outras disciplinas. Ele também é autor de um livro sobre desenho de espaçonaves.

Em abril de 2004, Griffin assumiu o seu atual cargo como diretor do departamento de espaço no Laboratório de Física Aplicada Hopkins, onde trabalhou nos anos 80. Em 1986, ele ingressou no programa "Guerra nas Estrelas" do Pentágono, cujo objetivo era criar um escudo de defesa antimíssil.

De 1991 a 1994, trabalhou na Nasa em vários postos técnicos, incluindo o de gerente de um programa de exploração de Marte, defendido por Bush Pai, e que mais tarde foi cancelado por ser considerado muito caro.

Griffin trocou a Nasa por cargos técnicos no setor privado, indo para a Orbital Science Corporation, em Dulles, Virginia, a fim de chefiar o fabricante de foguetes Space Systems Group, e mais tarde foi diretor-técnico da companhia. Ele trabalhou ainda na Computer Science Corporation, em El Segundo, Califórnia, uma empresa de tecnologia de computadores.

Como funcionário graduado da In-Q-Tel, ajudou a investir cerca de US$ 45 milhões anuais em verbas federais para desenvolver tecnologia para uso em atividade de inteligência. Os projetos incluíam software e outras tecnologias criadas para selecionar rapidamente material procurado em meio a uma quantidade maciça de dados como e-mails interceptados e imagens de satélite.

Gilman G. Louie, diretor-executivo da In-Q-Tel, disse que Griffin gerenciou operações diárias e ajudou a canalizar investimentos para além da tecnologia da informação, nas áreas de biotecnologia, nanotecnologia e ciências de materiais.

John Pike, diretor da Globalsecurity.org, em Washington, e especialista em questões espaciais e Iniciativa de Defesa Estratégica, disse que Griffin conhece bem a política e os aspectos civis e militares da indústria aeroespacial.

"A interseção entre política e a indústria aeroespacial é um território com o qual ele está bem familiarizado", disse Pike, referindo-se à experiência de Griffin com a Iniciativa de Defesa Estratégica e a In-Q-Tel.

*Colaboraram Scott Shane, de Washington, John Schwartz e Dennis Overbye, de Nova York. Essa é uma das metas do presidente Bush a novo chefe da agência Danilo Fonseca

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