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13/03/2005

Todos trajados a rigor, mas sem ter onde investir?

The New York Times
Paul J. Lim*
É o dilema de valor do investidor: com a redução da elevação do lucro corporativo e o índice industrial Dow Jones próximo de uma alta de quatro anos, as ações não são mais uma barganha. De fato, 72% dos gerentes de fundos globais dizem que as ações ou estão razoavelmente valorizadas ou supervalorizadas, segundo uma recente pesquisa da Merrill Lynch.

Mas a principal alternativa para as ações -os títulos- também está supervalorizada, na visão da grande maioria dos administradores de capital profissionais.

Isto deixa uma pergunta central para os investidores, disse Jack Ablin, diretor chefe de investimento do Harris Private Bank em Chicago: se você decidir que agora é hora de tirar parte do dinheiro da mesa, onde você deve colocá-lo?

Tradicionalmente, quando ações e títulos seguem em uma direção, algumas classes alternativas de ativos, como commodities ou imóveis, seguem em outra direção.

Mas este não parece ser o caso desta vez: "Honestamente, eu não sei de nenhum grande negócio no momento", diz Brian Jones, vice-presidente da Cooper, Jones & McLeland, uma firma de administração de fortunas e planejamento financeiro em Fairfax, Virgínia. Na verdade, diz ele, há algumas classes de ativos que, devido às suas valorizações, "não estamos medindo esforços para evitar". Entre elas estão diversificadores tradicionais de portfólio como ouro, petróleo e imóveis.

Assim, o que restou? Ben Inker, diretor de alocação de ativos da GMO, uma firma de administração de investimentos em Boston, diz que "não há vergonha em sacar dinheiro caso não goste de ações e nem de títulos".

Fundos mútuos de capital virtualmente asseguram a proteção do principal, e seus rendimentos têm crescido juntamente com as taxas de juros de curto prazo, diz Inker. E continuarão crescendo se o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, elevar ainda mais os juros, como espera a maioria dos observadores do mercado.

Em média os fundos de capital estavam rendendo 1,93% na semana passada, segundo a iMoneyNet, que acompanha os fundos de capital, uma elevação em comparação a 0,51% um ano atrás. Ainda assim, os fundos de capital estão rendendo menos do que a taxa de inflação, cerca de 3% pelos últimos 12 meses.

Tradicionalmente, os investidores se voltam para os títulos para obter rendimentos ligeiramente maiores do que os mercados de capital podem oferecer. Mas "eu hesitaria em usar o mercado de títulos com o Fed em modo de endurecimento", diz James Stack, editor do boletim InvesTech Market Analyst. Afinal, se as taxas de juros do mercado crescerem ainda mais, o valor de títulos mais velhos, de menor rendimento, provavelmente cairá, o que significa que seu portfólio de títulos poderá perder dinheiro.

Mas investidores de renda fixa têm duas opções. Para os iniciantes, a ampla categoria dos fundos de títulos inclui os chamados fundos de empréstimos bancários. Estes portfólios, também conhecidos como fundos de participação em empréstimos, investem em dívida de taxa flutuante contraída por empresas que não estão classificadas ou não apresentam classificação de crédito de risco.

Estas empresas pagam um taxa sobre estes empréstimos acima de uma taxa referencial como a Taxa de Juros para Empréstimos e Financiamentos no Mercado Interbancário de Londres, ou Libor. Os investidores em fundos de empréstimos bancários podem geralmente esperar um ganho por volta de dois e meio ou três pontos percentuais acima da Libor, que atualmente está acima de 3% para empréstimos de 90 dias.

Além disso, diferente dos fundos de títulos tradicionais, os portfólios de empréstimos bancários investem em dívidas de taxas flutuantes. "Portanto, em um ambiente de taxas em elevação, há uma oportunidade para obter maiores rendimentos", diz James A. Shambo, um planejador financeiro em Colorado Springs.

Empréstimos com taxas flutuantes freqüentemente são comparados aos títulos e alto rendimento, porque ambos são apresentam classificação de risco de investimento. Mas há grandes diferenças, diz Scott H. Page, co-gerente do fundo Eaton Vance de taxa flutuante.

Por exemplo, os empréstimos de taxa flutuante são uma forma de dívida enquanto os títulos de alto rendimento são subordinados. Isto significa que os investidores em fundos de investimento bancário têm prioridade em caso de apropriação de ativos do devedor em caso de calote. Os detentores de "junk bonds" (títulos especulativos de alto rendimento e alto risco) devem esperar na fila. Além disso, junk bonds são uma forma de dívida não garantida, o que significa que não são apoiados por cauções. Os empréstimos de taxa flutuante são protegidos pelos ativos da empresa que contrai a dívida.

Os fundos de empréstimos bancários tendem a se sair melhor quando as taxas de juros estão em elevação e a economia está melhorando, reduzindo a probabilidade de calotes, diz Andrew Clark, analista sênior de pesquisa da Lipper, uma analista de fundos. Desde que versões de varejo de fundos de empréstimos bancários surgiram no final dos anos 80, as taxas de juros têm caído. Mas, em média, os portfólios de empréstimo bancário têm conseguido um rendimento de 4,1% ao ano desde o início da baixa do mercado, segundo a Morningstar. Isto está bem acima dos níveis do mercado de capital.

Também há uma forma relativamente segura de investir em títulos tradicionais em meio à elevação dos juros: o "laddering", formando um portfólio de títulos que amadurece em vários intervalos.

Assim, em vez de comprar uma coleção de títulos resgatáveis em, digamos, cinco anos, você pode comprar títulos cujos resgates variem de 1 a 10 anos. "Se você acha que as taxas de juros apresentarão alta", diz Ronald W. Roge, um planejador financeiro em Bohemia, Nova York, "você vai querer ter um portfólio escalonado para que à medida que os títulos amadureçam, você possa reinvestir seu dinheiro em títulos de maior rendimento".

O problema é que é difícil elaborar um "laddering" de títulos individuais, com poucos milhares de dólares aqui e uns poucos milhares acolá, quando o dinheiro necessita ser realocado de outros ativos. Mas um punhado de fundos mútuos de títulos, com relativamente baixa exigência de investimentos mínimos, usam "laddering" de títulos em seus portfólios.

Por exemplo, todos os oito fundos de títulos administrados pela família Thornburg empregam "laddering" em seus papéis. Ao fazê-lo, o Thornburg Limited Term U.S. Government Bond Fund, por exemplo, apresentou virtualmente o mesmo rendimento da média dos fundos de títulos do governo de médio prazo, mas com apenas cerca de "dois terços da volatilidade de títulos do Tesouro de cinco anos", disse Steven J. Bohlin, diretor administrativo do Thornburg Investment Management.

Se os investidores não acham que o mercado de ações apresentará grande alta, eles podem garantir as apostas ao, entre outras coisas, colocar uma pequena porção -digamos, 10%- de sua participação de ações em fundos neutros de mercado.

Alguns destes fundos visam ser perfeitamente "neutros de mercado", o que significa que, resumindo, para cada US$ 1 que investem em ações, eles investem US$ 1 contra a subida do mercado. Outros não são tão rígidos.

Porque eles investem em títulos, os fundos neutros de mercado podem facilmente perder dinheiro por um certo período. Mas alguns podem amortecer a volatilidade do total do portfólio melhor do que os fundos de capital.

Por exemplo, segundo a Morningstar, um portfólio com 60% em ações, 30% em títulos e 10% em fundos de capital apresentou um rendimento anual de 5,7%, nos três anos até fevereiro; o desvio padrão do portfólio, uma medida da volatilidade, foi de 9,14%. Em comparação, o mesmo portfólio com 10% de seus ativos investidos não em fundos de capital, mas sim no fundo Laudus Rosenberg de curto-longo prazo apresentaria um rendimento anual de 6,2%. E isto com um desvio padrão de apenas 8,45%.

Para deixar claro, a administração de capital de mercado neutro é difícil de executar, e muitos destes fundos perderam para fundos de ações tradicionais de longo prazo por períodos prolongados.

Mas o ponto deste exercício não é encontrar o investimento quente do mês, mas reduzir o risco em seu portfólio em geral, disse Ablin do Harris Private Bank. "E aqui está um modo de fazê-lo", diz ele, "evitando simplesmente deixar o dinheiro parado".

*Paul J. Lim é redator financeiro do U.S. News & World Report George El Khouri Andolfato

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