UOL Notícias Internacional
 

14/03/2005

Lá vem a noiva, a futura mamãe

The New York Times
Mireya Navarro
Em Los Angeles
Para seu casamento no ano passado, diante de 100 convidados no histórico Mission Inn, em Riverside, Califórnia, Neomi Padilla, 32, usou um vestido sensual do L'Ezu Atelier em Newport Beach e salto 10.

Depois, teve que se segurar.

No altar, não conseguia ajoelhar-se confortavelmente. "Meu marido me segurou, porque achei que ia cair", disse ela. Ainda mais difícil foi descer as escadas para a recepção. Com sete meses de gravidez, não conseguia ver seus pés.

Há poucos anos, as mulheres que planejavam ao mesmo tempo um casamento e um parto imploravam aos estilistas e lojas de noivas que fizessem vestidos que camuflassem suas barrigas e insistiam em segredo. Hoje em dia, entretanto, as noivas não só não estão escondendo a barriga, como a exibem com orgulho, celebrando a gravidez com votos e vestidos que salientam a barriga. Em suma, recusam-se a abdicar de qualquer elemento do casamento tradicional só porque há um bebê a caminho.

Alguns fabricantes de vestidos de noiva estão criando desenhos para grávidas e os padres estão abençoando cada vez mais crianças ainda não nascidas.

"É uma tendência crescente. Virou tudo: 'Olha para mim. Estou grávida!'", disse o reverendo Christopher Tuttle, ministro sem denominação que preside a Associação Nacional de Ministros de Sacramentos Matrimoniais -com cerca de 200 membros.

O reverendo Scott Carpenter, pastor que preside a Associação Nacional de Ministros Matrimoniais, disse que oito anos atrás nenhuma noiva anunciava abertamente sua gravidez, mas que hoje cerca de 20% dos casamentos que celebra são desse tipo.

Em uma época em que a gravidez é obsessivamente compartilhada e celebrada em revistas de celebridades e de moda, talvez não surpreenda que esteja sendo exibida até na igreja. Mas há também fatores culturais: as mulheres estão se casando mais velhas, e muitas moram com seus futuros maridos muitos anos antes de fazer os votos.

"Quanto mais velhas, mais seguras. É comum os casais pagarem pelo casamento, então não se preocupam com o que as pessoas pensam", disse Carley Roney, editor de um site da Web (www.theknot.com) dedicado ao planejamento de casamento.

Padilla, que administra um bufê em Los Angeles e hoje é mãe de Sophia, de 8 meses, disse que sua postura foi: "Por que não posso ter tudo?" Ela disse que engravidou depois de ter planejado o casamento e decidiu prosseguir.

"Tenho 32 anos, meu marido 34", disse ela. "Queríamos uma família, então não tivemos vergonha."

Apesar de cada vez mais casais heterossexuais morarem juntos sem estarem casados, os americanos ainda preferem se casar quando engravidam, porque acreditam que dará maior segurança para a criança.

Apesar de a gravidez sempre ter levado ao casamento, não costumava significar mega-festas, se a noiva estivesse com muitos meses.

Com as noivas grávidas de hoje, disse Roney: "O que está mudando é a exibição. Estamos falando de casamentos no sétimo mês."

Ou no oitavo. Laura Taylor, 21, de Terre Haute, Indiana, disse que sua única preocupação em seu casamento no dia 12 de fevereiro era que ficaria muito perto da data prevista para o parto, e poderia ter um filho antes de um marido.

Taylor, que até recentemente trabalhava como caixa de um salão de bronzeamento, disse que estava noiva há mais de três anos e, ao saber que estava grávida, debateu por dez dias se faria uma grande festa de casamento. Ela decidiu pelo evento completo, incluindo uma cerimônia em uma igreja batista e uma recepção para 125 convidados.

"Pensei: 'Qual é o problema?'", disse ela. "Faço as coisas na ordem errada de qualquer forma. Pensei em usar um vestido marfim, mas minha mãe disse: 'Não, você vai de branco. Estamos em 2005.'"

Aqueles que compartilharam seu dia com seus filhos não nascidos dizem que a gravidez tornou a ocasião ainda mais intensa. Jane E. Smith, 38, diretora de treinamento e desenvolvimento do InterContinenal Hotels and Resorts em San Francisco, disse que até seus convidados choraram em seu casamento em novembro, em Palm Springs, quando o ministro mencionou seu filho por nascer, Miller Michael (que nasceu no dia 12 de fevereiro).

"Foi tão único e especial. Pensei: 'Meu deus, tem tanta coisa se passando, além de duas pessoas se casando'", disse um convidado emocionado, Jeff Rogers, 38, especialista em informação da Nike em Portland, Oregon.

Mas a gravidez não é necessariamente prática no casamento: com pés inchados, enjôos e várias provas do vestido. Algumas noivas usam fabulosos vestidos com tênis ou chinelos, porque ficariam muito instáveis de salto alto. Muitas evitam um casamento à noite, para não se cansarem.

As noivas brindam com suco de maçã e adiam a lua-de-mel porque não podem fazer mergulho submarino nem beber. Elas também não querem ficar distante de seus médicos.

Encontrar o vestido também pode ser um pesadelo.

"Foi a coisa mais estressante que tive que passar" disse Taylor. Primeiro, ela procurou a loja onde tinha comprado seu vestido do baile de formatura. "Eles me disseram que não havia forma de me vestirem. Senti que não queriam me ajudar."

Em uma segunda loja, "os vestidos ficaram horríveis; eram cinco vezes o meu tamanho".

Taylor disse que finalmente encontrou um vestido de cetim com rendas que adorou na TeKay Designs (www.tkdesigns.com), revendedora de roupas on-line de Houston que se especializa em vestidos de casamento entre US$ 150 e US$ 800 (ou entre R$ 450 e R$ 2.400).

A empresa começou em 1998 vendendo vestidos de noiva, damas de honra e formatura. No entanto, nos últimos anos os vestidos para noivas grávidas venderam tanto que se tornaram uma especialidade, respondendo por 60% das vendas, ou cerca de 300 vestidos por ano, disse Joseph Okyere, diretor de operações. Ele disse que a demanda deveu-se, em grande parte, pela ampla seleção de vestidos para grávidas -mais de 100 modelos- e seus preços relativamente baixos.

"Em 2000, começamos a receber ligações de mulheres grávidas dizendo: 'Vi um modelo no seu site, será que vocês poderiam fazê-lo para uma mulher grávida?'" disse ele, acrescentando que atualmente a empresa recebe "pedidos de todas as partes do mundo".

Ronald Rothstein, proprietário da Kleinfeld Bridal, grande salão de noivas em Brooklyn que vende até 8.000 vestidos de noiva por ano na faixa de US$ 2.000 a US$ 6.000 (entre R$ 6.000 e R$ 18.000), estima que sete noivas em cada 100 que vêm ao salão estão grávidas.

"Antigamente, a noiva nos ligava com antecedência e queria conversar conosco em particular", disse ele. "Hoje em dia ela entra e diz: 'Estou grávida. Qual vestido cairia bem?' A gravidez acrescenta ao excitamento."

Amy Michelson, estilista de Los Angeles que recomenda vestidos flutuantes, diz: "Fico feliz de termos chegado ao ponto em que as mulheres não têm que se sentir envergonhadas por sua feminilidade. É um grande passo." No entanto, acrescentou: "Ainda requer coragem. É preciso uma mulher de muita fibra para manter a cabeça erguida, porque vai contra as idéias culturais de etiqueta."

Apesar de as noivas grávidas dizerem que tiveram enorme apoio dos padrinhos, parentes, amigos, ministros e vendedores da indústria, algumas dizem que a aceitação social não é universal.

Joy Lynn Leech, 31, que estava grávida de sete meses em seu casamento em agosto, disse que a maior parte das pessoas foi "extremamente positiva", mas entre seus 200 convidados observou algumas pessoas conspicuamente "silenciosas sobre a coisa toda".

Quando ligou para sua igreja, Católica Romana, disseram que um dos padres não faria o casamento, mas que o outro "provavelmente não se recusaria".

Leech é voluntária no Corpo de Bombeiros e proprietária de um negócio de aluguel de pôneis em Nova Jersey. Ela se casou na igreja, com um vestido de contas e seda de Jane Wilson-Marquis, estilista de Nova York. Teve também carruagens puxadas por cavalos e uma grande festa no Nanina's, em Belleville, Nova Jersey. No entanto, ela disse que ficou "ligeiramente desapontada" porque o bebê não foi mencionado na cerimônia. Ela disse que não pressionou por isso por temer que o padre desistisse de casá-la porque "os católicos são tão rígidos"".

Grupos conservadores cristãos que promovem a abstinência antes do casamento, como o Conselho de Pesquisa da Família e a Coalizão de Defesa Cristã em Washington, disseram que achavam positivo que essas noivas se casassem, mas objetaram à mensagem que podem estar transmitindo.

"Em certo nível, transmitem a mensagem de que a atividade sexual antes do casamento não tem potenciais conseqüências emocionais, sociais e econômicas negativas", disse o reverendo Patrick Mahoney, ministro presbiteriano que dirige a Coalizão de Defesa Cristã.

Carmela Pampillonia, gerente de restaurante em Staten Island que estava grávida de cinco meses em seu casamento no dia 13 de fevereiro, achou que sua paróquia católica foi "muito compreensiva", mas esperou três meses para seu padre submeter seu pedido à arquidiocese. "Não podia planejar nada antes de me aceitarem", disse ela. Roney, do The Knot, observou que as objeções à noiva grávida são geralmente temperadas por uma alternativa ainda menos palatável -que tenham filhos fora do matrimônio.

No entanto, para noivas como Pampillonia, a desaprovação não é uma consideração. "O casamento deve ser um símbolo de amor e união, e uma criança traz mais amor e união", explicou. "Mostrei a barriga a noite toda e sinto-me ótima." Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,73
    3,144
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,00
    65.010,57
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host